quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Como se faz uma sitcom: Full House

Sempre tive vontade de escrever sobre bastidores e por-trás-das-câmeras de seriados norteamericanos. Os chamados enlatados costumam chegar prontinhos, geralmente atrasados, prontos para serem exibidos, após a dublagem ou legendagem.

Muitas vezes pouco conhecemos dos atores, produtores e diretores destes programas, e mesmo com a ajuda da internet o mundo dos seriados ainda parece distante e cheio de lacunas. Principalmente quando se trata de programas antigos ou já descontinuados.

Quero falar de Full House, ou Três é Demais, seriado produzido entre 1987 e 1995, que foi exibido no Brasil pela Globo, Warner Channel e SBT, e é meu preferido. Durante muitos anos acompanhei a saga de Danny Tanner, seu cunhado e seu melhor amigo para criar as três filhas de idades diferentes, com a ausência da esposa falecida.

Gosto tanto desta série que reuni um material praticamente inédito no Brasil sobre ela, com o qual pretendo falar sobre os bastidores da produção e outras curiosidades. Vamos a elas.

ORIGENS DE FULL HOUSE

A trama de Full House foi bolada por Jeff Franklin, um ex-professor e experiente escritor de comédias de situação. Ele pensou inicialmente nas confusões que três comediantes vivendo debaixo de um mesmo teto causariam, numa série chamada House of Comics. Tão logo apresentada aos produtores Thomas L. Miller e Robert L. Boyett, a ideia original foi completamente modificada para a de uma família não-convencional, em que três homens criariam crianças sem ajuda de mulheres. A TV americana da época vivia o auge das sitcoms voltadas para a família, como Family Matters, The Hogan Family, Family Ties, Diff'rent Strokes, Who's The Boss? e The Cosby Show, entre inúmeras outras.

O projeto foi em frente com Franklin, Miller e Boyett, e a série atraiu o interesse da rede ABC, que a inseriu em sua programação noturna das sextas-feiras, recheada de comédias e conhecida como TGIF (abreviação em inglês para "Graças a Deus, é Sexta-Feira"). Com o sucesso, a emissora mudou o programa para as quintas, a fim de alavancar a audiência deste dia.

ESCOLHA DO ELENCO



JESSE - John Stamos participara de várias séries, tendo se destacado em General Hospital, aos 19 anos. Depois fez outros trabalhos explorando sua imagem ainda adolescente e foi parar em Full House, onde, por ironia, se viu como o mais experiente ator do elenco, se comparado à Bob Saget e Dave Coulier, que eram comediantes. Quando viu que o papel envolvia motos, música e crianças, sentiu que o personagem tinha que ser dele. Acreditou na graça da trama, simpatizou com o personagem (roqueiro e motociclista, como ele) e gostou de poder trabalhar com crianças. Jesse era o irmão mais novo da esposa de Danny, portanto, tio das meninas.



DANNY - Danny é o pai de DJ, Stephanie e Michelle. Sua esposa morreu num acidente e, por isso, chamou o cunhado Jesse e o amigo Joey para ajudá-lo com as crianças. Para este papel, o primeiro nome que veio à cabeça dos produtores foi o do comediante e ator Bob Saget. Bob, comediante stand-up, atuava em boates e programas de TV e já trabalhara pela Miller-Boyett Productions para esquentar o auditório antes das gravações dos seriados da empresa. No entanto, Bob estava contratado pela CBS. Após pensarem em Paul Reiser (o Paul de Mad About You), gravaram o piloto com John Posey no papel.



John Posey inclusive havia posado para fotos (acima), mas Bob Saget foi demitido pela CBS e, livre, veio para assumir o papel de Danny. Feliz com o papel e também com o fato de que o programa da outra emissora, sem ele, caiu de audiência... Paralelamente a Full House, Bob apresentava o America's Funniest Home Videos, um programa de videocassetadas, da ABC.



JOEY - Dave Coulier assumiu com facilidade o papel de melhor amigo de Danny Tanner. Na vida real, Dave era comediante stand-up, imitador e dublador de desenhos (como Scooby Doo e Muppet Babies). Como já conhecia Bob Saget - ambos se ajudaram muito nos tempos em que tentavam a fama - sua química com ele o fez ser escolhido para o papel de Joey, personagem com quem se identifica muito.



DJ - O papel de DJ Tanner, filha mais velha de Danny, ficou para Candace Cameron, de onze anos, irmã do também ator mirim Kirk Cameron. Candace já havia atuado em mais de 25 comerciais e feito participações em séries (no Brasil pôde ser vista num episódio de Punky)antes de Full House e nunca teve aulas de interpretação. Em 1988 atuou no telefilme Eu Vi o Que Você Fez e Sei Quem Você É, um terror que foi muito reprisado pelo SBT.



STEPHANIE - Jodie Sweetin foi a primeira integrante do elenco a ser selecionada pelos produtores, que a viram participando da série Valerie e no comercial das salsichas Oscar Mayer. O papel de filha do meio foi escrito especialmente para ela e, há quem diga, seria o principal entre as crianças, se não fosse o fenômeno Olsen, no decorrer da série.



MICHELLE - Na seleção de elenco da série, as gêmeas Mary-Kate e Ashley Olsen, de apenas oito meses de idade, foram escolhidas para o papel de filha mais nova de Danny Tanner por seus grandes olhos azuis e por estarem sempre sorrindo e quase não chorarem - afinal, sua missão no início era a de apenas parecerem fofinhas. Uma substituía a outra para não se cansarem. Com o sucesso da série, se tornaram as crianças mais ricas do mundo.



BECKY - Lori Loughlin entrou no elenco na segunda temporada, sendo intuito dos produtores que tivesse um envolvimento romântico com Danny. Porém, a química com John Stamos deu mais certo, e, após pedidos dos telespectadores por cartas, a relação entre Becky e Jesse se desenrolou, levando ao casamento.



KIMMY - Andrea Barber, assim como as demais crianças do elenco, participara de comerciais e séries antes de Full House. Andrea fez a triste novela Days of our Lives, dentre outras. Sua personagem era a vizinha estranha e melhor amiga de DJ. Apesar de ser citada desde o primeiro episódio, a personagem aparecia ocasionalmente, até ingressar para o elenco fixo.

O DURO COMEÇO

Full House estreou em 22 de setembro de 1987 e a crítica caiu matando. Os analistas de TV disseram que a série era bobinha, piegas, sentimentalóide, previsível, pouco realista, dentre outros adjetivos. A recepção do público, por outro lado, foi bem melhor, embora a audiência não tenha sido das mais altas.

Bob Saget comentou que ignorou as críticas pesadas pois sabia desde o início que a série tinha tudo para fazer sucesso e que o público iria gostar.

E se formos pensar, os ingredientes de Full House também estavam presentes em outras séries familiares típicas dos anos 80, até nas mais consagradas. Então, as críticas eram exageradas... mesmo assim, Full House ficou ameaçado de cancelamento no final da primeira temporada.

Nem só críticas negativas Full House recebeu. As atuações das atrizes mirins Jodie Sweetin e Candace Cameron foram elogiadas e outro ponto destacado foi o fato de a série tratar de uma família sem a figura da mãe, morta num acidente.

O fato de Danny ser viúvo e as garotas, órfãs de mãe, era visto pela crítica como um bom exemplo às famílias na mesma situação, especialmente para as crianças que perderam os pais muito cedo, entenderem e superarem a dor da perda.

COMO ERA FEITO UM EPISÓDIO?

Um grande grupo de roteiristas se reunia regularmente com os produtores para criar as situações dos episódios. Com uma ideia definida em conjunto, surge um pré-roteiro com as cenas pensadas postas no papel. Daí, um roteirista era encarregado de transformar aquela folha em dez, desenvolvendo as falas e os diálogos.



O esboço era lido por toda a equipe, para ter certeza de que todos os personagens estavam agindo como se espera deles. Para não haver erros de continuidade, todas as referências possíveis sobre fatos anteriormente citados nos episódios eram anotadas e consultadas.

Os roteiristas já estavam envolvidos com o seriado e deveriam conhecer a psicologia dos personagens, seus trejeitos e bordões, e os estilos dos próprios atores. As gêmeas Olsen, por exemplo, tinham personalidades diferentes, mas interpretavam um mesmo papel, o da garotinha Michelle. Então, nos roteiros havia a inscrição MK ou A, nas cenas em que Michelle participava, a fim de indicar se naquela cena atuaria Mary Kate (mais calma e paciente) ou Ashley (mais extrovertida e agitada)


As letras A e MK indicam qual das gêmeas Olsen irá atuar na cena.


Esse esboço se transforma na primeira versão do roteiro, e o elenco é chamado para o chamado table reading ou read-through. Enquanto os atores liam em voz alta, os produtores e roteiristas faziam modificações, melhorando as piadas que não ficaram boas e arrumando os furos do enredo.

Os roteiristas precisavam definir com precisão a duração das cenas, uma vez que o programa tem meia hora de duração, devendo ser descontados o tempo gasto pelos créditos de abertura e encerramento e intervalos comerciais. O que sobra é o chamado "tempo de arte".



Enquanto a equipe de redatores modificava no texto, a equipe de produção começava a preparar os elementos diferentes que o programa exigia, como sets (cenários ou locações) e figurinos que precisavam ser confeccionados ou comprados, seleção do elenco de apoio e atores convidados, treinamento dos animais adestrados - e tudo isso a tempo, é claro!



Já com a versão final do roteiro em mãos, os atores recebiam suas cópias (geralmente às segundas-feiras) e ensaiavam por três ou quatro dias. Em meio à loucura dos ensaios, os escritores faziam mudanças de última hora. Com o texto devidamente decorado após noites de estudo em suas casas, os atores faziam o último ensaio em frente às câmeras, no set, para que o diretor e os cameramen experimentassem os ângulos e as tomadas e fizessem as marcações para a gravação.

"Em Full House temos cães, gêmeas de quatro anos de idade, uma menina de oito anos, outra de treze e dois comediantes stand-up que têm outros programas. Dirigi-los é mais próximo da vida real do que de uma série de televisão. É uma façanha organizacional." (Joel Zwick, diretor)


Durante todo o período de produção, os atores conviviam como se fossem uma verdadeira família. Também circulavam pelos estúdios os pais dos atores-mirins e seus professores particulares, já que a rotina de gravações não permitia que estes pudessem assistir as aulas normalmente. Somente Andrea Barber optou por ir à escola pela manhã e comparecer aos estúdios à tarde.




Full House, como as outras sitcoms, era gravado diante de uma plateia, que não aparecia, diferentemente do que acontece nos humorísticos brasileiros, como Sai de Baixo e Família Trapo. Os risos e reações do público eram gravados para serem utilizados na edição.



O estúdio no qual o set de Full House era montado era o Stage 24 da Warner Brothers (antigas instalações da Lorimar Television), onde anos mais tarde seria gravada a série Friends.


Com um tíquete como este o visitante poderia assistir às gravações na plateia.

A gravação costumava ocorrer às sextas-feiras, o dia mais corrido e tenso da semana. Finalmente, após este longo dia, os atores poderiam descansar e relaxar.

A EDIÇÃO

A equipe de edição tinha três dias para montar o episódio. O diretor e os produtores assistiam para solicitar modificações, caso achassem necessárias. Os produtores faziam os cortes finais, para encaixar a duração do programa ao tempo de arte determinado pela emissora de televisão.

Cada meia-hora semanal na televisão tinha, por trás, seis semanas de trabalho de uma grande equipe para ser feita e levada aos milhões de espectadores em todo o mundo.

