segunda-feira, 22 de março de 2010

Ô ô... o bolachão voltou!

Está hoje no Link, caderno de tecnologia do Estadão: o disco de vinil voltou. E um infográfico bem legal mostrando como é fabricado o vinil. E uma reportagem falando que os LPs estão de volta porque a música digital tirou a identidade da relação entre ouvintes e artistas (aí são citadas como qualidades do LP o tamanho, a capa grande e o contato físico com o material - quem diria... esses eram os pontos mais criticados quando surgiu o CD, mas agora não faltam elogios...!)

Tenho uma relação particular com os vinis. Gosto de olhá-los em sebos e levar para casa aqueles com os quais eu tenho uma relação de afetividade, geralmente vinda da infância. Não sou um especialista em música, embora saiba distinguir quais discos são raros e quais são encalhes de loja. Claro que também tenho meus gostos particulares, que, garanto, são bastante particulares...



Por isso, tenho uma coleção enorme de discos do Trem da Alegria (incluindo compactos e promocionais raros), que me levou a fazer um blog só sobre o grupo, alguns da Xuxa, o cobiçado LP do Chaves e os da Mariane (excelente cantora infantil). Além do mais ou menos raro Eu Sou o Espetáculo, show de humor de José Vasconcellos de 1960, de que meu pai falava muito para mim, que resolvi comprar e gostei muito (é um show stand-up comedy de verdade, sem baixo nível, como os pseudo-humoristas de hoje fazem achando que são moderninhos). Raro mesmo é o LP com jogos da copa de 1958, da Rádio Panamericana em parceria com A Gazeta Esportiva. Também raro, embora sem valor colecionável, é o LP de Luis Ricardo (sim, o ex-Bozo e garoto propaganda do Baú) cantando Como é Grande o Meu Amor por Você.

Falando sobre o mercado fonográfico brasileiro, eu sempre disse que o Xou da Xuxa 3 é o álbum mais vendido de todos os tempos no Brasil, mas estava enganado. Na verdade, o Padre Marcelo desbancou a Xuxa, o que considero um milagre (sem referências ao padre cantor...), pois isso ocorreu na era do CD e da pirataria digital! Porém a Maria da Graça colocou 4 de seus discos na lista dos mais vendidos da história. Veja:

01. Músicas para Louvar o Senhor - Padre Marcelo Rossi - 1998 - 3.328.468 cópias
02. Xou da Xuxa 3 - Xuxa - 1988 - 3.216.000
03. Leandro & Leonardo - Leandro & Leonardo - 1990 - 3.145.814
04. Só pra Contrariar - Só pra Contrariar - 1997 - 2.984.384
05. 4º Xou da Xuxa - Xuxa - 1989 - 2.920.000
06. Xegundo Xou da Xuxa - Xuxa - 1987 - 2.754.000
07. Um Sonhador - Leandro & Leonardo - 1998 - 2.732.735
08. Xou da Xuxa - Xuxa - 1986 - 2.689.000
09. Mamonas Assassinas - Mamonas Assassinas - 1995 - 2.468.830
10. Terra Samba ao Vivo e a Cores - Terra Samba - 1998 - 2.450.411

O disco do Padre Marcelo é aquele do "Erguei as mãos". O do Só Pra Contrariar é aquele do "estou fazendo amor com outra pessoa, mas meu coração vai ser pra sempre seu...". Leandro & Leonardo puseram 2 discos na lista. "Um Sonhador" todo mundo conhece, marcou por ter sido o último antes da morte de Leandro, e o de 1990, que tem "Pense em mim". Mamonas Assassinas foi um fenômeno, mas raro mesmo é encontrar o LP deles, que teve tiragem muito pequena. Eu tenho um. Terra Samba me surpreendeu... o carrinho de mão deles é forte, hein!...

O mais curioso pra mim é que eu esperava encontrar nessa lista mais discos dos anos 80, quando foi o auge da indústria fonográfica no Brasil... mas daquele tempo, mesmo, quem vendia bem era a Xuxa, o Roberto Carlos e os infantis. Os demais vendiam bastante, mas não tanto assim...

Bem vindo de volta, vinil! Que não seja só uma modinha, volte para ficar!

Só um detalhe...

Os vinis a Polysom fabrica. Mas e os toca-discos, as agulhas, as cápsulas? Pelo jeito, apesar do otimismo, o mercado vai continuar restrito apenas às classes dos apreciadores de vinil, que sabem onde encontrar bons aparelhos e peças de reposição.

Também já sabemos que os discos novos são bem caros. Para quem quiser entrar nesse hobby, ter uma vitrola velha guardada é meio caminho andado. E o melhor é garimpar discos em sebos, bem baratos e, às vezes, bem conservados, de obras que não foram relançadas em CD. E tirar o pó da vitrola que estava encostada, revisar as correias e as borrachas e botar o bichinho pra funcionar.

3 comentários:

  1. A fábrica da Polysom fica na Baixada Fluminense, acho que em Belford Roxo ou São João de Meriti, não lembro.. Lembro que eu tinha mania de rodar os discos ao contrário ou em velocidade acelerada e dava gargalhadas, pra desespero dos meus pais... Saudades do vinil!

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  2. Hamilton, corrige isso aí. O Disco mais vendido de todos os tempos no Brasil é o RPM Rádio Pirata ao Vivo. Na época a CBS atual Sony Music, pra dar conta da demanada teve que contratar serviços de outra fábrica na vendagem do LP. O RPM Rádio Pirata ao vivo superou até o Rei Roberto Carlos em investimentos da gravadora e no número de cópias vendidas.

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  3. Celso, também sei que o disco do RPM vendeu uma quantidade absurda, porém o registro mais seguro que encontrei é o que citei, que saiu do livro "Os Dez Mais", de Luiz André Alzer e Mariana Claudino.

    Há quem diga que o RPM foi o único grupo a ganhar o Certificado de Diamante Triplo, enquanto outros dizem que a única a conseguir tal feito no Brasil foi a Xuxa.

    Prefiro não acender esta polêmica, pois o interesse do texto é falar da volta à fabricação dos discos de vinil e não de vendagem.

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