segunda-feira, 29 de março de 2010

Obrigado Armando

Armando Nogueira representou muito para a história do jornalismo brasileiro, um homem visionário, um Caxias solitário.

Lutou desbravadamente ao sair do Acre adolescente, para vir na cidade grande, para chegar ao Rio de Janeiro fincar suas garras.

Torceu pro Botafogo, e com seu pensamento único, começou a fazer grandes reportagens com todos os times do mundo inteiro; trabalhou em 14 Copas do Mundo, um feito e tanto.

Depois de estar na Revista Manchete, e O Cruzeiro, Armando foi para o seu maior desafio, a sua faca de dois gumes: a poderosa Rede Globo em 1966.

Provou os louros da genialidade e o "golpe" da mediocridade: Revolucionou o jornalismo na TV, criando um jornal em rede, que é até hoje, o mais respeitado do pais, o Jornal Nacional. Mas ao mesmo tempo o filho se virou contra ele, com a fatídica edição no Debate dos Presidenciaveis do segundo turno em 1989, ali ele viu que não poderia mais se sujeitar aos interesses alheios e saiu da Globo no ano seguinte.

Fez muito sucesso na Bandeirantes nos anos 90 como comentarista esportivo, foi ai que conheci mais Armando, ideias contundentes mas com suavidade extrema.

Admiro o trabalho de Nogueira pelo seu legado, vi hoje vários jornalistas tarimbados de hoje, reverenciando tudo que ele criou para o jornalismo brasileiro.

Obrigado Armando, com certeza a comunicação perde demais com a sua morte.

quarta-feira, 24 de março de 2010

CARTA ABERTA AOS ESTUDANTES DO LARGO

"Quando se sente bater no peito heróica pancada...".
Versos de Tobias Barreto, gravados no memorial de 32 deste Pátio, e transformados em uma de nossas mais conhecidas trovas acadêmicas. Aos famosos e combativos estudantes do Largo, tais versos têm sempre servido como um estímulo à luta contra a opressão e contra atos ilegítimos dos seus governantes. Em qualquer escalão da República.

Moças e moços da Academia.
Dirigimo-nos, em especial, àquela maioria (da qual também fizemos parte quando estudantes) que, ocupada com seus estudos e futuro profissional, pouco tempo dispõe para a discussão dos problemas internos da Faculdade.

Foram desferidas contra nossos estudantes, em pleno mês de janeiro, no ápice de suas férias, duas "heróicas pancadas", das mais graves (no plano interno) na história quase bicentenária de nossas Arcadas.

O Sr. Ex-Diretor, hoje Reitor, no último dia de sua gestão, 22 de janeiro p.p., editou algumas Portarias (de n°s. 4, 5, 6 e 7), cujos exatos conteúdos permaneceram não revelados – e, portanto, secretos – por vários e vários dias.

Tais medidas, segundo ele, em mensagem eletrônica enviada a toda comunidade da Escola (e desprovida – note-se bem – do teor das portarias), destinar-se-iam à gestão futura da Faculdade nos próximos anos.

A essas Portarias seguiu-se um texto do Sr. Ex-Diretor, com algumas explicações. Datado também de 22 de janeiro p.p., foi só divulgado mais de um mês depois, em 24 de fevereiro. Texto, portanto, também secreto por várias semanas.

Editadas as Portarias e o tal texto, ambos naquela 6ª. feira, dia 22, o Sr. Ex-Diretor tirou-se de nossa Academia e, algumas horas depois, na 2ª. feira, dia 25 de janeiro, tomou posse na Reitoria, onde hoje se encontra abrigado.

"Deixemos de lado o que não é essencial", como disse nosso grande Mestre, Prof. Goffredo da Silva Telles Júnior, há mais de trinta anos, em sua famosa "Carta aos Brasileiros".

Examinemos como tais portarias, bem como sua execução, possam estar eivadas de irregularidades e, mais do que tudo, de falta de legitimidade.