Esta rotina foi seguida durante 8 anos, entre 1987 e 1995, período no qual Full House esteve no ar, em 192 episódios diferentes. Não foi fácil para seu jovem elenco infantil, nem para os atores adultos ou para a produção. Até a série engrenar, foram incertezas e duras críticas que quase levaram ao cancelamento. Depois, o sucesso, e a condição de clássico e cult que detém hoje.

fontes de consulta:
MATTHEWS, Stephanie. Unauthorized Edition of Full House. Modern Publishing, 1992.
STOREY, T.R. Full House Behind the Scenes. Troll Associates, 1993.
SWEETIN, Jodie. UnSweetined - a memoir. Simon Spotlight Entertainment, 2009.
Roteiro do episódio I've Got a Secret (S8E04), escrito por Ellen Guylas e dirigido por Joel Zwick, 1994.
Comentários de Jeff Franklin no episódio The Miracle of Thanksgiving (S1E09), escrito por Jeff Frankin e dirigido por Peter Baldwin, disponíveis no Box DVD Full House - The Complete Series, lançado em 2007.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Largo: largado e cercado

Já falei anteriormente aqui sobre a questão dos moradores de rua que se refugiam no Largo São Francisco, nas marquises dos prédios ou embaixo da Faculdade de Direito da USP.

A Faculdade de Direito mantém sua posição indiferente às condições dos desabrigados. O que é até bom já que, se não os expulsa, como fazem os outros habitantes do Centro, pelo menos não os incomoda. Aliás, como andam tão mal cuidados os banheiros e algumas instalações da escola, a administração não teria outra posição para o que acontece do lado de fora. Se gente dorme no chão da calçada e faz suas necessidades nas paredes e no Parlatório da Tribuna Livre do Largo, o caminhão da prefeitura lava tudo com água de reúso, e pronto.

Do outro lado, na Praça Paulo Duarte, o prefeito Gilberto Kassab havia mandado tirar a banca de jornal que obstruía a visão do espaço. Assim, os pedestres têm maior sensação de segurança e os guardas podem observar melhor o ambiente. Só que o prefeito esqueceu de avisar o Metrô da sua ideia. O Metrô cuida da área, porque ali há respiros da linha que passa no subterrâneo, ladeados por áreas ajardinadas, com árvores e arbustos.


Na foto, a praça como estava até poucos meses atrás.


Pois bem: a Companhia do Metropolitano ergueu horrendas grades azuis em torno dos respiros e canteiros da praça. São três ou quatro cercadinhos de um ou dois metros quadrados cada, separados por poucos centímetros. As árvores ficaram ali enjauladas e, provavelmente, disputarão seu espaço com lixo e mato.

É incompreensível a medida tomada pelo Metrô, uma vez que ele próprio, atendendo ás reivindicações locais, havia plantado as árvores e feito o paisagismo, há poucos anos. Provavelmente, a justificativa é, mais uma vez, a existência dos moradores de rua nas cercanias.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Vai sobrar algum Flecha Azul para contar história?

Notícia que circulou no Ver, Viver e Rever (exposição anual de ônibus antigos organizada pelo Primeiro Clube do Ônibus Antigo Brasileiro, no Memorial da América Latina, em São Paulo), realizado nos dias 21 e 22 de novembro é surpreendente: após vender, a preços baixos, quase todos os veículos Flecha Azul, lendário modelo de ônibus fabricado em alumínio durante quase trinta anos, a Viação Cometa decidiu restaurar um deles para guardar em seu acervo.

O ônibus escolhido foi o de prefixo 7455, fabricado em 1998 pela CMA, uma empresa subsidiária da Cometa, sobre a plataforma Scania K-113, aliás, o último chassi dessa série que a empresa utilizava desde 1991.

Até então, imaginava-se que nenhum exemplar do histórico modelo utilizado pela Cometa até a sua reestruturação, quando adquirida da família Mascioli pelo grupo JCA, seria preservado pela companhia.

O engraçado da história é que a Cometa havia reformado seus ônibus Flecha Azul remanescentes, e pouco a pouco começou a retirá-los de circulação, dando lugar aos Marcopolo, de motorização Mercedes-Benz e configuração mais moderna (saiba mais aqui). O carro número 7455 foi um desses reformados: seus bancos originais de couro vermelho foram substituídos, a placa acrílica com o desenho reflexivo de um cometa fora removida da traseira, a grade dianteira fora alterada e a pintura antiga, em creme, azul e prata, com letras escritas à mão, à moda antiga da transportadora, também não existiam mais. E foi instalado um toalete no padrão da Marcopolo. Além disso as rodas e pneus Pirelli não são as originais.

Ele está assim...



E precisa ficar assim...



Pelo que se contava entre os presentes no encontro de ônibus antigos Ver, Viver e Rever 2010, a Cometa passou a entender importante guardar um veículo antigo original em seu acervo, para defender a tradição da empresa, que é um de seus principais pontos junto aos consumidores.

Se essa acertada decisão de preservar um veículo da frota antiga original para a coleção ou acervo da empresa tivesse sido tomada há pelo menos dois ou três anos, haveria ônibus intactos para isso, e não seria necessário reformar um ônibus novamente. Aliás, uma boa pergunta é saber se a empresa ainda possui as peças e objetos necessários para fazer o "downgrade" em seu carro.

O que resta é aguardar.

ATUALIZAÇÃO
Desde setembro de 2012 todos os CMA Flecha Azul que ainda restavam na empresa foram retirados das linhas regulares. O carro número 7455 ainda está longe de ter sua restauração (que começou em 2010) concluída.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Adidas e suas duas marcas

Em 1972, a Adidas, marca alemã de artigos esportivos, lançou como logotipo uma folhinha com três cortes horizontais, representando as famosas três litras, que já eram símbolo da empresa desde 1949 (costuradas nas laterais das chuteiras para identificá-las). Esse logotipo ficou conhecido como Trefoil.

Era uma marca forte, porque identificava com facilidade a empresa, sozinha, sem a necessidade de nenhuma inscrição por extenso de seu nome. E evitava a pirataria de materiais com três listras, mas que não eram da Adidas.

O Trefoil reinou absoluto estampando tênis, agasalhos e uniformes de futebol até 1994. Às vésperas da Copa do Mundo dos Estados Unidos, a folhinha desapareceu, sendo a marca representada unicamente pela palavra Adidas por extenso. O Trefoil ficou escondido, aparecendo somente nas etiquetas dos produtos.

Pouco depois, em 1996, a Adidas lançou seu novo logotipo: três listras em ascendente na diagonal, compondo um conjunto triangular. Não era propriamente novo, mas uma representação das suas famosas três listras da forma que apareciam nos calçados.



Mas o tempo foi passando e a marca antiga não desapareceu completamente. O Trefoil continuou vivo, e foi reabilitado nas linhas Sport Heritage Division e Adidas Originals, uma espécie de coleção retrô e fashion, com produtos mais "descolados", que vão desde artigos que imitam os antigos até os ultra-modernosos para não fazer feio numa rave ou numa festa clubber.

O Trefoil, no Brasil, é o símbolo de uma era em que no futebol quase todos os times, dos grandes aos pequenos, tinham seus uniformes fabricados pela Adidas (e patrocinados pela Coca-Cola). As camisas de futebol dessa época são objeto de culto entre torcedores e colecionadores. Chegam a valer centenas de reais.

Daí, talvez, a simpatia tão grande por aquela simples folhinha.

A Adidas não conseguiu se livrar dela, e foi obrigada a reabilitá-la.

E eis que na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo surge a Adidas como patrocinadora. E no cartaz oficial do evento, surge o velho Trefoil azul representando a empresa alemã.



Definitivamente, a velha marca está mais viva do que nunca, e representa com muito mais força a Adidas do que o logotipo que a substituiu.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Trem da Alegria, uma história de sucesso



O Trem da Alegria comemora neste ano 25 anos de seu surgimento, com Patricia, Luciano e Juninho Bill, em sua formação original, cantando Uni Duni Tê. De lá pra cá, a música nunca deixou de fazer parte da vida e da profissão daquelas crianças que encantaram o Brasil e uma geração de pais e filhos com seu talento e sua arte.

Para homenagear este grupo infantil que até hoje conquista admiradores que nem eram nascidos naqueles já distantes anos 80 e emociona marmanjões e marmanjonas, nasceu o nosso blog Letras do Trem. Para provar que a infância daqueles baixinhos da Xuxa, teureuteutéus do Bozo e bambinos da Mariane tem valor. Para provar que aquela década não é perdida coisa nenhuma. Foi verdadeiramente feliz.

Neste dia 12 de outubro, dia da criança, o blog Letras do Trem apresenta este vídeo que serve de registro para eternizar para as próximas gerações de meninos e meninas o que foi o Trem da Alegria, e para que os fãs de ontem e de hoje possam sempre recordar.

Imagens raras ou inéditas no YouTube, obtidas de colecionadores, às vezes com dificuldades, e que compõem o arquivo pessoal do blogueiro, estão aqui, apresentadas com exclusividade num mini-documentário de 15 minutos que contará toda a história do Trem da Alegria, da primeira apresentação em rede nacional de TV (ainda em 1984, apenas com Patricia e Luciano) à última (em 1992, com Juninho Bill, Amanda e Rubinho).

Músicas apresentadas:
É de Chocolate
Carrossel de Esperança
Uni Duni Tê
Dona Felicidade
He-Man
Na Casca do Ovo
Piuí Abacaxi
Thundercats
A Orquestra dos Bichos
Iô-iô
Pra Ver se Cola
Pique-Pega, Pique-Esconde
Xa, Xe, Xi, Xo, Xuxa
De Repente Califórnia
Jaspion-Changeman
Pula Corda
Macarrone
Lambada da Alegria
Lambada Danada
O Lobisomem
Tartaruga Ninja
Alguém no Céu

Cenas de videoclipes ou extraídas de programas de TV como Globo de Ouro, Xou da Xuxa, Hebe, Silvio Santos, Flávio Cavalcanti, Miss Brasil, Clube do Bolinha, Cassino do Chacrinha e Milk Shake.



Agradecimentos:
Aline Rondas
Ana Paula Oliveira
André Arteiro
André Miguel
Celso Drummond
Fã Clube Patricia Marx - Simplesmente Paty
Renan Bressan
Renato Cardoso

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O fim de uma longa viagem



A ONDA (Organizacion Nacional de Autobuses) é uma empresa uruguaia extinta muito semelhante à antiga Viação Cometa. Alguns carros pareciam os clássicos Dinossauros da empresa brasileira, que também utilizou veículos GM Coach de alumínio nos anos 60-70, como a companhia platina.

No dia 18 de julho de 1955, um ônibus Centella de Prata, prefixo 216, da ONDA caiu no Rio Santa Lucia 5, matando 26 pessoas. Foi a maior tragédia automobilística da história do Uruguai até hoje.

O ônibus foi parar num ferro velho, de onde saiu comprado por Rudy Volarich, um homem que queria apenas um veículo barato para montar um motor home. Porém, ao pegar a documentação, tomou um susto ao descobrir que era o famoso 216, e resolveu restaurá-lo.

E hoje, numa cerimônia de muita emoção para os sobreviventes, ex-funcionários e parentes, o carro chegou a seu destino, Montevidéu, diante do antigo terminal da ONDA, que não existe mais.

