domingo, 26 de abril de 2009

Xuxa me emocionou...

Dia desses revi o programa da Xuxa Especial de Natal de 1988, que se tornou famoso pelo momento em que Xuxa recebeu no palco Ayrton Senna, na época o novo campeão mundial de Fórmula 1 e seu namorado.

Entre momentos sentimentalistas e emotivos, um momento me arrepiou. Era a apresentadora caminhando entre casas bem humildes e distribuindo sorrisos e presentes, ao som de sua música natalina infalível, Estrela Guia. Xuxa se abaixou para oferecer a uma jovem mãe e seu filho de colo uma enorme caixa de presente. Abriu-o e mostrou seu conteúdo: um boneco do personagem Alf, fabricado pela Mimo. A moça e seu filhinho choraram e abraçaram bem forte o boneco, enquanto Xuxa, se afastando, observava a cena.

Isso me comoveu.

O que faz um marmanjo ficar tocado por um piegas programa natalino da Xuxa? A primeira reação foi de uma inusitada surpresa, afinal eu tenho até hoje um boneco de pelúcia do Alf idêntico àquele. Alf era um seriado de que eu gostava muito. Mas a emoção da família pobre com o boneco é algo que eu não senti ao ganhar igual presente. Eles abraçaram-se à miniatura do "E. Teimoso" como se aquilo fosse a coisa mais valiosa do mundo.

Porque, naquele momento, aquele boneco do Alf era, efetivamente, para eles, a coisa mais valiosa do mundo.



Muita gente torce o nariz ao assistir em programas de televisão atos de distribuição de presentes e rinquedos à pessoas humildes no Natal. Dizem que as pessoas que passam necessidades durante o ano, precisam muito mais de comida, de auxílio, dinheiro, enfim, uma ajuda para sobreviverem durante todo o ano, do que tão-somente uma lembrancinha de Natal.

Será mesmo?

Será que quem fala isso já pensou em se colocar na pele do outro? Será que também já passou apertos e necessidades?

As pessoas que ralam, mas dão um jeito de se virar durante todo o ano, no Natal, época em que os outros, que podem, dão-se presentes, por muitas vezes caros, com que caras ficam? E que decepção tem suas crianças, frustradas por não receberem nada do Papai Noel?

Vai ver, é por isso que os Titãs protestavam que não queriam só comida, mas também precisavam de diversão e de arte...

Por isso é que senti alguma coisa ao ver aquelas pessoas emocionadas com o boneco do Alf na mão. Um brinquedo que eu também tive, e tenho, até hoje. Mas que pra mim era apenas mais um dos meus brinquedos de criança.

Ali, não. Para aquela mãe que, provavelmente, suou e batalhou para chegar ao final daquele ano de 1988, o Alf era a maior alegria que podia ter e oferecer a seu filho pequeno, mas que às vezes já era até capaz de entender que seu Natal poderia passar em branco. Mas não passou.

Pouco importa se havia outros interesses por parte da Xuxa além do simples entregar de presentes, se ela queria se aparecer, se promover, fazer marketing ou posar de boazinha. Pois fez despertar sentimentos puros e verdadeiros, a demonstração do que é a real felicidade, ali estampados na noite de 24 de dezembro de 1988, nos televisores brasileiros sintonizados na TV Globo, nas lágrimas e sorrisos daquela mãe e daquele filho.

E eu também passo a ver meu velho boneco de pelúcia do Alf com outros olhos. E ninguém paga o valor que ele tem.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Eu vim para confundir, e não para explicar

O Yahoo! fez um bem intencionado apanhado com os bordões mais conhecidos da televisão brasileira, mas que, como qualquer lista, é subjetiva e criticável. São 23 bordões, a maioria deles de personagens de novelas recentes da Rede Globo, que, diga-se, não tiveram audiência expressiva e sequer caíram na boca do povo com as novelas de antigamente. Você pode conferir aqui.

Mas o pior está logo na abertura da matéria. Fala-se do bordão "Terezinha", do animador Chacrinha, o Velho Guerreiro. Até aí, passa, embora Abelardo Barbosa de Medeiros tivesse muitos outros bordões mais inteligentes para contribuir para a listagem, como "eu vim para confundir e não para explicar", "roda, roda, roda e avisa" e o célebre "na televisão nada se cria, tudo se copia".



O descuido do Yahoo! foi ter colocado a foto não do histórico animador, mas de Helio Vernier, seu sósia profissional e oficial. Que mancada!

Essa foto foi tirada nos bastidores da gravação do especial Por Toda Minha Vida, que contou a trajetória de Chacrinha, em 2008, e no qual Helio teve a honra de interpretar o artista com quem se parece. Não custa nada lembrar que o Velho Guerreiro faleceu em 1988.

Esse vacilo foi descoberto por mim, e se você vir rodando a internet saiba que saiu primeiro aqui!

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