Uma das Portarias ordenou a transferência das bibliotecas (departamentais e circulante) para outro prédio (recentemente desapropriado). A reabertura foi prometida apenas para o dia 15 de março, quase um mês depois do reinício das aulas.

Esse prazo, como se sabe, não foi cumprido, ao menos em relação às mais indispensáveis e preciosas Bibliotecas Departamentais (compostas por acervos de enorme relevância, como o da Tullio Ascarelli).

A mudança realizou-se no fim-de-semana prolongado entre a madrugada do dia 23 de janeiro, sábado, e a 2ª. feira, dia 25, feriado.

Inexistiu qualquer aviso precedente para a comunidade.

Mudança, pois, também secreta.

O transporte dos livros, pelo que se tem notícia, foi feito por uma empresa privada, contratada sem licitação não se sabe por quem. Utilizou-se até mesmo mão de obra de moradores de rua do Largo (conforme consta do livro de ocorrências da empresa de vigilância "Capital").

Não houve pois – o que é gravíssimo – qualquer necessário e cuidadoso planejamento prévio.

Ao se decidir tal medida, impunha-se ao responsável pela Escola ordenar essa transferência de forma organizada e, em especial, de maneira gradativa quanto aos prazos, buscando-se evitar maiores prejuízos às nossas alunas e alunos.

Da maneira como se executou a mudança, parece que a ênfase foi dada unicamente na retirada abrupta dos livros do Prédio Histórico, e não na reorganização do novo espaço.

Inexiste lá rede de informática instalada. Só nos últimos dias, com grandes dificuldades, procura-se implantá-la.

Não há laudo técnico acerca da capacidade estrutural dos pavimentos e andares, agora destinados a acervo de livros, e, portanto, com sobrepeso considerável.

Por outro lado, dever-se-ia com zelo – aplicando-se ao administrador público o necessário padrão jurídico do diligente "bonus paterfamilias" – consultar previamente, pelo menos, as diretorias de outras importantes bibliotecas jurídicas da Capital, de sorte a permitir aos nossos estudantes (ainda que de modo provisório) a sua utilização e acesso mais ágil.

Dentre essas outras, em especial, aquelas do Tribunal de Justiça e do antigo Tribunal de Alçada Criminal, talvez as duas mais importantes bibliotecas jurídicas paulistas depois da nossa.

Isso não se fez. Tivesse sido feito, saber-se-ia, com antecedência, que ambas as bibliotecas (do TJ e do antigo TACrim) encontram-se também fechadas para reforma, aumentado a tragédia e os prejuízos para os estudos e pesquisas de nossos alunos.

Configurou-se pois, infelizmente, certo descaso, ou, no mínimo, péssimo e descuidado planejamento.

Os maiores responsáveis, em última análise, pelo precioso acervo de nossa Academia – vale dizer, as zelosas e zelosos bibliotecários e funcionários de nossa Faculdade –, não foram sequer avisados.

As Chefias da biblioteca, aliás, também foram destituídas nas mesmas portarias, sem qualquer explicação ou comunicação prévia às funcionárias diretamente atingidas.

Tampouco os docentes foram informados sobre essa desastrada mudança.

E quanto às nossas alunas e alunos?

EIS A PRIMEIRA `HERÓICA PANCADA" SOFRIDA PELOS ESTUDANTES DO LARGO: aqueles que, naquela 3ª. feira, dia 26 de janeiro, aqui chegavam para estudar – envolvidos, por exemplo, na preparação de estudos de iniciação científica, teses de láurea ou de pós-graduação –, deram com as portas fechadas.


Nenhuma notícia anterior a eles foi dada.

A transferência das bibliotecas – repita-se – deu-se de forma secreta.

Pode-se imaginar a extrema revolta daqueles alunos que, com sacrifício de suas vidas privadas, planejaram-se para cumprir seus estudos e pesquisas durante o mês de janeiro.

