segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Largo: largado e cercado

Já falei anteriormente aqui sobre a questão dos moradores de rua que se refugiam no Largo São Francisco, nas marquises dos prédios ou embaixo da Faculdade de Direito da USP.

A Faculdade de Direito mantém sua posição indiferente às condições dos desabrigados. O que é até bom já que, se não os expulsa, como fazem os outros habitantes do Centro, pelo menos não os incomoda. Aliás, como andam tão mal cuidados os banheiros e algumas instalações da escola, a administração não teria outra posição para o que acontece do lado de fora. Se gente dorme no chão da calçada e faz suas necessidades nas paredes e no Parlatório da Tribuna Livre do Largo, o caminhão da prefeitura lava tudo com água de reúso, e pronto.

Do outro lado, na Praça Paulo Duarte, o prefeito Gilberto Kassab havia mandado tirar a banca de jornal que obstruía a visão do espaço. Assim, os pedestres têm maior sensação de segurança e os guardas podem observar melhor o ambiente. Só que o prefeito esqueceu de avisar o Metrô da sua ideia. O Metrô cuida da área, porque ali há respiros da linha que passa no subterrâneo, ladeados por áreas ajardinadas, com árvores e arbustos.


Na foto, a praça como estava até poucos meses atrás.


Pois bem: a Companhia do Metropolitano ergueu horrendas grades azuis em torno dos respiros e canteiros da praça. São três ou quatro cercadinhos de um ou dois metros quadrados cada, separados por poucos centímetros. As árvores ficaram ali enjauladas e, provavelmente, disputarão seu espaço com lixo e mato.

É incompreensível a medida tomada pelo Metrô, uma vez que ele próprio, atendendo ás reivindicações locais, havia plantado as árvores e feito o paisagismo, há poucos anos. Provavelmente, a justificativa é, mais uma vez, a existência dos moradores de rua nas cercanias.

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