A notícia foi dada no Jornal do Carro de hoje.

para quem se interessar e quiser se aprofundar, a história da tragédia em espanhol está aqui e a história do ônibus 216 aqui.

domingo, 12 de setembro de 2010

"Que da hora!"

Passei hoje à tarde pela feirinha da Liberdade. Estava acontecendo um festival de cultura japonesa, por isso estava cheia de gente. Mas eu só queria mesmo é pedir licença à multidão e entrar na fila do ponto de ônibus.

Na esquina da Igreja Santa Cruz das Almas dos Enforcados havia, como de costume, um homem com deficiência nas pernas, sentado sobre um papelão, com as roupas sujas, alguns dentes na boca, pedindo esmolas aos passantes. Perto dele, na rua, um jovem casal com aquela cara de "vamos comer tempurá ou ir ao McDonald's?" segurando pela mão o filho, de uns 4 anos. Notei que o menino sorria e acenava para homem sentado no chão, que, surpreso, também devolvia os tchauzinhos.



Logo em seguida, os pais decidiram o que fazer e quiseram começar a andar. Ao perceber o movimento, o menino mandou, de longe, um beijo para aquele homem sujo, com as pernas tão frágeis. Ao receber o beijo, o sujeito exclamou, na maior felicidade:

"Puxa, meu! Que da hora!"

E mandou outro, de volta.

Ao perceberem a cena, os pais do gerotinho também sorriram. Não sei se voltaram para dar algumas moedas para o homem. Mas acho que, para ele, tanto faria.

Afinal, quantas vezes hoje aquele senhor recebeu algum carinho? E nesta semana? E neste ano? E, talvez, na vida inteira?

O dia dele já estava ganho.

Mais do que dinheiro, as pessoas precisam é de atenção. Em momentos sutis da vida, como num caso que já contei aqui e que aconteceu comigo, é que a gente se dá conta disso.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Brincando de votar

Em toda eleição entro no site do TSE pra brincar de votar no simulador de urna eletrônica. Os candidatos sempre foram famosos falecidos, como Elis Regina, Chacrinha e Machado de Assis, em partidos da Música, da TV e da Literatura, entre outros.

Mas este ano o Tribunal se superou. Trocou os candidatos por brinquedos, figuras geométricas, esportes, frutas e animais.

Sério, votar no Triângulo Obtusângulo para Deputado Estadual, no Caju para Senador (e o cacho de Banana é o Segundo Suplente...), na Bolha de Sabão para Governador e no Abacate para Presidente é muito engraçado.













Eu viciei nesse troço, espero que alguém saiba como faz para baixar o aplicativo java. Esse é histórico.

Votei nestes candidatos:

Estadual: Triângulo Obtusângulo (Meu nome é Triângulo Obtusângulo!)
Federal: Mamão (Quem bate cartão vota em Mamão)
Senador 1: Caju (Ei, ei, ei, Caju, o democrata frutão...)
Senador 2: Carrinho (Governar é construir estradas. Vote Carrinho)
Governador: Bolha de Sabão (São Paulo não pode parar. Bolha não pode estourar)
Presidente: Abacate (Guacamole Lá!)

Vou votar novamente, agora no Aviãozinho para presidente, pelo Partido dos Brinquedos.

Pra testar a urna eletrônica é só clicar aqui.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Humor Arroto



Saiu ontem à noite a notícia de que uma tal Mulher Arroto, que faz um quadro no programa Pânico na TV, da RedeTV, no qual arrota na cara das pessoas durante entrevista, tentou fazer a brincadeira com a atriz Laura Cardoso, de 82 anos, num evento no Rio de Janeiro. Foi posta para fora do local, enquanto a atriz octogenária, assustada, murmurava perguntando o que havia feito para merecer tamanha grosseria.

Ridículo.

Sacanear os outros pode ser um tipo de humor, mas tudo deve ter limite.

Daqui a pouco, isso não terá mais graça e os "humoristas" vão peidar na cara dos idosos e todo mundo vai achar genial.

Falta de educação não é nem nunca será engraçado. Violação à dignidade, privacidade, intimidade, integridade física também.

Lamento pelo humor praticado hoje na televisão. Um lixo. Lixo é pouco, pois ofende até mesmo os garis.

Se reclamam pelo estilo antigo, dito ultrapassado, de programas como A Praça é Nossa e Zorra Total, as novidades da comédia televisiva não passam de um festival de escatologias e desrespeito com o ser humano, recheadas de puro preconceito típico de quem se acha superior, mais forte. Mais rico.

Assim como socialites cariocas atiram ovos nos pedestres, de suas coberturas em Copacabana e mauricinhos brasilienses se divertem ateando fogo em índios, é o humor de quem agride na televisão e, pior, de quem ri em casa, assistindo ao espetáculo.

Canso-me também de ver engraçadinhos stand-up que só sabem fazer humor à base de palavrões. Não têm graça, pois faltam-lhes texto. Prefiro ouvir os discos do Chico Anysio, Golias e José Vasconcellos que tenho em casa, aquilo sim é show de comédia. Palavrão deixo para quem sabe usar, como Dercy, Costinha e Ary Toledo.

Assim como há câmeras escondidas do Silvio Santos que passam dos limites, quadros da Praça é Nossa que são ofensivos e coisas grotescas como Táxi do Gugu e Teste de Fidelidade.

Há quem se sujeite a isso, afinal é um País livre. E goste, imite, também humilhe as pessoas a troco de umas risadas.

Humor é feito de contraposição, irreverência, mas também de inteligência. Humor é o que é engraçado, não o que é nojento ou constrangedor, ou o que agrida as pessoas.

Reconheço o esforço contra a política babaca e imbecil do politicamente correto. Porém, o caminho seguido pelo humor "moderno" não me agrada nem um pouco. É rir do outro, não rir com o outro. O humor tornou-se um sentimento de satisfação pessoal, não coletivo.

Fazer rir é tão simples, basta ser engraçado. Não precisa agredir ninguém.

Mas é preciso talento.

domingo, 13 de junho de 2010

Haja coração: a brincadeira que está indo longe demais

Desde a cerimônia de abertura da Copa do Mundo, os brasileiros puseram entre os assuntos mais comentados no Twitter o nome do narrador Galvão Bueno. Ou melhor, a expressão "cala boca Galvão". Empolgados com o espanto dos estrangeiros, que não entendiam do que se tratava a ordem para o locutor global falar menos nas transmissões esportivas, os twitteiros brasileiros começaram a espalhar boatos de que "cala boca Galvão" seria o nome de uma nova música de Lady Gaga.

Outra versão maluca e mais bem elaborada dizia que Galvão era o nome de uma espécie rara de pássaro, cujas penas eram retiradas para fazer fantasias de carnaval e, por isso, está em extinção. "Cala boca", nessa história, significaria em português um pedido de socorro e ajuda à espécie semelhante a um papagaio.

"GALVAO is a very rare bird in Brazil. CALA BOCA means SAVE, the brazilians are very sad because lots of GALVAOS die everyday."


As histórias malucas se espalharam rapidamente e até Paulo Coelho entrou na brincadeira, dizendo que o nome científico da ave Galvão é silentium Galvanus.

Então, num segundo momento, misturaram as duas anedotas: Lady Gaga teria gravado um single em defesa do papagaio galvaniano, cuja letra foi até postada no Vagalume. Os fãs de Gaga empolgaram-se e tentaram obter informações com os brasileiros, que as deram. Falsas, claro.

No Twitter, os usuários brasileiros riem daquela que é a "maior piada interna do mundo": todo um País rindo dos gringos que pensam que existe uma nova música de Lady Gaga chamada "Cala Boca Galvão", em prol de um pássaro tropical.

Tudo isso para manter o assunto na ordem do dia, e a ordem "cala boca Galvão" no topo dos assuntos mais comentados do mundo.

Em seguida, foi "criado" o Instituto Galvão e a campanha em defesa do pássaro atingiu proporções gigantescas.

Pelo menos, é o que os internautas brasileiros pensam.



Até um vídeo institucional, muito bem feito, foi preparado:



A bem da verdade, existe mais gente dando risada porque acha que enganou gringo do que efetivamente gringos que foram enganados.

Ao meu ver, a piada é rir dos brasileiros que riem pensando que estão enganando os gringos.

Para os estudiosos de antropologia, esse caso é um prato cheio para verificar até que ponto pode chegar uma piada, e também a aplicabilidade de dois aforismas:

1) a mentira tem perna curta
2) uma mentira contada mil vezes se torna verdade

O tempo dirá quais serão as consequências dessa grande mobilização.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A volta da verdadeira Gabi

Estou realmente feliz com a volta de Marilia Gabriela como jornalista, entrevistadora e apresentadora na TV aberta, com o seu De Frente com Gabi no SBT a partir de domingo, logo após o Silvio Santos.


Parece que Gabi percebeu que o seu talento é entrevistando com uma inteligencia absurda e uma perspicácia para descobrir o que o entrevistado pensa sobre a vida ao seu redor.


Vai ser bom rever aquele "bate bola, jogo rápido", onde ela disparava sua metralhadora giratória com o convidado responder em pouquissimas palavras no final, acho isso uma forma bem especial de desvendar uma particularidade do entrevistado.


A primeira entrevista será com a Hebe Camargo, nada mais apropriado, vamos ver o que a loiruda vai revelar seus anseios sobre a sua doença e a volta as telinhas.


Gabi, te desejo boa sorte, que seu programa tenha sempre uma boa audiência, e que não precisa ser uma multiartista pra ser genial.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A polêmica da Biblioteca da Faculdade de Direito da USP

O Reitor da Universidade de São Paulo e ex-diretor da Faculdade de Direito da USP, João Grandino Rodas, emitiu nota à imprensa dando sua versão dos fatos lastimosos que ocorrem envolvendo a reforma e nomeação de duas salas de aula do prédio histórico do Largo de São Francisco e a mudança polêmica das bibliotecas departamentais, feita às pressas para outro edifício nos arredores.

A carta não satisfaz. E nem traz resposta para tudo.

Segue, abaixo, a íntegra da carta, com comentários, em itálico, do professor de Direito Romano e História do Direito Hélcio Maciel França Madeira, rebatendo os argumentos do Magnífico Reitor.


À Comunidade Uspiana:

Nos últimos dias, a mídia tem tratado de questões relativas à Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Tendo ocupado, de agosto de 2006 a janeiro de 2010, o cargo de Diretor da mesma, e sendo Reitor da USP desde então, é meu dever informar a comunidade uspiana, sendo um direito de toda ela conhecer o quadro completo, para que cada qual possa fazer seu próprio juízo sobre a problemática. Tal é necessário, por ser toda a referência ao Reitor de interesse da Universidade e por ser a cobertura da imprensa episódica.



Concordamos com as premissas. O Reitor deve se manifestar e informar, ainda que muito tardiamente venha fazê-lo.




Em primeiro lugar, é preciso deixar assente que a Biblioteca Central da FD, composta dos livros mais antigos, e que significa quase a totalidade do acervo, nunca foi mudada, continuando aberta, desde a década de 30 do passado século, nos três andares a ela destinados, quando da construção do prédio principal da Faculdade. A parte do acervo transferida para o novo prédio é composta de livros das chamadas Bibliotecas dos Departamentos, que se formaram paulatinamente, a partir de 1972, e que ocupavam seis salas de aula na parte frontal do 2º andar do referido prédio.



Primeira mentira: as bibliotecas dos Departamentos não se formaram "paulatinamente" , do nada. Já decorreram do desmembramento dos livros existentes da Biblioteca Central, que não tinha mais espaço.