Senhoras e senhores estudantes.

Diante da gravidade de uma tal ocorrência, entendemos haver elementos para eventual abertura de sindicância – e conseqüente processo administrativo –, para apuração de possíveis irregularidades e de responsabilidades conexas.

Continuemos.
A mesma Portaria, pela primeira vez na história desta Faculdade pública, dá nomes de doadores privados – e não de "antecessores iuris", vale dizer, de estudiosos do Direito – para duas salas reformadas do nosso prédio histórico: a primeira foi dedicada a um advogado, "pioneiro da advocacia empresarial do País", e a segunda, a um banqueiro, por ter ele contribuído "para a criação e estruturação de um sistema bancário nacional". Ambos já falecidos.

Em se tratando de uma instituição pública – e, mais ainda, de uma Escola de Direito, a melhor do Brasil –, não se recorreu, surpreendentemente, ao devido processo licitatório, previsto em lei (princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade).

Tal exigência, a nosso ver clara, consta, aliás, de parecer (desatendido) da própria Consultoria Jurídica da USP, em caso análogo ocorrido anos atrás na FEA (Faculdade de Economia e Administração).

Desconsiderou-se também a competência da Congregação da FD, órgão colegiado máximo da Unidade (acima da Diretoria), e, portanto, a sede mais legítima para a discussão desse tema.

Há em tramitação dois requerimentos, ainda não votados, para atribuir os nomes dos ilustres Profs. Goffredo da Silva Telles Júnior e Antonio Junqueira de Azevedo àquelas duas salas reformadas.

O primeiro deles, datado de 31 de agosto de 2009, não foi sequer colocado na ordem do dia da Congregação durante todo o segundo semestre do ano passado.

Aliás – ressalte-se –, só depois de protocolada, em agosto, a proposta de atribuição do nome do Prof. Goffredo àquela sala, hoje provisoriamente dedicada à memória do falecido banqueiro, é que apresentou-se em seguida a proposta (acolhida na Portaria do Sr. Ex-Diretor) de concessão ao Pátio do nome do saudoso e inesquecível professor.

Temos, neste assunto, uma firme certeza: o nosso famoso "Pátio das Arcadas" sempre foi – pelas gerações passadas – e sempre será – pelas gerações futuras – assim mesmo chamado: "P á t i o d a s A r c a d a s"!

Intuímos, do fundo do nosso coração, também ser essa a vontade do estimado Prof. Goffredo, esteja ele onde estiver.

Senhoras e senhores estudantes.

Um processo de financiamento privado de uma Instituição pública como a nossa pode muito bem ser feito independentemente da alta contraprestação representada pela outorga do nome de doadores privados a espaços públicos.

Isso não impede a captação de preciosas doações privadas, úteis para a modernização de nossas instalações, nem é incompatível com o progresso da Escola.

E pode muito bem ser feito em consonância com os princípios gerais do nosso Direito.

Prova disso, entre nós, são, por exemplo, as instalações do Juizado Especial Cível (hoje J.E.F.), obra de mais de meio milhão de reais, doada pela família Klabin. Ou a climatização de duas salas de aula (Pedro Lessa e Dino Bueno), em doação da Bolsa de Mercadorias e Futuros.

Nem por isso tais espaços foram denominados "Juizado Especial Cível Aracy e Roberto Klabin", ou tampouco Salas de Aula "B.M.F."!

Nos dois casos, houve afixação de placa comemorativa de inauguração, gravando-se agradecimento público a estes doadores. Esta deve ser a regra, com base na Constituição e nos princípios gerais do direito administrativo.

Doação privada com encargo superior a esse limite descaracteriza o próprio negócio jurídico da "donatio": em face do equilíbrio de forças entre prestação (outorga do nome do doador a espaço público) e contraprestação (pagamento por ele da respectiva reforma), estaríamos diante de um contrato sinalagmático e oneroso, e não de um contrato gratuito de doação.

