domingo, 12 de setembro de 2010

"Que da hora!"

Passei hoje à tarde pela feirinha da Liberdade. Estava acontecendo um festival de cultura japonesa, por isso estava cheia de gente. Mas eu só queria mesmo é pedir licença à multidão e entrar na fila do ponto de ônibus.

Na esquina da Igreja Santa Cruz das Almas dos Enforcados havia, como de costume, um homem com deficiência nas pernas, sentado sobre um papelão, com as roupas sujas, alguns dentes na boca, pedindo esmolas aos passantes. Perto dele, na rua, um jovem casal com aquela cara de "vamos comer tempurá ou ir ao McDonald's?" segurando pela mão o filho, de uns 4 anos. Notei que o menino sorria e acenava para homem sentado no chão, que, surpreso, também devolvia os tchauzinhos.



Logo em seguida, os pais decidiram o que fazer e quiseram começar a andar. Ao perceber o movimento, o menino mandou, de longe, um beijo para aquele homem sujo, com as pernas tão frágeis. Ao receber o beijo, o sujeito exclamou, na maior felicidade:

"Puxa, meu! Que da hora!"

E mandou outro, de volta.

Ao perceberem a cena, os pais do gerotinho também sorriram. Não sei se voltaram para dar algumas moedas para o homem. Mas acho que, para ele, tanto faria.

Afinal, quantas vezes hoje aquele senhor recebeu algum carinho? E nesta semana? E neste ano? E, talvez, na vida inteira?

O dia dele já estava ganho.

Mais do que dinheiro, as pessoas precisam é de atenção. Em momentos sutis da vida, como num caso que já contei aqui e que aconteceu comigo, é que a gente se dá conta disso.

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