Segunda mentira ou uma "meia verdade": as bibliotecas dos Departamentos também são compostas por livros muito antigos e raros. Podem não ser os mais antigos, mas são tão raros quanto os da Central. Decorreram de uma seleção e não de um acúmulo histórico. Estão mais organizados, mais acessíveis e são prioritariamente os jurídicos mais pesquisados, enquanto a Biblioteca Central permaneceu com vocação multidisciplinar. Os livros das bibliotecas departamentais são os mais usados pelos pesquisadores de Direito.

Terceira mentira: As bibliotecas departamentais não ocupavam a parte frontal do 2º andar em 1972. Ao contrário, espalhavam-se no segundo e no terceiro andares, descentralizadas. A origem das bibliotecas departamentais está na Reforma Universitária, no final dos anos 60 (1968). Antes havia a Central, reorganizada por Sérgio Milliet nos anos 30, logo depois da criação da USP. Já faltava espaço. Com a criação dos 10 Departamentos, foram criadas as Bibliotecas Departamentais, resolvendo parcialmente o problema do espaço, com a seleção de livros por área do conhecimento. Em 1986 a biblioteca foi novamente reestruturada, passando para o SBD. Um espaço bem mais condigno foi preparado, com salas amplas, com ar-condicionado, sem barulho de automóveis (finalmente não ficavam mais as janelas abertas...) e espaço maior aos leitores. Esta reforma não foi providenciada pelo ex-Diretor Rodas. É anterior e significou um grande avanço. Foi a conquista de um espaço único para os pesquisadores e estudantes, com condições de estudo individual e em grupo, além do acesso unificado.

As Departamentais só foram reunidas no segundo andar, quando houve inauguração do prédio novo e mudança dos departamentos, em 1993-1994.



Tanto a questão da transferência da Biblioteca dos Departamentos quanto a da construção de salas de aulas modernas, e respectivos nomes, estão interligadas.



Quarta mentira. Esta ligação interessa ao Diretor para facilitar sua defesa. Há inúmeras salas que podem se modernizar - não era preciso construir duas novas. Ademais, salas novas poderiam ser feitas nos prédios anexos. Mas a Faculdade está sendo cada vez mais ocupada por outras coisas. No final da gestão, Rodas inaugura uma agência de banco privado em local privilegiado e estratégico dentro da Faculdade (este banco ajudou a pagar as mudanças de Rodas, tinha como protagonista de seus anúncios a ex-reitora da USP, e não interessa diretamente à comunidade uspiana, pois os docentes e as contas públicas estão relacionados com banco estatal que não possui agência na Faculdade). Cui prodest? A quem interessa? Outro grande e estratégico espaço é concedido a uma livraria privada, ao mesmo tempo em que uma livraria da EDUSP, mal-localizada, periférica e com acesso dificultado, é obrigada a sair. E as duas tais "salas modernas" não foram construídas como salas de aula, mas como "salas especiais" para eventos especiais. Não para o dia-a-dia da graduação. Não dependiam do espaço da biblioteca. O nome, tampouco. Outro grande espaço é destinado ao Juizado Especial da Justiça Federal, trazido inopinadamente. Outro grande espaço é ocupado pela Associação dos Antigos Alunos.



Chegando à diretoria da FD, em agosto de 2006, deparei-me com uma instituição que, embora tradicional, não possuía condições mínimas para poder continuar na vanguarda das 1.200 faculdades de direito do país: o espaço não era suficiente para abrigar seus 4.000 alunos (nem mesmo sanitários suficientes havia); o número de alunos por sala de aula era de cerca de 115; praticamente inexistia equipamento audiovisual (apenas três projetores de vídeo), o projeto pedagógico e a grade curricular eram antiquados etc.



Quinta mentira. Afirmar que não "havia condições mínimas" é ofender a história. O que faz a grandiosidade de uma instituição não são as instalações, mas as pessoas que a vivificam. E com estas "condições mínimas" muito se fez e muito se faz.

Os sanitários foram meramente reformados, sem necessidade de novas instalações. Fato rotineiro que o Diretor pretendeu transformar em "façanha" de sua gestão. Nunca houve um aluno fora da faculdade ou apertado. Como não havia espaço suficiente para abrigar seus “4 mil alunos”? Na verdade são só dois mil e seiscentos alunos de graduação (o ex-diretor inflou os números; talvez para abarcar os de pós-graduação e de outros eventos, que se utilizam do Prédio Anexo). E equipamento audiovisual é mera aquisição exigida pelos tempos. A USP pôde e pode comprá-los sem vender "investiduras" medievais. Sem precisar vender uma placa de marketing pessoal a um "doador", em troca da indulgência popular que transforme um "doador, por ser doador" em "numen jurídico, em sumidade acadêmica". As homenagens devem ser proporcionais. Doações são bem-vindas e dignas, desde que não simulem trocas privadas em público ambiente.



O primeiro passo foi propor mudança do projeto pedagógico e da grande curricular, o que aconteceu no final de 2006. Em resumo, cada aluno tem a possibilidade de poder escolher, uma a uma, 40% das matérias que cursará, passando as classes a abrigar não mais de cerca de 50 alunos.



Sexta mentira. Até agora não há um projeto pedagógico. Nunca houve um projeto pedagógico. Apresente-se a ata da Comissão de Graduação em que tenha havido discussão de propostas que superem três folhas de algum esboço. Quando se discutiu a grade? Quem discutiu? O que houve foi um corte sangrento nas disciplinas, com redução de carga horária de quase 1/3. Transformação de disciplinas obrigatórias em optativas. Não houve anteprojeto, tampouco debate dos temas pedagógicos ou das relações entre as disciplinas. Ninguém discutiu os eixos de formação acadêmica. Ninguém discutiu as finalidades profissionais. Ninguém discutiu o perfil profissional e acadêmico do curso. Tudo às pressas, a pretexto de "modernização": diminuir a carga horária, aumentar o número de docentes.

O que houve foi uma mudança de grade às pressas, sem ouvir os alunos e os docentes - que foram meramente instados, em sistema de urgência, a reduzir a suas cargas horárias, com prazo, "por ofício" do diretor. A “modernização” da grade não contou com nenhum ideal pedagógico moderno, com nenhum estudo prévio. Alguns alunos até propuseram o início de uma discussão. Não foram ouvidos.



Duas providências fizeram-se necessárias: 1) aumento do número de docentes, o que foi conseguido com um acréscimo de 60 professores, que passaram de cerca de 100 para 160; e 2) aumento do espaço físico, pois novas salas eram necessárias para acomodar classes com um menor número de alunos.Pela localização da FD, mais espaço somente poderia ser conseguido pela desapropriação de prédios contíguos. Assim, no final de 2006, a meu pedido, o Governo do Estado desapropriou um prédio de 12 andares na Rua Riachuelo nº 201, prédio esse que foi dedicado para sediar toda a parte administrativa da Faculdade.



Não houve aumento no número de alunos. As disciplinas optativas passaram a ser oferecidas a turmas únicas, ajuntando salas. Reduziu-se o número de aulas. E as salas grandes tornaram-se ociosas, pois não comportam divisão física sem prejuízo ao patrimônio cultural. As necessidades, portanto, são menores do que a apregoada. Os dois prédios anexos comportam as salas de número reduzido de alunos. A "modernização" da maior parte das disciplinas foi a redução de sua carga horária e a multiplicação delas. Em vez de um professor lecionar, por exemplo, "duas aulas duplas, para duas turmas" passou ele a lecionar "uma aula simples, para cada uma das quatro turmas novas". Diminui-se assim metade do conteúdo do curso, para que, em vez de dar aula para 115, dê-se para aproximadamente 55 matriculados. Repete-se mais, proporciona- se menos contéudo. Ora, se a discussão fosse pedagógica, e não só de relação matemática aluno-docente, bastava solucionar proporcionando o que já se fazia antes entre muitos docentes: divisão de turmas com assistentes, com grupos de pesquisa, com monitorias autorizadas, com uso de salas dos prédios anexos, etc. A mudança de grade foi uma mudança econômica, jamais pedagógica. Não houve discussão do projeto pedagógico. Sequer houve projeto pedagógico. Degravem-se as reuniões da CG e da Congregação e não se verá discussão de projeto, mas apenas de redução de carga horária da grade e de transformação de disciplinas existentes em disciplinas optativas. Exceções (uma ou outra disciplina criada ou de nome alterado) podem apenas confirmar a regra; e não decorreram de projeto pedagógico, mas de alteração departamental independente.



Em 2009, a Prefeitura de São Paulo cedeu à FD o prédio da Av. Brigadeiro Luiz Antonio nº 42, destinado a abrigar a Seção de Apoio Acadêmico e Auditórios para a defesa de dissertações de Mestrado e de Doutorado. Finalmente, o prédio de 10 andares da Rua Senador Feijó nºs 197 e 205, cuja desapropriação foi efetivada, feita pelo Governo Estadual, em 30 de dezembro de 2009.

Caso não se tomasse medida urgente, não haveria oito salas de aulas disponíveis para os 460 alunos que começariam seus cursos em 2010. Seria necessário que as classes voltassem a ter 115 alunos, quando as classes das turmas anteriores já eram de cerca de 55 alunos! Para resolver a questão do ensino, básica em uma faculdade, decidi, com o aval escrito de ampla maioria do Conselho Técnico-Administrativo da FD, reformar quatro andares do prédio da R. Senador Feijó e transferir, durante as férias, os livros da Biblioteca dos Departamentos, na certeza de que, havendo diligência, em cerca de, no máximo, dois meses, a novel biblioteca poderia novamente ser aberta. Em final de janeiro, ainda não se tinha a posse dos cinco andares superiores do prédio da R. Senador Feijó, somente entregues em março. Como não estão ainda reformados, e por medida de segurança, a luz desses andares foi cortada e o acesso dos elevadores a eles impedido. Daí a notícia, dada pela metade, de que o prédio em tela não possuía iluminação.



Se projeto pedagógico tivesse existido não haveria "urgências". Se houve urgência, deveu-se a falta de planejamento. Quanto à mudança da biblioteca, não é objetivo evidenciar aqui os problemas e as ilegalidades. O diretor não trouxe no seu manifesto fatos novos que justificassem o vilipêndio sofrido pelo acervo e a ofensa aos pesquisadores, docentes e alunos. As fotos e os “blogs” dos alunos dizem mais.


A contestação às medidas de modernização começou quando um professor, em junho de 2009, informou uma Procuradora do Ministério Público Federal de que a construção de duas salas e de cerca de 300m2 de sanitários, em curso na FD, não possuía autorização do Condephaat e de outros órgãos, requerendo o embargo da construção. Tal não aconteceu e a obra foi finalizada, por ser regular. Frustrado em seu intento, o referido professor iniciou uma campanha relativamente aos nomes das salas.

Sétima mentira. Deslavada. Aponte o nome do Professor e consulte a Procuradora.

Oitava mentira. As mudanças desejadas não ocorreram e o Inquérito Civil continua em curso. A pretensão de mudar a sala do fichário e a biblioteca foi impedida a tempo.

Nona mentira. Querer transformar as várias células independentes - de alunos, docentes e funcionários - que se insurgiram ou que criticamente aderiram às justas causas - em ato de rivalidade e emulação de um único docente é tentar mudar o foco da questão, intuito que como se pode ver é subjacente em todas as manifestações do ex-Diretor por intermédio da imprensa ou uso impróprio e personalista da lista de endereços da comunidade USP.