Neste sentido, a falta de licitação se mostra bastante grave, pois ao administrador público é vetado oferecer contraprestação de uso ou de denominação de espaço público a quem ele, a seu bel prazer, decidir – ou seja, sem o devido processo licitatório.

Impediu-se, com tal omissão, a divulgação pública que permitiria a outros patrocinadores privados trazerem, eventualmente, contribuições mais afinadas com o interesse da Administração Pública.

E no tocante a este tema, qual a posição dos nossos estudantes?

Desrespeitou-se gravemente – e isso, aqui, o que mais interessa – a vontade dos nossos estudantes, livre e democraticamente manifestada em dois plebiscitos realizados no Pátio.

Por maioria de votos, venceu a proposta de atribuição dos nomes dos nossos mestres, Profs. Goffredo e Junqueira, para as duas salas.

Não só se desconsiderou tal vontade, como também procurou-se, naquele segundo texto, desqualificar o próprio referendo realizado.

EIS, POIS, A SEGUNDA "HERÓICA PANCADA" SOFRIDA PELOS ESTUDANTES DO LARGO.

Moças e moços.
A referida Portaria, além de irregular, é também – e aqui o cerne da questão – plenamente ILEGÍTIMA.

Socorremo-nos, por analogia, mais uma vez das lições do nosso Prof. Goffredo.

Medidas como essa, a exemplo das leis, só são legítimas quando provindas de uma "fonte legítima". Em relação às leis, fonte legítima é representada pelo "povo" a que elas dizem respeito.

No tocante às Portarias da FD, fonte legítima é representada pela comunidade a que tais portarias interessam: estudantes (principalmente), docentes e funcionários.

Os estudantes já manifestaram sua vontade majoritária em dois plebiscitos (ambos desconsiderados) e sofrem, de modo inaceitável, com falta das bibliotecas departamentais.

Aos docentes impede-se, desde agosto, até mesmo a discussão e votação dos temas aqui trazidos.

Aos funcionários, ala ainda mais frágil, destinaram-se, até agora, só ordens, sem qualquer diálogo ou esclarecimentos prévios.

Senhoras e senhores estudantes.

"Na qualidade de herdeiros do patrimônio recebido de nossos maiores" – são ainda palavras do Prof. Goffredo –, os combativos estudantes do Largo devem "dar o testemunho, para as gerações futuras", de que a defesa da legitimidade deve sempre prevalecer.

Como agir?

Procurem sensibilizar e pressionar (dentro dos limites legais) alguns de seus professores, bem como seus representantes eleitos, para que votem, no colegiado da Congregação, pelo restabelecimento da legitimidade em nossa Escola.

Esta é uma questão de tradição e, principalmente, de justiça!

Tradição, pois tais medidas não respeitam a história de nossa Academia nem tampouco a de nossos mestres.

Não se pode admitir, por exemplo, que seja maculada a memória do patriota paulista, grande Professor do Largo, um dos líderes da revolução constitucionalista de 32, FRANCISCO MORATO, cuja honraria de batizar oficialmente a "Sala dos Estudantes" foi chamada de "esdrúxula" pelo Sr. Ex-Diretor, naquele segundo texto.

Conhecesse melhor a história de nossa Academia, saberia que essa homenagem se deu pelo enorme apreço de nossos estudantes pelo Prof. Francisco Morato, durante aqueles conturbados anos trinta.

Questão de justiça, pois não se pode aceitar que a mudança de uma das maiores bibliotecas públicas do Brasil – a mais importante, aliás, dentre as das Escolas de Direito do país – tenha sido feita de forma secreta, sem qualquer tipo de planejamento prévio. Sem os devidos e necessários cuidados com o seu precioso acervo.

