segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Largo largado

O Largo São Francisco está uma imundície só. Acabei de passar por lá. Hoje, que é dia de volta às aulas após um longo e tenebroso inverno de H1N1, os alunos das Arcadas foram recepcionados com muita sujeira, restos de comida e o aroma inconfundível de banheiro público.

Geralmente as segundas-feiras pela manhã na frente da Faculdade de Direito são meio repugnantes mesmo, pois a calçada não é lavada durante o fim de semana, e ali ficam repousando muitos moradores de rua, aproveitando a falta de movimento. Lá comem, dormem e fazem suas necessidades. Alguns trazem caçambas de lixo e cachorros, enquanto outros chegam até a armar barracas de lona e papelão.

O Largo, que já foi local de concentração de pombos e também de indiozinhos que vêm pedir dinheiro no Centro, ficou apinhado de moradores de rua graças ao sanitarismo praticado nos edifícios vizinhos e dos arredores da Sé. Muitos instalaram lanças nas soleiras de portas, impossibilitando que se sente ou deite ali. Além disso, outras estratégias muito usadas são a instalação de grades fechando as marquises à noite e a técnica da lavagem das calçadas no final do expediente: o chão molhado atrapalha a montagem de colchões de papelão.

Assim, esses moradores peregrinos em boa quantidade foram parar no Largo São Francisco. Alguns, alcoolizados, assustam os transeuntes. Outros mexem com as meninas, incomodando-as.

Ao mesmo tempo, dentro do prédio da Faculdade de Direito, há uma grande campanha de doação de dinheiro para reformas milionárias no prédio. Muitas delas investigadas pelo Ministério Público por intereferirem em edifício tombado. Ademais, o prédio da Faculdade foi restaurado há pouco tempo e quem passa em seu interior vê certo desleixo na arrumação do pátio e no uso do espaço do museu, às moscas.

A arrecadação já rendeu frutos. Semana passada, no dia 11 de agosto, aniversário da escola, foram inaugurados novos e chiques mastros de bandeira, na rua. Ali, pertinho dos moradores de rua, que provavelmente a tudo observaram, atentos.

Na semana passada também se deu a cervejada dos estudantes, na sexta-feira. Sem falar que foi a semana do tradicional "pindura", em que os alunos vão a restaurantes munidos de dinheiro, mas deixam de pagar após discursarem em festejo ao 11 de agosto.

O que se percebe disso tudo é uma tremenda dificuldade da Faculdade de Direito, aí se incluindo sua direção, o Centro Acadêmico XI de Agosto e os estudantes, de interagirem com o ambiente no qual a Faculdade está instalada. O prédio está reformado e reluzente, assim como a igreja contígua e a antiga Escola de Comércio Álvares Penteado, ao lado. Esses edifícios se iluminam, mas são como redomas de beleza alojadas em local pútrido. A bela viola está por dentro, e o pão bolorento fica do lado de fora.

Alguma ação prática precisa ser tomada, e que não seja a remoção das pessoas da calçada para outro lugar da cidade, ou mesmo para fora dela - coisa que acontece em várias cidades do mundo, lamentavelmente. Quem tem a ganhar com isso é a própria Velha Academia, pois de nada adianta manter suas tradições, se tem ao lado tantas contradições.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Mais um XI de Agosto


A Velha Academia completa mais um aniversário. Sem festa, sem graça. Dia de garoa insistente na cidade. A "Semana do Onze", com eventos, discursos, inaugurações, coquetéis, músicas do coral acadêmico, presença de ilustres antigos alunos que viraram gente importante ou celebridades fora do mundo jurídico é coisa do passado. A diretoria atual da Faculdade não cultivou essa boa tradição de homenagear e cultuar o passado da Escola.

Tá certo, esse ano há uma justificativa plausível: o medo da gripe A. Mas nos anos anteriores, sem gripe, a comemoração ficou aquém do esperado. Mesmo no 180º aniversário da Faculdade os eventos não ficaram à altura.

Por causa da suspensão das aulas, o Centro Acadêmico XI de Agosto também adiou os eventos que havia programado.

Assim, restam só as tradições tão divertidas quanto (ou mais, vamos admitir...): os Jogos Jurídicos, o Pindura e a Peruada. Tradições que, no entanto, por vezes, queimam o filme, porque podem ser resumida e pejorativamente descritas pelos que vêem de fora (especialmente a imprensa) como reunião de jovens alcoolizados para tirar a paz de uma cidade do interior / dar o cano no restaurante / parar o trânsito do Centro de São Paulo.

A São Francisco é uma festa. Mas hoje, no seu dia, não tem nenhuma festa.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Piercing e molas

Vendo os incidentes recentes com Felipe Massa, atingido por uma mola na cabeça, nos treinos para a corrida de Fórmula 1 na Hungria, passou-me pela cabeça uma idéia meio maluca, mas coerente: se ele estivesse usando piercing na sobrancelha, podia ter morrido!




É claro que piloto de corrida não usa piercing! Mas motoqueiro e motorista, sim, esses, às vezes, usam. Em qualquer atividade em que a pessoa fique exposta a levar uma topada na testa, usar piercing nesse lugar é perigoso. Quando a gente bate o nariz, ele não sangra? Geralmente sim. Então, quem usa piercing na sobrancelha, é como se tivesse um nariz naquele local também, pois fica mais suscetível a acidentes. A comparação foi péssima, mas deu para entender...

Imagine tomar uma bolada de um beque que só sabe dar chutão, numa pelada de várzea? Tostão descolou a retina num lance assim, antes da Copa de 70, mas numa partida oficial. Pior seria se, além de descolar a retina, o jogador precisasse passar por cirurgia para retirar piercing que afundou no crânio e ficou encravado por ali. É melhor nem pensar!

Obviamente, jogadores de futebol, assim como os automobilistas, não usam piercings. Mas as pessoas que praticam esportes de fim-de-semana, às vezes, usam! E é justamente para evitar acidentes que os atletas não podem usar anéis, brincos, correntes etc. durante disputas oficiais. Eles chiam, insistem, escondem do juiz, mas depois, durante o jogo, são pegos e obrigados a tirar. Não pensam no perigo desnecessário que correm, se, eventualmente, a corrente, o brinco, o anel, enroscarem em algum lugar no campo, por exemplo, na rede das traves, na própria grama ou no corpo de outro jogador. Podem até perder um dedo ou a orelha nessa brincadeira!


O jogador de basquete Dennis Rodman



Voltando ao piercing. Ontem houve a notícia de mais um avião que sofreu turbulências, fazendo com que os passageiros fossem arremessados de cima a baixo e trombando com tudo lá dentro. Claro que, nessa hora, o piercing também poderia causar ferimentos graves. Quem usa aparelho nos dentes sabe que qualquer esbarrão na boca já provoca corte nas gengivas. Nem dá pra imaginar o estrago de um piercing na língua num passageiro despencando como saco de batatas dentro do avião sacolejante que, involuntariamente, morde a língua e atinge aquela pontinha de metal. Deve doer um bocado.

A conclusão de tudo isso não é condenar o uso de piercing. Todo mundo tem o direito de usar o que quiser e quantos quiser. Mas, em algumas situações, é necessário cuidado. Afinal, acidentes acontecem com qualquer um, esteja ou não com a orelha ou qualquer outra parte do corpo furada.

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