Quanto ao Inquérito Civil, há muitos fatos que merecem comentários em outra ocasião. A data correta foi março de 2009. Não houve licença da IPH do Município, que quis embargar a obra. A autorização do CONDEPHAT não contemplou mudança do segundo andar. Indagado pela Procuradora sobre planos para Biblioteca, o ex-diretor omitiu o projeto de transferência em sua resposta oficial ao Ministério Público, fato que causou prejuízos graves à justiça, à confiabilidade de suas ações e, principalmente, causou os prejuízos de que hoje somos todos vítimas.



O Diretor da FD que me antecedeu restaurou as fachadas externas do prédio principal e requereu o tombamento do prédio, não tendo se ocupado de um ponto vital, qual seja: trocar sua antiquada fiação elétrica, composta de fios grossos de cobre revestidos de pano! Tais fios, após setenta anos de sua instalação, representam um grande risco de incêndio. Não sendo possível paralisar totalmente a utilização do prédio, frequentado diariamente por 4.000 pessoas, optei por fazê-lo por partes. Foi trocada a fiação em cinco salas do térreo e do primeiro andar e, nas duas salas e sanitários construídos pelos doadores, a fiação é moderna, com ligações diretas sem conexão com a fiação antiga. Os projetos já feitos para a restauração do Salão Nobre e de seis salas de aula do segundo andar, ora paralisados, contemplam a segurança elétrica. Uma razão a mais para que a FD passasse a dispor de outros espaços é dividir o número tanto de pessoas quanto de bens (inclusive acervo bibliográfico) em vários lugares, abrindo espaço no prédio tradicional, para reformas, máxime as relativas à segurança.


Os fatos e as fotos dizem mais. Vejam-se as fotos das instalações elétricas no local onde os livros foram armazenados indevidamente (Exemplos: http://182-21. blogspot. com/). O ex-Diretor desconhece a própria história da Faculdade que dirigiu, pois a fiação elétrica da Biblioteca Central foi trocada com “projeto FAPESP” na direção do prof. Villaça. A Biblioteca sempre teve uma política de preservação muito forte, sempre reconhecida pela comunidade acadêmica.

A referência ao “Diretor que o antecedeu” é argumento falacioso e "ad hominem". Rodas quer justificar seus erros mostrando que outros supostamente erraram no passado. Lamentável esta atitude.



No que tange à segurança, não se pode esquecer a situação, há anos, justamente dos livros que compõem a Biblioteca Central da FD. Nos três andares a ela destinados, os livros estão nas estantes, amontoados em mesas localizadas entre tais estantes (que atravancam a passagem em caso de emergência), e até mesmo os peitoris das janelas são utilizados como prateleiras para livros, que sofrem diretamente a ação do sol e da umidade! Eu mesmo observei o que acabo de descrever. As encarregadas da Biblioteca nunca me alertaram enquanto Diretor, nem fizeram qualquer movimento do tipo: “Cadê a segurança das bibliotecas”.

Novamente quer apontar falhas anteriores. Pequeníssimas, se comparadas à temerária situação em que deixou os livros. Facilmente sanáveis. Em algumas horas e sem interrupção dos serviços da biblioteca. Por que não sanou nos seus três anos de mandato? Por que não expressou antes seu descontentamento com os "peitoris"? Não há comparação entre supostas e até hoje inéditas falhas anteriores com a ofensa ao acervo, ao direito, aos alunos, à comunidade, às gerações, à história e à tradição.

Nesse ponto, é necessário dizer que, em 2007, a Associação dos Antigos Alunos, a Diretoria da FD e o Centro Acadêmico “XI de Agôsto” haviam encetado uma campanha para a obtenção de fundos para dotar a FD de salas de aulas com vedação acústica, ar condicionado, mobiliário consentâneo e aparelhamentos eletrônicos modernos, pois as salas existentes eram medievais. A campanha não foi muito bem sucedida, na parte que objetivava contribuição de R$ 1.000,00 de cada antigo aluno, pois somente cerca de R$ 650.000,00 foram arrecadados. Contudo, surgiu a possibilidade de que dois grandes doadores construíssem, cada qual, uma sala nos moldes acima, além de sanitários modernos, inclusive para pessoas com necessidades especiais, até então inexistentes. Isso foi noticiado, inclusive com fotos, pela grande mídia, sendo do conhecimento generalizado. Documento foi assinado pela Associação dos Antigos Alunos, pela Diretoria e, como testemunhas, por representantes de importantes agremiações discentes da FD. Não se assumia obrigação final, mas unicamente de levá-lo à consideração dos “órgãos competentes da FD”, o que foi feito.



O Diretor anterior já havia procedido à modernização de muitas das salas. As doações dariam continuidade às reformas. Elas são bem-vindas quando beneméritas em reconhecimento (não em confronto) ao deveres da Universidade Pública. Mas a venda de "indulgências" (i.e. condescendência benevolente na avaliação de algo, ausência de rigor, benevolência, transigência) concedendo imortalidade acadêmica a quem não participou historicamente da tradição das Arcadas, foi uma usurpação indevida da memória social. Pelo metal. Pela aurea sacra fames.



Quanto à questão dos nomes das salas, é importante lembrar que há salas na FD com nome de não professor – a Sala Visconde de São Leopoldo. Por outro lado, na Universidade de São Paulo inexiste proibição de se colocar nome de aluno ou de terceiros: a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” tem o nome do doador do respectivo terreno; há, na Escola Politécnica, um prédio nominado Olavo Setubal, ex-aluno ilustre e doador. Finalmente, o Diretor da FD que me antecedeu utilizou, sem qualquer contestação, a praxe de nominar salas por ato solitário. Nomeei as salas Pinheiro Neto e Pedro Conde, pois, além de antigos alunos, foram pioneiros, respectivamente, no estabelecimento da advocacia internacional no Brasil e na construção do sistema financeiro nacional. Não o fiz solitariamente, pois havia aval escrito de 39 membros, a maioria da Congregação da FD. Há quinze dias, levada à mesma Congregação, tal foi aprovado por maioria. Insatisfeita, a minoria fez atos públicos. É importante lembrar que a FD possui 4.000 alunos e cerca de 200 funcionários. Assim, a quantidade de pessoas reunida em tais atos, menos de duas centenas, que contou com ajuda externa e do sindicato em greve, em um mês tradicionalmente tenso, não é significativa.



Quem alertará o ex-Diretor sobre a importância histórica de Visconde de São Leopoldo na História do Direito Brasileiro, especialmente na História da Fundação dos Cursos Jurídicos no país?

Novamente quer se escusar de seu erro alegando que o mesmo comportamento foi protagonizado pelo diretor anterior. Uma coisa é o diretor anterior, respeitando a consciência acadêmica, restaurar e nominar um "Páteo dos Calouros", uma "Sala Miguel Reale" e uma "Sala Alexandre Correia". O notório dispensa justificativa. Quem iria negar a importância e a legitimidade das três homenagens para a História da Faculdade? O argumento do Reitor é pífio. Não é argumento, mas mera falácia. A de que um erro anterior (não ter havido grande debate antes da aprovação) justificaria a sua atitude (de nominar as salas segundo sua tirânica disposição contra os costumes e contra o bom senso).



O que está em jogo não é a nova localização da Biblioteca dos Departamentos, nem o nome das salas, é muito mais do que isso. É a modernização da FD; a continuidade do projeto pedagógico e da grade curricular; a posição da FD na vanguarda do ensino jurídico brasileiro etc.


“Slogan” repetido e negritado para fugir da realidade. Não houve modernização da grade, que foi unilateralmente alterada como foram as demais ações de mudar a biblioteca e lotear a faculdade para particulares doadores e entidades privadas. Não há projeto pedagógico (salvo se para o Reitor "projeto pedagógico" signifique grade de disciplinas) . Apresente-o, Reitor! Coloque-o no site da faculdade, para que haja transparência! Nomine os seus autores! Apresente provas de ter havido discussão nos órgãos interdisciplinares e não mera discussão de corte de disciplinas!


A oposição aos conceitos acima se faz por vários pequenos grupos, cujo único ponto agora em comum é conseguir bandeiras para seus próprios objetivos. Esses objetivos podem ser: conseguir ganhar as eleições para o Centro Acadêmico “XI de Agôsto” ou para as representações acadêmicas com assento nos órgãos colegiados; influenciar a nova diretoria da FD; começar campanha para a próxima diretoria da FD; manter, por parte de um grupo de bibliotecárias, o férreo controle exercido com sentido de posse, por décadas, sobre as Bibliotecas da FD; utilizar-se do contexto para aumentar a agitação sindical; etc.



Ofensas genéricas, lamentáveis. Interpretação generalista das consciências individuais dos docentes, funcionários e alunos. Insensibilidade. Incapacidade de perceber que generalizações ofendem não somente as pessoas, mas a própria ciência, e em particular, a ciência do Direito. O conhecimento científico, de que é representante, é justamente uma das conquistas intelectuais humanas para combater a generalização. Quer transformar a questão em "luta de poder", em vez de perceber que se trata de uma "luta pelo saber".



Qual a razão de as bibliotecas dos Departamentos, renominada Biblioteca São Francisco da FD, ainda não estar totalmente aberta?

Em primeiro lugar, as bibliotecárias acima referidas, ao invés de terem colaborado mais intensamente para a colocação dos livros nas estantes nos quatro andares do prédio da R. Senador Feijó, passaram a fomentar o descontentamento, promovendo campanha e utilizando bótons com a inscrição “Cadê a Biblioteca”. Essa campanha contrária teve vários lances obscuros: o da “inundação”, que teria danificado centenas de livros e que, depois se verificou, resumia-se a uma torneira deixada aberta (!), não tendo havido realmente qualquer dano; o de que o prédio não teria condições, nem luz elétrica, quando isso procede unicamente com relação aos cinco andares superiores, não utilizados; a disseminação de que a transferência da Biblioteca dos Departamentos era mero capricho, quando objetivava criar espaços necessários para salas de aula e aumentar a segurança. De boa-fé, o lógico teria sido colocar os livros nas estantes dos andares reformados e, em havendo necessidade de espaço em outros andares, disponibilizá -lo de maneira rápida.



Sobre a biblioteca, deixemos de tecer comentários. Os fatos são notórios e contrariam as alegações. As acusações sem provas, às nossas heróicas bibliotecárias, são as últimas tentativas de se defender. Não justificam as portarias secretas, a insensibilidade, os maus-tratos aos livros e a paralisação subitânea da pesquisa na Faculdade de Direito.

A Biblioteca da FD tem um dos maiores horários de atendimento da USP, com 75 horas semanais. É a biblioteca que atende o maior público externo da USP. Durante as greves na gestão do Prof. Marchi e Rodas as departamentais e a BCI sempre funcionaram. Aponte um aluno, um professor, um pesquisador que deixou de ser prontamente atendido, seja em uma pesquisa bibliográfica, seja em uma busca difícil. Quantos eventos não promovem a nossa Biblioteca! Quanta informação útil é por ela veiculada mensalmente nos repertórios bibliográficos e no Arauto! Como pode alguém atacar nossos grandes valores? Como um Diretor nomeia, no último dia de mandato, alguém para um cargo tão importante? E como uma Diretora nova, vendo a situação dos livros e das bibliotecárias ofendidas, consente e não renuncia? Como a diretora da biblioteca pode não gostar de livros?

E o ex-Reitor acusa as bibliotecárias de agirem de má-fé, de não serem rápidas para colocar os livros nas estantes. Como se biblioteca fossem livros na estante. Como se dolo pudesse ser presumido. Como se fosse possível ocupar o deplorável edifício.



