segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Largo: largado e cercado

Já falei anteriormente aqui sobre a questão dos moradores de rua que se refugiam no Largo São Francisco, nas marquises dos prédios ou embaixo da Faculdade de Direito da USP.

A Faculdade de Direito mantém sua posição indiferente às condições dos desabrigados. O que é até bom já que, se não os expulsa, como fazem os outros habitantes do Centro, pelo menos não os incomoda. Aliás, como andam tão mal cuidados os banheiros e algumas instalações da escola, a administração não teria outra posição para o que acontece do lado de fora. Se gente dorme no chão da calçada e faz suas necessidades nas paredes e no Parlatório da Tribuna Livre do Largo, o caminhão da prefeitura lava tudo com água de reúso, e pronto.

Do outro lado, na Praça Paulo Duarte, o prefeito Gilberto Kassab havia mandado tirar a banca de jornal que obstruía a visão do espaço. Assim, os pedestres têm maior sensação de segurança e os guardas podem observar melhor o ambiente. Só que o prefeito esqueceu de avisar o Metrô da sua ideia. O Metrô cuida da área, porque ali há respiros da linha que passa no subterrâneo, ladeados por áreas ajardinadas, com árvores e arbustos.


Na foto, a praça como estava até poucos meses atrás.


Pois bem: a Companhia do Metropolitano ergueu horrendas grades azuis em torno dos respiros e canteiros da praça. São três ou quatro cercadinhos de um ou dois metros quadrados cada, separados por poucos centímetros. As árvores ficaram ali enjauladas e, provavelmente, disputarão seu espaço com lixo e mato.

É incompreensível a medida tomada pelo Metrô, uma vez que ele próprio, atendendo ás reivindicações locais, havia plantado as árvores e feito o paisagismo, há poucos anos. Provavelmente, a justificativa é, mais uma vez, a existência dos moradores de rua nas cercanias.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Vai sobrar algum Flecha Azul para contar história?

Notícia que circulou no Ver, Viver e Rever (exposição anual de ônibus antigos organizada pelo Primeiro Clube do Ônibus Antigo Brasileiro, no Memorial da América Latina, em São Paulo), realizado nos dias 21 e 22 de novembro é surpreendente: após vender, a preços baixos, quase todos os veículos Flecha Azul, lendário modelo de ônibus fabricado em alumínio durante quase trinta anos, a Viação Cometa decidiu restaurar um deles para guardar em seu acervo.

O ônibus escolhido foi o de prefixo 7455, fabricado em 1998 pela CMA, uma empresa subsidiária da Cometa, sobre a plataforma Scania K-113, aliás, o último chassi dessa série que a empresa utilizava desde 1991.

Até então, imaginava-se que nenhum exemplar do histórico modelo utilizado pela Cometa até a sua reestruturação, quando adquirida da família Mascioli pelo grupo JCA, seria preservado pela companhia.

O engraçado da história é que a Cometa havia reformado seus ônibus Flecha Azul remanescentes, e pouco a pouco começou a retirá-los de circulação, dando lugar aos Marcopolo, de motorização Mercedes-Benz e configuração mais moderna (saiba mais aqui). O carro número 7455 foi um desses reformados: seus bancos originais de couro vermelho foram substituídos, a placa acrílica com o desenho reflexivo de um cometa fora removida da traseira, a grade dianteira fora alterada e a pintura antiga, em creme, azul e prata, com letras escritas à mão, à moda antiga da transportadora, também não existiam mais. E foi instalado um toalete no padrão da Marcopolo. Além disso as rodas e pneus Pirelli não são as originais.

Ele está assim...



E precisa ficar assim...



Pelo que se contava entre os presentes no encontro de ônibus antigos Ver, Viver e Rever 2010, a Cometa passou a entender importante guardar um veículo antigo original em seu acervo, para defender a tradição da empresa, que é um de seus principais pontos junto aos consumidores.

Se essa acertada decisão de preservar um veículo da frota antiga original para a coleção ou acervo da empresa tivesse sido tomada há pelo menos dois ou três anos, haveria ônibus intactos para isso, e não seria necessário reformar um ônibus novamente. Aliás, uma boa pergunta é saber se a empresa ainda possui as peças e objetos necessários para fazer o "downgrade" em seu carro.

O que resta é aguardar.

ATUALIZAÇÃO
Desde setembro de 2012 todos os CMA Flecha Azul que ainda restavam na empresa foram retirados das linhas regulares. O carro número 7455 ainda está longe de ter sua restauração (que começou em 2010) concluída.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Adidas e suas duas marcas

Em 1972, a Adidas, marca alemã de artigos esportivos, lançou como logotipo uma folhinha com três cortes horizontais, representando as famosas três litras, que já eram símbolo da empresa desde 1949 (costuradas nas laterais das chuteiras para identificá-las). Esse logotipo ficou conhecido como Trefoil.

Era uma marca forte, porque identificava com facilidade a empresa, sozinha, sem a necessidade de nenhuma inscrição por extenso de seu nome. E evitava a pirataria de materiais com três listras, mas que não eram da Adidas.

O Trefoil reinou absoluto estampando tênis, agasalhos e uniformes de futebol até 1994. Às vésperas da Copa do Mundo dos Estados Unidos, a folhinha desapareceu, sendo a marca representada unicamente pela palavra Adidas por extenso. O Trefoil ficou escondido, aparecendo somente nas etiquetas dos produtos.

Pouco depois, em 1996, a Adidas lançou seu novo logotipo: três listras em ascendente na diagonal, compondo um conjunto triangular. Não era propriamente novo, mas uma representação das suas famosas três listras da forma que apareciam nos calçados.



Mas o tempo foi passando e a marca antiga não desapareceu completamente. O Trefoil continuou vivo, e foi reabilitado nas linhas Sport Heritage Division e Adidas Originals, uma espécie de coleção retrô e fashion, com produtos mais "descolados", que vão desde artigos que imitam os antigos até os ultra-modernosos para não fazer feio numa rave ou numa festa clubber.

O Trefoil, no Brasil, é o símbolo de uma era em que no futebol quase todos os times, dos grandes aos pequenos, tinham seus uniformes fabricados pela Adidas (e patrocinados pela Coca-Cola). As camisas de futebol dessa época são objeto de culto entre torcedores e colecionadores. Chegam a valer centenas de reais.

Daí, talvez, a simpatia tão grande por aquela simples folhinha.

A Adidas não conseguiu se livrar dela, e foi obrigada a reabilitá-la.

E eis que na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo surge a Adidas como patrocinadora. E no cartaz oficial do evento, surge o velho Trefoil azul representando a empresa alemã.



Definitivamente, a velha marca está mais viva do que nunca, e representa com muito mais força a Adidas do que o logotipo que a substituiu.

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