quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Doutor Abobrinha



Para quem passa pelo bairro da Penha de França, usa o metrô, o viaduto Aricanduva ou a Avenida Celso Garcia, a referência do tradicional bairro da Zona Leste de São Paulo sempre foi a Basílica Nossa Senhora da Penha, encravada no alto do centro histórico da região.

Mas não é mais.

Uma construtura ergueu um espigão que tampa a visão da bela igreja e ainda faz sombra em cima dela.



O feito é comparável às maldades mais descabidas de vilões de histórias infantis e faz lembrar o Doutor Abobrinha, aquele que queria derrubar o Castelo Rá-Tim-Bum para construir no lugar um prédio de 100 andares.

Na Penha não foram necessários tantos andares. Bastaram um estilo neoclássico horroroso e uma opulência exagerada, típica dessa São Paulo contemporânea, cheia de contrastes e metida a besta, que despreza o antigo e descaracteriza a sua própria história. A atividade religiosa na Penha data do século XVI; o bairro surgiu em volta de antigas igrejas lá pelos idos de 1680. Parece que tiraram o prédio da região da Berrini e o levaram para lá.

Passado, presente e futuro, em São Paulo, dificilmente vivem em harmonia. Um quer engolir o outro.

O Monstro da Penha já é o apelido que recebeu o paquiderme de concreto. Infelizmente, parece ser o prenúncio de mais e mais verticalização por ali. As ruas estreitas da Penha conseguirão resistir? Chegará o dia em que, para ver a Basílica, somente se estiver na frente dela, ou por helicóptero.

Veja mais fotos e um texto completo no excelente site São Paulo Restaurada.

Um comentário:

  1. Sei que comentários do tipo "Ai, Brasil" tendem a cair naquele clichezão de classe média frustrada - que preferia ter nascido no "primeiro mundo".
    Mas, de fato, é incrível como falta por aqui a noção do que é preservação do patrimônio arquitetônico!

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