Questão de justiça – insistimos –, pois não se pode aceitar o desrespeito ao fundamental direito ao estudo de nossos estudantes, presente na Carta Magna.

Contemplado no art. 6º. da Constituição Federal, esse direito social à educação foi ferido por conta das gravíssimas falhas administrativas relatadas.

Justiça será feita com a apuração das eventuais responsabilidades neste lamentável episódio da mudança secreta de nossas bibliotecas.

Repita-se, mais uma vez: que se respeitem as nossas tradições e, em especial, que se faça justiça.

Tradição e justiça.

E como disse RUI BARBOSA, tratando desses dois aspectos, em placa de bronze aposta nos muros de nossa velha Faculdade:

"Debaixo destes tetos duas evidências há que nos consolam, e chegam a desconvencer-nos da morte: a continuidade da tradição e – completaríamos nós, principalmente – a continuidade da justiça".

Moças e moços.

A força maior da São Francisco está em seus estudantes.

Ao ensejo, completemos os versos de nossa mais famosa trova, com os quais iniciamos esta carta:

"Deixa-se a folha dobrada, enquanto se vai morrer!"

Muito obrigado pela atenção.

EDUARDO CESAR SILVEIRA VITA MARCHI
Professor Titular de Direito Romano
Doutor em Direito pela Universidade de Roma I (1982-1985)
Pós-Doutor pela Universidade de Munique (1992-1994)
Ex-Diretor da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (2002-2006)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Ô ô... o bolachão voltou!

Está hoje no Link, caderno de tecnologia do Estadão: o disco de vinil voltou. E um infográfico bem legal mostrando como é fabricado o vinil. E uma reportagem falando que os LPs estão de volta porque a música digital tirou a identidade da relação entre ouvintes e artistas (aí são citadas como qualidades do LP o tamanho, a capa grande e o contato físico com o material - quem diria... esses eram os pontos mais criticados quando surgiu o CD, mas agora não faltam elogios...!)

Tenho uma relação particular com os vinis. Gosto de olhá-los em sebos e levar para casa aqueles com os quais eu tenho uma relação de afetividade, geralmente vinda da infância. Não sou um especialista em música, embora saiba distinguir quais discos são raros e quais são encalhes de loja. Claro que também tenho meus gostos particulares, que, garanto, são bastante particulares...



Por isso, tenho uma coleção enorme de discos do Trem da Alegria (incluindo compactos e promocionais raros), que me levou a fazer um blog só sobre o grupo, alguns da Xuxa, o cobiçado LP do Chaves e os da Mariane (excelente cantora infantil). Além do mais ou menos raro Eu Sou o Espetáculo, show de humor de José Vasconcellos de 1960, de que meu pai falava muito para mim, que resolvi comprar e gostei muito (é um show stand-up comedy de verdade, sem baixo nível, como os pseudo-humoristas de hoje fazem achando que são moderninhos). Raro mesmo é o LP com jogos da copa de 1958, da Rádio Panamericana em parceria com A Gazeta Esportiva. Também raro, embora sem valor colecionável, é o LP de Luis Ricardo (sim, o ex-Bozo e garoto propaganda do Baú) cantando Como é Grande o Meu Amor por Você.

Falando sobre o mercado fonográfico brasileiro, eu sempre disse que o Xou da Xuxa 3 é o álbum mais vendido de todos os tempos no Brasil, mas estava enganado. Na verdade, o Padre Marcelo desbancou a Xuxa, o que considero um milagre (sem referências ao padre cantor...), pois isso ocorreu na era do CD e da pirataria digital! Porém a Maria da Graça colocou 4 de seus discos na lista dos mais vendidos da história. Veja:

