quarta-feira, 24 de junho de 2009

A televisão fascina

Volto a falar de Roberto Justus, um dos mais bem-sucedidos empresários brasileiros do ramo da publicidade. Diferentemente de seus colegas Nizan Guanaes, Washington Olivetto e Duda Mendonça, para citar alguns, Justus não ficou conhecido do grande público por ter criado campanhas famosas ou envolvimentos com política e/ou times de futebol. Ao contrário, é o marco de uma era diferente nas agências de publicidade, mais corporativa, aparece como um executivo bem vestido e cheio de contatos, e não como um sujeito meio maluco e falante, de camisa colorida e gravata do Mickey, como era o estereótipo do publicitário um certo tempo atrás.

Digamos que Roberto Justus estava mais para o business do que para o show, deixando o folclore de sua profissão para o corinthianíssimo Olivetto e o marketeiro Duda.

Justus começou a deixar o business mais de lado e avançar no show, quando iniciou suas aparições em revistas de celebridades ao lado de namoradas famosas. E ganhou fama de ser um bom partido, evidentemente.

A Record apostou nele para ser apresentador de O Aprendiz, versão brasileira de um sucesso americano comandado pelo empresário e figurão Donald Trump. E Justus não decepcionou, tornando-se o programa de maior faturamento da emissora e emendando seis temporadas seguidas. Aí caiu nas graças do público. Resolveu até virar cantor e lançou um CD.



Agora, em meio à uma das maiores guerras de bastidores entre emissoras de televisão já vistas, Justus partiu da Record para jogar no outro lado, no SBT. Emissora de apelo muito mais popular, o canal fundado por Silvio Santos pensa em aproveitar Justus num game-show e/ou num talk-show.

A televisão deixou de ser para Roberto Justus apenas uma experiência interessante, na qual o público poderia conhecer seus pensamentos e sua filosofia de trabalho. Ele, que nem pensava em chegar tão longe, tomou gosto pela coisa, e resolveu investir nessa sua faceta.

Ninguém sabe ainda que programa Roberto Justus irá apresentar. Mas é certo que ele se deixou levar e passará a ser, para o público, cada vez menos empresário e mais apresentador. Menos homem de negócios, e mais artista. Na certa, no SBT, o desafio será muito maior: ele não poderá ser o apresentador que vocifera conhecimentos acadêmicos e se mostra extremamente culto e letrado. Ao contrário, a audiência da emissora espera dele apenas o poder de comunicação, a simpatia, o carisma, a identificação popular, o calor humano. Características que, talvez, não sejam condizentes com o perfil de um businessman.

Isso tudo só vem a mostrar o fascínio que a televisão continua exercendo. Mesmo hoje, quando os índices de ibope já não são tão elevados em razão da concorrência com a internet e os canais por assinatura, tornar-se um artista de televisão ainda é o sonho de muita gente, das mais humildes às mais ricas.

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