terça-feira, 11 de agosto de 2009

Mais um XI de Agosto


A Velha Academia completa mais um aniversário. Sem festa, sem graça. Dia de garoa insistente na cidade. A "Semana do Onze", com eventos, discursos, inaugurações, coquetéis, músicas do coral acadêmico, presença de ilustres antigos alunos que viraram gente importante ou celebridades fora do mundo jurídico é coisa do passado. A diretoria atual da Faculdade não cultivou essa boa tradição de homenagear e cultuar o passado da Escola.

Tá certo, esse ano há uma justificativa plausível: o medo da gripe A. Mas nos anos anteriores, sem gripe, a comemoração ficou aquém do esperado. Mesmo no 180º aniversário da Faculdade os eventos não ficaram à altura.

Por causa da suspensão das aulas, o Centro Acadêmico XI de Agosto também adiou os eventos que havia programado.

Assim, restam só as tradições tão divertidas quanto (ou mais, vamos admitir...): os Jogos Jurídicos, o Pindura e a Peruada. Tradições que, no entanto, por vezes, queimam o filme, porque podem ser resumida e pejorativamente descritas pelos que vêem de fora (especialmente a imprensa) como reunião de jovens alcoolizados para tirar a paz de uma cidade do interior / dar o cano no restaurante / parar o trânsito do Centro de São Paulo.

A São Francisco é uma festa. Mas hoje, no seu dia, não tem nenhuma festa.

Um comentário:

  1. Meu caro amigo Hamilton,
    Concordo inteiramente com o que você escreveu em seu texto. O Largo está abandonado, enquanto uma campanha milionária está em curso sob os auspícios da "Antigos Alunos". Nomes e mais nomes são apresentados como mecenas das Arcadas, e empresas se habilitam para tornar a nossa querida "Facvldade" um pouco mais "moderna" e, por conseqüência, empresarial. Agora, o pior dessa situação toda sem dúvida é a total cegueira dos integrantes da comunidade franciscana, em especial do corpo docente e da administração (já que os alunos em boa parte constatam o problema), em relação às raízes do problema que conduziu à existência desses moradores de rua. Não quero adotar aqui um tom panfletário de esquerda, mas não há como negar que o Estado brasileiro não oferece condições para que as gerações superem a situação de rua, e muito menos procurar integrá-los com habitação, nutrição e saúde. Tudo isso custa, sim, mas é o preço de uma vida minimamente digna, como todos nós gostamos e queremos viver, enquanto essas pessoas não podem fazê-lo. Claro, há quem diga que isso é assistencialismo. Mas existem situações que não podem ser superadas, não há como voltar atrás e dar tudo aquilo que a pessoa não teve: estudo, renda, família. Cabe ao Estado, então, garantir o que é princípio fundamental da nossa República: a dignidade da pessoa, se for o caso, prestando assistência. As autoridades fecham os olhos para isso, como se assim o problema desaparecesse. E na Sanfran, onde discutimos leis e sobretudo a Constituição, isso nem sequer é mencionado nas salas de aula. Faz sentido. É mais fácil cuidar do que já está bom do que consertar o que está estragado. E não olhar para o problema leva á sensação de que ele não existe. Dessa forma a Sanfran perde a oportunidade de encabeçar uma discussão que, em São Paulo, é extremamente pertinente. E ignora o flagrante descumprimento da nossa Constituição.

    Abraço Ham!

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