É de ser lembrado que cerca de um terço dos funcionários da FD — cerca de 60 pessoas — são lotados nas Bibliotecas. Quando das greves tradicionais ocorridas na USP, as bibliotecas são as primeiras a serem paralisadas.



Outra mentira deslavada. Deixo de contá-las. Como dissemos, durante as greves na gestão do Prof. Marchi e Rodas as departamentais e a BCI sempre funcionaram. Ofensa gratuita aos respeitáveis funcionários.



Mesmo em tempos normais, os horários de abertura das mesmas não são de modo a possibilitar amplo acesso aos alunos e a todos os cidadãos, pois se tratam de bibliotecas públicas. Desde o início de minha gestão, labutei para que as bibliotecas ficassem abertas aos sábados por mais tempo. Mesmo a então Reitora tendo possibilitado pagamento de horas extras para tanto, o máximo que consegui foi manter a abertura aos sábados, em horário diminuto e somente para alunos da FD! Apesar disso, nunca vi protestos por paralisação das bibliotecas nas frequentes greves e pela exiguidade e discriminação de sua abertura. Os funcionários das bibliotecas da FD possuem dois grupos principais, que sempre viveram às turras: o grupo das bibliotecárias dirigentes, que ficaram no poder por muitos anos, antes de serem por mim substituídas em janeiro passado, e outro grupo formado por militantes do sindicato dos funcionários da USP. Nos episódios da transferência parcial da biblioteca, ambos os grupos passaram a ter um ponto de convergência. O que fazer, agora, para regularizar a questão das bibliotecas?



Respeitamos as eventuais e salutares divergências políticas existentes entre os funcionários. E a convergência deles em defesa da biblioteca é digna de louvor, não de crítica negativa.



Cabe à direção da FD decidir pela volta ou não do acervo para o prédio principal, sopesando o impacto futuro de tal decisão em termos de: segurança (inclusive a elétrica); de espaço para salas de aula; e, finalmente, de poder reabrir total e mais rapidamente a antiga Biblioteca dos Departamentos.



Como Pilatos, quer lavar suas mãos. Cabe ao causador sanar as conseqüências de seus atos secretos, de suas contratações secretas (algumas estritamente secretas, como a que celebrou e assinou com a Microsoft para “gratuitamente” digitalizar o acervo, sem aprovação da FADUSP. Este contrato contém cláusulas – nulas obviamente - que exigem que se mantenha secreto). Cabe ao causador dos danos reconhecer os erros e tentar remediá-los. Somos uma Comunidade, por lei e por razão de vida. E a vida comunitária aceita, como na família, os erros e as correções com tolerância. Temos valores comuns e podemos fazer o melhor para remediar.



A Reitoria poderia ter colaborado nesses meses e pode ainda colaborar com a FD, tanto na reforma dos cinco andares superiores do prédio da R. Senador Feijó, o que pode ser realizado em curto espaço de tempo. Em razão da relativa autonomia de que gozam as Unidades da USP, é imprescindível uma solicitação da Diretoria da FD; caso contrário seria uma intervenção indevida. De minha parte, conservo a confiança que sempre tive no atual Diretor, que atuou ao meu lado como Vice-Diretor e foi por mim escolhido Diretor, em lista tríplice.

Como Reitor da USP, que conta com 40 Unidades de Ensino e Pesquisa, resta-me esperar que, na mais antiga delas — a FD — prevaleça o bom senso, à altura de sua tradição quase bicentenária.

João Grandino Rodas

Reitor



Como ocorreu no início, concordamos com este final de texto do Sr. Reitor, também.

A Reitoria poderia ter colaborado, mas não colaborou nestes meses: omitiu-se e só se manifestou quando a crise chegou aos jornais.

A autonomia da Faculdade precisava mesmo ser preservada. Para isso, bastava reconhecer que suas ações foram individuais, sem respeito à vontade dos membros da Comunidade Acadêmica que gozavam da referida autonomia.

O Reitor pode ainda colaborar. Mande uma força tarefa. Reconheça o erro. Use todos os seus meios secretos para convencer que a melhor solução é a renúncia. Renúncia a uma luta injusta que pretende travar. Renúncia à nomeação de uma bibliotecária que não gosta de livros. Renúncia a atitudes tirânicas. Renúncia ao uso da imprensa para veicular as falsidades acima apontadas. Renúncia às generalizações e à homenagens desproporcionais. Renúncia ao conflito, quando a paz pode ser alcançada.

Doação é ato gratuito. Gratuito é o que não requer pagamento. Gratuito, para o Sr. Reitor, é o que rende dividendos políticos ou encargos sociais não desejados pela própria sociedade destinatária. As doações gratuitas podem até ser remuneratórias, em agradecimento aos bons serviços prestados pela donatária USP. Mas não se pode “ser munífico” e exigir ao mesmo tempo “que se pareça munífico”. Aliás, é o exemplo clássico e corriqueiro de simulação.

Assim doamos, todos, o nosso tempo por esta causa. Com fins políticos verdadeiros: pensando no que é bom para a nossa pólis presente e futura. Sem fins promocionais ou de grupos, sentido pejorativo de que faz uso somente o ex-diretor. E para depois nos recolhermos todos para a insignificância diária, como parafraseou um de nossos amigos.

Ass. Os "Amici Librorum"
Os Amigos dos Livros da Faculdade de Direito da USP

domingo, 23 de maio de 2010

Depois do canal Viva, que tal um SBT Retrô?

O Viva, novo canal da Globosat, dirigido ao público feminino, foi lançado semana passada, recheado de reprises de produtos antigos da Globo, como Malhação, Quatro por Quatro, Mais Você, Mulher etc.

Um sonho antigo meu e de muitos fãs de televisão é um canal com reprises do SBT. Num exercício de imaginação, montei uma grade para esse canal, que eu certamente assinaria:

Grade Diária
06:00 Sessão Desenho com Vovó Mafalda
07:00 SEG/QUA/SEX: Show da Simony TER/QUI: Mariane
08:00 Bom Dia & Cia. com Eliana
09:00 SEG/QUA/SEX: Oradukapeta TER/QUI: Show Maravilha
11:00 Bozo
13:00 Chapolin
13:30 Chaves
14:00 SEG/QUA/SEX: Qual é a Música? TER/QUI: Show de Calouros
15:30 Programa Livre
16:30 SEG/QUA/SEX: Passa ou Repassa TER/QUI: TV Animal
17:00 Carrossel
17:30 Disney Club
18:30 Éramos Seis
19:30 Escolinha do Golias
20:00 SEG: Show do Milhão TER: Veja o Gordo QUA: O Grande Pai QUI: Colégio Brasil SEX: Joana
21:00 SEG: Hebe TER: Concurso de Paródias QUA: SBT Repórter QUI: Flávio Cavalcanti SEX: A Praça é Nossa
22:00 Topa Tudo por Dinheiro
23:30 Jô Soares Onze e Meia
00:30 Comando da Madrugada

Sábados
06:00 Disney Club
07:00 Bozo
09:00 Show Maravilha
10:00 Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si
11:00 Casa da Angélica
12:00 Almoço com as Estrelas
13:00 Vamos Nessa
13:00 Hot Hot Hot
15:00 Chispita
16:00 Vovô e Eu
17:00 Punky, a Levada da Breca
17:30 Doug
18:00 Gente que Brilha (1995)
19:00 Meu Cunhado
20:00 A Praça é Nossa
21:30 Viva a Noite
23:30 Cocktail
00:30 Comando da Madrugada

Domingos
06:00 Sessão Desenho
07:00 Tonico & Tinoco
08:00 Milionário & José Rico
09:00 João Mineiro & Marciano
10:00 TV Animal
10:30 Passa ou Repassa
11:00 Domingo no Parque
12:30 Roda a Roda
13:00 Show de Prêmios
14:00 Qual é a Música?
15:30 Tentação
16:30 Namoro na TV
17:30 Porta da Esperança
18:30 Boa Noite, Cinderela
19:30 Em Nome do Amor
21:30 Show de Calouros
23:30 Topa Tudo por Dinheiro

Se existisse um canal com essa programação, eu assinaria!

sábado, 15 de maio de 2010

Coleção de siglas e acrônimos

Sempre tive muita curiosidade por siglas e acrônimos. Comecei a anotar todas as que eu descobria, com seus significados. Aí está o que eu compilei.

Se conhecem mais siglas bacanas, ajudem a aumentar esta coleção.

3M – Minnesota Mining and Manufacturing Company
ABC – American Broadcasting Company
ABN Amro – Algemene Bank Nederland & Amsterdamsche Rotterdamsche Bank
AGF – Assurances Générales de France
AGIP - Azienda Generale Italiana Petroli
AMD – Advanced Micro Devices, Inc.
AMIL – Assistência Médica Internacional
AT&T – American Telephone and Telegraph Corporation
BANERJ – Banco do Estado do Rio de Janeiro
BANESPA – Banco do Estado de São Paulo
BASF – Badische Anilin und Soda-Fabrik
BBC – British Broadcasting Corporation
BMG – Bertelsmann Music Group
BMW – Bayerische Motoren Werk
BRADESCO – Banco Brasileiro de Descontos S.A.
CBS – Columbia Broadcasting System
CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica
CADENA SER - Cadena Sociedad Española de Radiodifusión
CAIO – Companhia Americana Industrial de Ônibus
CCAA – Centro Cultural Anglo-Americano
CCE – Comércio de Componentes Eletrônicos
CEM – Centro de Eletrodomésticos e Móveis
CICA – Companhia Industrial de Conservas Alimentícias
CIFERAL – Comércio e Indústria de Ferro e Alumínio
CNA – Instituto Cultural Norte Americano
CNT – Central Nacional de Televisão
COBRASMA – Companhia Brasileira de Materiais Ferroviários
COMGÁS - Companhia de Gás de São Paulo
CVV - Centro de Valorização da Vida
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
DKW – Dampf-Kraft-Wagen
EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André
EBAY - Echo Bay Technology Group
EBVL – Expresso Brasileiro de Viação Ltda.
EDS – Electronic Data Systems
EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
EMBRATEL – Empresa Brasileira de Telecomunicações
ESPN – Entertainment and Sports Programming Network
FANAVID – Fábrica Nacional de Vidros de Segurança
FEPASA – Ferrovia Paulista S.A.
FIAT – Fabbrica Italiana Automobili Torino
FNM – Fábrica Nacional de Motores
HP – Hewlett Packard
HSBC – Hong Kong and Shanghai Banking Corporation
IBAMA – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente
IBM – International Business Machine
INTEL – Integrated Electronics Corporation
IRFM – Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo
JVC – Japan Victor Company Ltd.
KFC – Kentucky Fried Chicken
LAN – Línea Aérea Nacional de Chile
LASER – Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation
LG ELECTRONICS – Lucky GoldStar
LIGHT SÃO PAULO - São Paulo Tramway, Light and Power Company
MAFERSA – Material Ferroviário S.A.
MESBLA – Sociedade Anônima Brasileira Estabelecimentos Mestre & Blatgé
NBC – National Broadcasting Company
NEC - Nippon Electric Company
NIKON - Nippon Kogaku
NISSAN - Nippon Sangyo
NOSSA CAIXA – Caixa Econômica do Estado de São Paulo S.A., depois Nossa Caixa Nosso Banco S.A.
PAN CHOCOLATES – Produtos Alimentícios Nacionais
PANAM - Pan American World Airways
PDVSA – Petróleos de Venezuela Sociedad Anónima
PETROBRÁS - Petróleo Brasileiro S.A.
PHILCO - Philadelphia Storage Battery Company
RADAR - Radio Detecting And Ranging
RBS – Rede Brasil Sul de Televisão
RCA – Radio Corporation of America
RFFSA – Rede Ferroviária Federal S.A.
SAAB – Svenska Aeroplan Aktiebolaget
SABESP – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo
SABRICO - Sociedade Anônima Brasileira de Intercâmbio Comercial
SBT – Sistema Brasileiro de Televisão
SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
SEED – Serviço Especial de Entrega de Documentos
SEGA - Service Games of Japan
SEMP – Sociedade Eletromercantil Paulista
SENAC – Serviço Nacional do Comércio
SENAI – Serviço Nacional da Indústria
SERCOMTEL – Serviço de Comunicações Telefônicas de Londrina
SESC – Serviço Social do Comércio
SESI – Serviço Social da Indústria
SIGLA – Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda.
SONAR – Sound Navigation Ranging
SPR – The São Paulo Railway Company Ltd.
STP – Scientifically Treated Petroleum
TAG - Techniques d’Avant Garde
TAM – Transportes Aéreos Marília
TAP – Transportes Aéreos de Portugal
TDK – Tokyo Denki Kagaku
TELEFE – Televisión Federal S.A.
TELESP – Telecomunicações do Estado de São Paulo S.A.
TELEVISA – Televisión vía satélite
TILIBRA - Tipografia e Livraria Brasil
TOSHIBA – Tokyo Shibaura Denki
TVS – Televisão Studios Silvio Santos
TWA – Trans World Airlines
UMBRO - Humphrey Brothers Clothing
UNIBANCO – União de Bancos Brasileiros S.A.
USIMINAS – Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais
VARIG – Viação Aérea Rio Grandense
VASP – Viação Aérea São Paulo
VEMAG – Veículos e Máquinas Agrícolas
VISA – Visa International Service Association
YPF – Yacimientos Petrolíferos Fiscales