01. Músicas para Louvar o Senhor - Padre Marcelo Rossi - 1998 - 3.328.468 cópias
02. Xou da Xuxa 3 - Xuxa - 1988 - 3.216.000
03. Leandro & Leonardo - Leandro & Leonardo - 1990 - 3.145.814
04. Só pra Contrariar - Só pra Contrariar - 1997 - 2.984.384
05. 4º Xou da Xuxa - Xuxa - 1989 - 2.920.000
06. Xegundo Xou da Xuxa - Xuxa - 1987 - 2.754.000
07. Um Sonhador - Leandro & Leonardo - 1998 - 2.732.735
08. Xou da Xuxa - Xuxa - 1986 - 2.689.000
09. Mamonas Assassinas - Mamonas Assassinas - 1995 - 2.468.830
10. Terra Samba ao Vivo e a Cores - Terra Samba - 1998 - 2.450.411

O disco do Padre Marcelo é aquele do "Erguei as mãos". O do Só Pra Contrariar é aquele do "estou fazendo amor com outra pessoa, mas meu coração vai ser pra sempre seu...". Leandro & Leonardo puseram 2 discos na lista. "Um Sonhador" todo mundo conhece, marcou por ter sido o último antes da morte de Leandro, e o de 1990, que tem "Pense em mim". Mamonas Assassinas foi um fenômeno, mas raro mesmo é encontrar o LP deles, que teve tiragem muito pequena. Eu tenho um. Terra Samba me surpreendeu... o carrinho de mão deles é forte, hein!...

O mais curioso pra mim é que eu esperava encontrar nessa lista mais discos dos anos 80, quando foi o auge da indústria fonográfica no Brasil... mas daquele tempo, mesmo, quem vendia bem era a Xuxa, o Roberto Carlos e os infantis. Os demais vendiam bastante, mas não tanto assim...

Bem vindo de volta, vinil! Que não seja só uma modinha, volte para ficar!

Só um detalhe...

Os vinis a Polysom fabrica. Mas e os toca-discos, as agulhas, as cápsulas? Pelo jeito, apesar do otimismo, o mercado vai continuar restrito apenas às classes dos apreciadores de vinil, que sabem onde encontrar bons aparelhos e peças de reposição.

Também já sabemos que os discos novos são bem caros. Para quem quiser entrar nesse hobby, ter uma vitrola velha guardada é meio caminho andado. E o melhor é garimpar discos em sebos, bem baratos e, às vezes, bem conservados, de obras que não foram relançadas em CD. E tirar o pó da vitrola que estava encostada, revisar as correias e as borrachas e botar o bichinho pra funcionar.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Googladas dos Transcendentes II

Passou-se um ano sem que postássemos as palavras-chave mais absurdas e inusitadas que os internautas usaram no Google e em outros sites de busca que as fizeram chegar até aos nossos blogs.

Como algumas pessoas pediram para fazermos um novo post assim, vamos lá para mais uma rodada de palavras-chave com nossos simpáticos comentários logo abaixo:

''que musica fala sobre a situacao nos anos 90''
Que tal Que País é Esse?, acho que é uma boa. Ou então Florentina, também muito significativa da produção artística desse rico período.

não gosto de axé
O que leva uma pessoa a digitar isso no Google? Será que espera que saia como resultado na tela: "eu também!"?

o que é postagem?
Uma carta, um envelope, um endereço com CEP de remetente e outro para destinatário, um selo e uma língua para fechar o envelope. Junte tudo e terá uma postagem.

onde está gugu
Tá se afundando na Record.

padre menina
Não, padre é menino. O certo seria madre menina.

quando surgiram os sebos
Quando deixaram a costelinha asando tempo demais na churrasqueira.

a humanidade acabou
Se a humanidade acabar, não vai dar tempo de alguém anunciar isto num site.


apo´s a morte do rei qual o destino politico da frase.?

