terça-feira, 13 de julho de 2010

Humor Arroto



Saiu ontem à noite a notícia de que uma tal Mulher Arroto, que faz um quadro no programa Pânico na TV, da RedeTV, no qual arrota na cara das pessoas durante entrevista, tentou fazer a brincadeira com a atriz Laura Cardoso, de 82 anos, num evento no Rio de Janeiro. Foi posta para fora do local, enquanto a atriz octogenária, assustada, murmurava perguntando o que havia feito para merecer tamanha grosseria.

Ridículo.

Sacanear os outros pode ser um tipo de humor, mas tudo deve ter limite.

Daqui a pouco, isso não terá mais graça e os "humoristas" vão peidar na cara dos idosos e todo mundo vai achar genial.

Falta de educação não é nem nunca será engraçado. Violação à dignidade, privacidade, intimidade, integridade física também.

Lamento pelo humor praticado hoje na televisão. Um lixo. Lixo é pouco, pois ofende até mesmo os garis.

Se reclamam pelo estilo antigo, dito ultrapassado, de programas como A Praça é Nossa e Zorra Total, as novidades da comédia televisiva não passam de um festival de escatologias e desrespeito com o ser humano, recheadas de puro preconceito típico de quem se acha superior, mais forte. Mais rico.

Assim como socialites cariocas atiram ovos nos pedestres, de suas coberturas em Copacabana e mauricinhos brasilienses se divertem ateando fogo em índios, é o humor de quem agride na televisão e, pior, de quem ri em casa, assistindo ao espetáculo.

Canso-me também de ver engraçadinhos stand-up que só sabem fazer humor à base de palavrões. Não têm graça, pois faltam-lhes texto. Prefiro ouvir os discos do Chico Anysio, Golias e José Vasconcellos que tenho em casa, aquilo sim é show de comédia. Palavrão deixo para quem sabe usar, como Dercy, Costinha e Ary Toledo.

Assim como há câmeras escondidas do Silvio Santos que passam dos limites, quadros da Praça é Nossa que são ofensivos e coisas grotescas como Táxi do Gugu e Teste de Fidelidade.

Há quem se sujeite a isso, afinal é um País livre. E goste, imite, também humilhe as pessoas a troco de umas risadas.

Humor é feito de contraposição, irreverência, mas também de inteligência. Humor é o que é engraçado, não o que é nojento ou constrangedor, ou o que agrida as pessoas.

Reconheço o esforço contra a política babaca e imbecil do politicamente correto. Porém, o caminho seguido pelo humor "moderno" não me agrada nem um pouco. É rir do outro, não rir com o outro. O humor tornou-se um sentimento de satisfação pessoal, não coletivo.

Fazer rir é tão simples, basta ser engraçado. Não precisa agredir ninguém.

Mas é preciso talento.

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