domingo, 9 de maio de 2010

Miss Brasil

Ontem foi exibido o concurso Miss Brasil 2010 pela Bandeirantes, com ancoragem de Otávio Mesquita. Transmissão dentro das condições e possibilidades da emissora, cenário bonito, apesar de um tanto pequeno e confuso para as necessidades do espetáculo. As apresentações musicais, com Latino, e a trilha sonora, baseada em pagode romântico dos anos 90, foram de gosto um tanto duvidoso. Sem falar nos dançarinos sem camisa.

Acho muito pragmáticos e engessados os concursos. Tudo muito ensaiado, muito previsível, roteirizado. Nada é espontâneo excetuando-se, claro, a alegria sincera de quem vence e a tristeza disfarçada de quem não ganha a coroa e o "reinado" de mais bela moça do Brasil.

Aliás, me fazem lembrar a cerimônia do Oscar, em que as próprias piadas estão roteirizadas e são lidas pelos anfitriões no teleprompter.

A Bandeirantes, há alguns anos, voltou a transmitir e organizar a festa do Miss Brasil, despertando interesse dos telespectadores. Faz lembrar que, nos anos 80, Silvio Santos também quis resgatar o concurso de Miss Brasil, que estava em decadência e perdera o glamour, e conseguiu transformá-lo num atraente show de auditório. As transmissões ao vivo do Palácio das Convenções do Anhembi, filmagens em locações paradisíacas no Brasil, grande estrutura técnica e o estilo único e peculiar de Silvio apresentar o programa deram uma sobrevida importante ao concurso.

Quando Silvio Santos apresentava, não lia teleprompter, mas seguia o roteiro à risca. Falava de improviso, entrevistava as misses sem ter em mãos nenhuma pauta para se guiar e fazia perguntas diferentes a todas elas, sem repetições. Fazia política, trazendo figuras de destaque para o júri. Fazia suspense, levando emoção e criando expectativa para os julgamentos. E somava de cabeça as notas das finalistas, assim divulgando o resultado.



O Miss Brasil era mais autêntico, mais espontâneo, mais natural. Mais Silvio Santos.

sábado, 17 de abril de 2010

Chico Xavier-Reflexão sobre o filme

Eu sai do cinema muito tocado com o filme Chico Xavier, e fiquei dessa forma por dois motivos

1- Pela simplicidade da história dele
2- Ao mesmo tempo, uma força incomum de fé que ele transmitia para as pessoas.

O filme não levantou bandeiras, nao canonizou ninguém, e é isso que faz a graça dele, apenas mostrou a realidade, os fatos do que as coisas ocorreram.

E me fez pensar o quão Chico foi importante para as pessoas que acreditaram nele, numa mediunidade que chegou a me espantar, incredulo, e me fez perceber uma coisa que sempre penso, que na Terra, tudo pode acontecer, nada é impossível, quando vc acredita veemente nessa coisa.

Quando temos algo de bom pra mostrar, isso tem que ser lapidado, sempre em prol para o bem das pessoas, e é isso que Chico mostrou em toda a sua vida, o filme foi bem fiel nisso, não a toa já é recorde de bilheteria no ano.

Sai do cinema espantado e reflexivo, o que fez valer o ótimo filme que assisti hoje.

domingo, 11 de abril de 2010

As Jovens Viuvas Brasileiras

Dados do INSS mostram que 605 jovens viuvas, de 15 a 19 anos conseguiram o benefício de pensão por morte.

Esse assunto me deixou intrigado: Porque será que pessoas tão cedo se casam e na mesma toada perdem seu esposos, geralmente mais velho.

Muitas pessoas pensam que as elas se aproveitam da idade avançada dos maridos para fazerem seu pé de meia, o que de fato com certeza nos lugares mais sofridos, onde não dão oportunidade a ninguém, isso é notório.

E em sua maioria, essas meninas já tem 2 ou 3 filhos pra cuidar, sem estudo, nem ajuda da familia, então, elas se fazem valer da sua necessidade, da sua fome, da sua vergonha.

Enquanto nossos politicos não agem com um minimo de decencia e de aplicação diante do povo mais sofrido, mais dessas coisas acontecerão, não adianta o INSS reclamar e apontar coisas escusas, o negócio é arregaçar as mangas e partir pra melhorias num todo.

Queria deixar uns versos da música Mulheres de Atenas, de Chico Buarque:

“As jovens viúvas marcadas / E as gestantes abandonadas / Não fazem cenas / Vestem-sede negro, se encolhem / Se conformam e serecolhem / As suas novenas serenas”.

Mirem se no exemplo dessas moças Brasil, e corrija esse erro crasso.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Obrigado Armando

Armando Nogueira representou muito para a história do jornalismo brasileiro, um homem visionário, um Caxias solitário.

Lutou desbravadamente ao sair do Acre adolescente, para vir na cidade grande, para chegar ao Rio de Janeiro fincar suas garras.

Torceu pro Botafogo, e com seu pensamento único, começou a fazer grandes reportagens com todos os times do mundo inteiro; trabalhou em 14 Copas do Mundo, um feito e tanto.

Depois de estar na Revista Manchete, e O Cruzeiro, Armando foi para o seu maior desafio, a sua faca de dois gumes: a poderosa Rede Globo em 1966.

Provou os louros da genialidade e o "golpe" da mediocridade: Revolucionou o jornalismo na TV, criando um jornal em rede, que é até hoje, o mais respeitado do pais, o Jornal Nacional. Mas ao mesmo tempo o filho se virou contra ele, com a fatídica edição no Debate dos Presidenciaveis do segundo turno em 1989, ali ele viu que não poderia mais se sujeitar aos interesses alheios e saiu da Globo no ano seguinte.

Fez muito sucesso na Bandeirantes nos anos 90 como comentarista esportivo, foi ai que conheci mais Armando, ideias contundentes mas com suavidade extrema.

Admiro o trabalho de Nogueira pelo seu legado, vi hoje vários jornalistas tarimbados de hoje, reverenciando tudo que ele criou para o jornalismo brasileiro.

Obrigado Armando, com certeza a comunicação perde demais com a sua morte.

quarta-feira, 24 de março de 2010

CARTA ABERTA AOS ESTUDANTES DO LARGO

"Quando se sente bater no peito heróica pancada...".
Versos de Tobias Barreto, gravados no memorial de 32 deste Pátio, e transformados em uma de nossas mais conhecidas trovas acadêmicas. Aos famosos e combativos estudantes do Largo, tais versos têm sempre servido como um estímulo à luta contra a opressão e contra atos ilegítimos dos seus governantes. Em qualquer escalão da República.

Moças e moços da Academia.
Dirigimo-nos, em especial, àquela maioria (da qual também fizemos parte quando estudantes) que, ocupada com seus estudos e futuro profissional, pouco tempo dispõe para a discussão dos problemas internos da Faculdade.

Foram desferidas contra nossos estudantes, em pleno mês de janeiro, no ápice de suas férias, duas "heróicas pancadas", das mais graves (no plano interno) na história quase bicentenária de nossas Arcadas.

O Sr. Ex-Diretor, hoje Reitor, no último dia de sua gestão, 22 de janeiro p.p., editou algumas Portarias (de n°s. 4, 5, 6 e 7), cujos exatos conteúdos permaneceram não revelados – e, portanto, secretos – por vários e vários dias.

Tais medidas, segundo ele, em mensagem eletrônica enviada a toda comunidade da Escola (e desprovida – note-se bem – do teor das portarias), destinar-se-iam à gestão futura da Faculdade nos próximos anos.

A essas Portarias seguiu-se um texto do Sr. Ex-Diretor, com algumas explicações. Datado também de 22 de janeiro p.p., foi só divulgado mais de um mês depois, em 24 de fevereiro. Texto, portanto, também secreto por várias semanas.

Editadas as Portarias e o tal texto, ambos naquela 6ª. feira, dia 22, o Sr. Ex-Diretor tirou-se de nossa Academia e, algumas horas depois, na 2ª. feira, dia 25 de janeiro, tomou posse na Reitoria, onde hoje se encontra abrigado.

"Deixemos de lado o que não é essencial", como disse nosso grande Mestre, Prof. Goffredo da Silva Telles Júnior, há mais de trinta anos, em sua famosa "Carta aos Brasileiros".

Examinemos como tais portarias, bem como sua execução, possam estar eivadas de irregularidades e, mais do que tudo, de falta de legitimidade.

Uma das Portarias ordenou a transferência das bibliotecas (departamentais e circulante) para outro prédio (recentemente desapropriado). A reabertura foi prometida apenas para o dia 15 de março, quase um mês depois do reinício das aulas.

Esse prazo, como se sabe, não foi cumprido, ao menos em relação às mais indispensáveis e preciosas Bibliotecas Departamentais (compostas por acervos de enorme relevância, como o da Tullio Ascarelli).

A mudança realizou-se no fim-de-semana prolongado entre a madrugada do dia 23 de janeiro, sábado, e a 2ª. feira, dia 25, feriado.

Inexistiu qualquer aviso precedente para a comunidade.

Mudança, pois, também secreta.

O transporte dos livros, pelo que se tem notícia, foi feito por uma empresa privada, contratada sem licitação não se sabe por quem. Utilizou-se até mesmo mão de obra de moradores de rua do Largo (conforme consta do livro de ocorrências da empresa de vigilância "Capital").

Não houve pois – o que é gravíssimo – qualquer necessário e cuidadoso planejamento prévio.