Puxa, o rei morreu e enquanto todo mundo se preocupa com o destino político do reinado, o cara tá preocupado com o destino político da frase!

baseado em que religião foi criado o programa de tv cocoricó?
Católica. A Zazá, a Lilica e a Lola tem cara de quem não perdem uma missa de domingo.

bati o nariz e não sangrou
Tente outra vez.

como lhe dar com amigas inguinorante
hahahahahahahahaha

piercing acidente no saco
Putz, foi em você? Coitado...

e finalmente:

qual ´a coisa mais assustadora da humanidade?
A ingenuidade de acreditar que o Google tem resposta para tudo.

E assim caminha a humanidade!

quarta-feira, 3 de março de 2010

O que é velho é ruim?

Acabei de postar o vídeo de Inezita Barroso participando do quadro Sua Majestade, a Música, do antigo programa Hot Hot Hot, do Silvio Santos. Nele, Inezita conta um pouco da carreira e depois canta Lampião de Gás.

Resolvi postar esse vídeo em singela homenagem ao avô de um amigo, que, segundo seu relato, adorava ouvir músicas caipiras em seu radinho de pilha.

Costumo procurar saber mais a respeito das coisas que posto ou escrevo, por isso fiz uma pesquisa rápida no Orkut para ver o que encontrava sobre a Inezita. E, em meio às comunidades que exaltam sua importância à cultura genuinamente brasileira, achei uma verdadeiramente triste:



Como se percebe, o propósito da comunidade é ofender a veterana cantora, e os argumentos principais utilizados são a sua idade avançada e uma falta de talento que só eles percebem. Enfim, mais uma daquelas comunidades praticantes da intolerância eletrônica. Ironicamente, ainda colocaram um aviso (que destaquei no quadro vermelho) dizendo que possuem "livre arbítrio" e "liberdade de opinar", desde que não "ofendam raça, religião, classe, etc."

A comunidade é minúscula e possui poucos tópicos. Todos eles contrariam a advertência inicial, pois não há uma crítica sequer que vá pelo aspecto musical. Todas elas se pautam pela depreciação disparatada, agressões sem nenhum fundamento e gozação por ser Inezita velha. A única crítica que é, com esforço, aceitável, é a que diz que o programa Viola Minha Viola, que ela comanda na TV Cultura, é um "purgante". Mas a opinião não tem nenhum embasamento.

Agora vamos pensar seriamente. É nítido que os membros da comunidade são jovens, adolescentes ou ainda pré-púberes. Não possuem sequer um quarto da bagagem cultural (e de vida) que a cantora paulistana possui. Sempre se disse que a opinião do jovem vai contra o que ele acha velho, antigo, antiquado. O novo é sempre melhor que o velho, na visão do jovem, daí os conflitos com os pais e avós, comuns nessa idade. No entanto, essas posições violentas e arrogantes que se somam ao mero conceito de bom e ruim são retrato típico da juventude nos tempos de internet.

É direito de não gostarem da música e do programa de Inezita. Compreendo que o consumismo e os outros ismos da vida moderna não permite aos garotões e meninonas se identificarem com carros de boi, fogões de lenha, violeiros e outros bucolismos. Mas daí passar a esculhambação por conta de sua idade, ou acreditam piamente que nunca envelhecerão, ou realmente falta a eles uma bagagem cultural que lhes faça ao menos a arte dos outros. Nem digo "respeitar" ou "gostar", porque aí já vou longe demais.

A música que Inezita cantou no Silvio Santos, Lampião de Gás, aliás, é um belo retrato de uma São Paulo que não existe mais. A letra de Zica Bérgami retrata traços de uma infância com bilboquê, brincar de roda, espiar a chuva escorrendo pela vidraça e a vovó fazendo sequilho e pão no fogão de lenha.

A última estrofe é perfeita para encerrar, também, este texto.

Minha São Paulo, calma e serena,
que era pequena mas grande demais,
agora cresceu, mas tudo morreu,
lampião de gás, que saudades me traz.

Fiquem com Inezita Barroso em sua prosa e cantoria com Silvio Santos. O acompanhamento é da orquestra do Maestro Milani e do Coral do SBT.

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