Ao se decidir tal medida, impunha-se ao responsável pela Escola ordenar essa transferência de forma organizada e, em especial, de maneira gradativa quanto aos prazos, buscando-se evitar maiores prejuízos às nossas alunas e alunos.

Da maneira como se executou a mudança, parece que a ênfase foi dada unicamente na retirada abrupta dos livros do Prédio Histórico, e não na reorganização do novo espaço.

Inexiste lá rede de informática instalada. Só nos últimos dias, com grandes dificuldades, procura-se implantá-la.

Não há laudo técnico acerca da capacidade estrutural dos pavimentos e andares, agora destinados a acervo de livros, e, portanto, com sobrepeso considerável.

Por outro lado, dever-se-ia com zelo – aplicando-se ao administrador público o necessário padrão jurídico do diligente "bonus paterfamilias" – consultar previamente, pelo menos, as diretorias de outras importantes bibliotecas jurídicas da Capital, de sorte a permitir aos nossos estudantes (ainda que de modo provisório) a sua utilização e acesso mais ágil.

Dentre essas outras, em especial, aquelas do Tribunal de Justiça e do antigo Tribunal de Alçada Criminal, talvez as duas mais importantes bibliotecas jurídicas paulistas depois da nossa.

Isso não se fez. Tivesse sido feito, saber-se-ia, com antecedência, que ambas as bibliotecas (do TJ e do antigo TACrim) encontram-se também fechadas para reforma, aumentado a tragédia e os prejuízos para os estudos e pesquisas de nossos alunos.

Configurou-se pois, infelizmente, certo descaso, ou, no mínimo, péssimo e descuidado planejamento.

Os maiores responsáveis, em última análise, pelo precioso acervo de nossa Academia – vale dizer, as zelosas e zelosos bibliotecários e funcionários de nossa Faculdade –, não foram sequer avisados.

As Chefias da biblioteca, aliás, também foram destituídas nas mesmas portarias, sem qualquer explicação ou comunicação prévia às funcionárias diretamente atingidas.

Tampouco os docentes foram informados sobre essa desastrada mudança.

E quanto às nossas alunas e alunos?

EIS A PRIMEIRA `HERÓICA PANCADA" SOFRIDA PELOS ESTUDANTES DO LARGO: aqueles que, naquela 3ª. feira, dia 26 de janeiro, aqui chegavam para estudar – envolvidos, por exemplo, na preparação de estudos de iniciação científica, teses de láurea ou de pós-graduação –, deram com as portas fechadas.


Nenhuma notícia anterior a eles foi dada.

A transferência das bibliotecas – repita-se – deu-se de forma secreta.

Pode-se imaginar a extrema revolta daqueles alunos que, com sacrifício de suas vidas privadas, planejaram-se para cumprir seus estudos e pesquisas durante o mês de janeiro.

Senhoras e senhores estudantes.

Diante da gravidade de uma tal ocorrência, entendemos haver elementos para eventual abertura de sindicância – e conseqüente processo administrativo –, para apuração de possíveis irregularidades e de responsabilidades conexas.

Continuemos.
A mesma Portaria, pela primeira vez na história desta Faculdade pública, dá nomes de doadores privados – e não de "antecessores iuris", vale dizer, de estudiosos do Direito – para duas salas reformadas do nosso prédio histórico: a primeira foi dedicada a um advogado, "pioneiro da advocacia empresarial do País", e a segunda, a um banqueiro, por ter ele contribuído "para a criação e estruturação de um sistema bancário nacional". Ambos já falecidos.

Em se tratando de uma instituição pública – e, mais ainda, de uma Escola de Direito, a melhor do Brasil –, não se recorreu, surpreendentemente, ao devido processo licitatório, previsto em lei (princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade).

Tal exigência, a nosso ver clara, consta, aliás, de parecer (desatendido) da própria Consultoria Jurídica da USP, em caso análogo ocorrido anos atrás na FEA (Faculdade de Economia e Administração).

Desconsiderou-se também a competência da Congregação da FD, órgão colegiado máximo da Unidade (acima da Diretoria), e, portanto, a sede mais legítima para a discussão desse tema.

Há em tramitação dois requerimentos, ainda não votados, para atribuir os nomes dos ilustres Profs. Goffredo da Silva Telles Júnior e Antonio Junqueira de Azevedo àquelas duas salas reformadas.

O primeiro deles, datado de 31 de agosto de 2009, não foi sequer colocado na ordem do dia da Congregação durante todo o segundo semestre do ano passado.

Aliás – ressalte-se –, só depois de protocolada, em agosto, a proposta de atribuição do nome do Prof. Goffredo àquela sala, hoje provisoriamente dedicada à memória do falecido banqueiro, é que apresentou-se em seguida a proposta (acolhida na Portaria do Sr. Ex-Diretor) de concessão ao Pátio do nome do saudoso e inesquecível professor.

Temos, neste assunto, uma firme certeza: o nosso famoso "Pátio das Arcadas" sempre foi – pelas gerações passadas – e sempre será – pelas gerações futuras – assim mesmo chamado: "P á t i o d a s A r c a d a s"!

Intuímos, do fundo do nosso coração, também ser essa a vontade do estimado Prof. Goffredo, esteja ele onde estiver.

Senhoras e senhores estudantes.

Um processo de financiamento privado de uma Instituição pública como a nossa pode muito bem ser feito independentemente da alta contraprestação representada pela outorga do nome de doadores privados a espaços públicos.

Isso não impede a captação de preciosas doações privadas, úteis para a modernização de nossas instalações, nem é incompatível com o progresso da Escola.

E pode muito bem ser feito em consonância com os princípios gerais do nosso Direito.

Prova disso, entre nós, são, por exemplo, as instalações do Juizado Especial Cível (hoje J.E.F.), obra de mais de meio milhão de reais, doada pela família Klabin. Ou a climatização de duas salas de aula (Pedro Lessa e Dino Bueno), em doação da Bolsa de Mercadorias e Futuros.

Nem por isso tais espaços foram denominados "Juizado Especial Cível Aracy e Roberto Klabin", ou tampouco Salas de Aula "B.M.F."!

Nos dois casos, houve afixação de placa comemorativa de inauguração, gravando-se agradecimento público a estes doadores. Esta deve ser a regra, com base na Constituição e nos princípios gerais do direito administrativo.

Doação privada com encargo superior a esse limite descaracteriza o próprio negócio jurídico da "donatio": em face do equilíbrio de forças entre prestação (outorga do nome do doador a espaço público) e contraprestação (pagamento por ele da respectiva reforma), estaríamos diante de um contrato sinalagmático e oneroso, e não de um contrato gratuito de doação.

Neste sentido, a falta de licitação se mostra bastante grave, pois ao administrador público é vetado oferecer contraprestação de uso ou de denominação de espaço público a quem ele, a seu bel prazer, decidir – ou seja, sem o devido processo licitatório.

Impediu-se, com tal omissão, a divulgação pública que permitiria a outros patrocinadores privados trazerem, eventualmente, contribuições mais afinadas com o interesse da Administração Pública.

E no tocante a este tema, qual a posição dos nossos estudantes?

Desrespeitou-se gravemente – e isso, aqui, o que mais interessa – a vontade dos nossos estudantes, livre e democraticamente manifestada em dois plebiscitos realizados no Pátio.

Por maioria de votos, venceu a proposta de atribuição dos nomes dos nossos mestres, Profs. Goffredo e Junqueira, para as duas salas.

Não só se desconsiderou tal vontade, como também procurou-se, naquele segundo texto, desqualificar o próprio referendo realizado.

EIS, POIS, A SEGUNDA "HERÓICA PANCADA" SOFRIDA PELOS ESTUDANTES DO LARGO.

Moças e moços.
A referida Portaria, além de irregular, é também – e aqui o cerne da questão – plenamente ILEGÍTIMA.

Socorremo-nos, por analogia, mais uma vez das lições do nosso Prof. Goffredo.

Medidas como essa, a exemplo das leis, só são legítimas quando provindas de uma "fonte legítima". Em relação às leis, fonte legítima é representada pelo "povo" a que elas dizem respeito.

No tocante às Portarias da FD, fonte legítima é representada pela comunidade a que tais portarias interessam: estudantes (principalmente), docentes e funcionários.

Os estudantes já manifestaram sua vontade majoritária em dois plebiscitos (ambos desconsiderados) e sofrem, de modo inaceitável, com falta das bibliotecas departamentais.

Aos docentes impede-se, desde agosto, até mesmo a discussão e votação dos temas aqui trazidos.

Aos funcionários, ala ainda mais frágil, destinaram-se, até agora, só ordens, sem qualquer diálogo ou esclarecimentos prévios.

Senhoras e senhores estudantes.

"Na qualidade de herdeiros do patrimônio recebido de nossos maiores" – são ainda palavras do Prof. Goffredo –, os combativos estudantes do Largo devem "dar o testemunho, para as gerações futuras", de que a defesa da legitimidade deve sempre prevalecer.

Como agir?

Procurem sensibilizar e pressionar (dentro dos limites legais) alguns de seus professores, bem como seus representantes eleitos, para que votem, no colegiado da Congregação, pelo restabelecimento da legitimidade em nossa Escola.

Esta é uma questão de tradição e, principalmente, de justiça!

Tradição, pois tais medidas não respeitam a história de nossa Academia nem tampouco a de nossos mestres.

Não se pode admitir, por exemplo, que seja maculada a memória do patriota paulista, grande Professor do Largo, um dos líderes da revolução constitucionalista de 32, FRANCISCO MORATO, cuja honraria de batizar oficialmente a "Sala dos Estudantes" foi chamada de "esdrúxula" pelo Sr. Ex-Diretor, naquele segundo texto.

Conhecesse melhor a história de nossa Academia, saberia que essa homenagem se deu pelo enorme apreço de nossos estudantes pelo Prof. Francisco Morato, durante aqueles conturbados anos trinta.

Questão de justiça, pois não se pode aceitar que a mudança de uma das maiores bibliotecas públicas do Brasil – a mais importante, aliás, dentre as das Escolas de Direito do país – tenha sido feita de forma secreta, sem qualquer tipo de planejamento prévio. Sem os devidos e necessários cuidados com o seu precioso acervo.

Questão de justiça – insistimos –, pois não se pode aceitar o desrespeito ao fundamental direito ao estudo de nossos estudantes, presente na Carta Magna.

Contemplado no art. 6º. da Constituição Federal, esse direito social à educação foi ferido por conta das gravíssimas falhas administrativas relatadas.

Justiça será feita com a apuração das eventuais responsabilidades neste lamentável episódio da mudança secreta de nossas bibliotecas.

Repita-se, mais uma vez: que se respeitem as nossas tradições e, em especial, que se faça justiça.

Tradição e justiça.

E como disse RUI BARBOSA, tratando desses dois aspectos, em placa de bronze aposta nos muros de nossa velha Faculdade:

"Debaixo destes tetos duas evidências há que nos consolam, e chegam a desconvencer-nos da morte: a continuidade da tradição e – completaríamos nós, principalmente – a continuidade da justiça".

Moças e moços.

A força maior da São Francisco está em seus estudantes.

Ao ensejo, completemos os versos de nossa mais famosa trova, com os quais iniciamos esta carta:

"Deixa-se a folha dobrada, enquanto se vai morrer!"

Muito obrigado pela atenção.

EDUARDO CESAR SILVEIRA VITA MARCHI
Professor Titular de Direito Romano
Doutor em Direito pela Universidade de Roma I (1982-1985)
Pós-Doutor pela Universidade de Munique (1992-1994)
Ex-Diretor da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (2002-2006)

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