quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Greve no Banespa



Vi essa manchete no UOL hoje e tomei um bruta susto. Afinal, o Banco do Estado de São Paulo já não existe mais. Que greve seria essa? A crise é tão brava que atingiu até instituições desaparecidas?

Não, logo reparei que estavam tratando do time de vôlei feminino do Esporte Clube Banespa, que participa da Superliga. Acontece que o patrocinador está tirando o cavalinho da chuva, e, com isso, o dinheiro para o pagamento das atletas. Com isso, o clube está com alguns meses de salários atrasados e as jogadoras fizeram greve, algumas rescindiram contrato e as dez remanescentes (que não formam dois times completos, portanto) ameaçam processar o clube.

Tenho minha simpatia pelo E.C. Banespa. Meu pai era banespiano, então freqüentei por muitas vezes as sedes do clube. Em especial a da Penha, e guardo boas recordações dos quiosques e do lago da sede de Vinhedo. Restaram a carteirinha que não vale mais, um boné do futsal e uma bolsa com o nome do clube.

Queria muito ter tido a camisa de futsal, era listrada em vermelho e branco, como a camisa do Náutico. Mas minha mãe nunca comprou porque dizia que era cara. Era a camisa de um grande time de futsal (na época, chamado de futebol de salão), que foi campeão num campeonato disputadíssimo que acompanhei quando criança pela TV Jovem Pan, canal 16 UHF, com apresentação de Milton Neves. Lembro que a final foi disputada contra o time da GM, que tinha camisa azul e branca e um goleiro chamado Cachimbo. Se não me engano, corria o ano de 1992.


Além do futsal, o Banespa sempre foi muito forte no vôlei, especialmente no masculino. A poderosa equipe de voleibol dos anos 80 e 90 conseguiu, entre outros títulos, o de hexacampeão Sul-Americano e duas vezes vice-campeão Mundial. Na foto, o time de 1991. Em pé: Ricardo (supervisor), Neto, Marcelo Negrão, Allan, Ronaldo, Léo, Tande, Pipo, Amauri, Giovane, Imai (assistente técnico) e Getúlio (gerente). Sentados: Luizão (massagista), José Elias (preparador físico), Dentinho, Mauricio, Montanaro, Paulo Rogério, Paulo Coco, Dema, José Augusto (preparador físico) e Josenildo (técnico) - foto extraída do site do E.C. Banespa.

Uma grande tristeza da privatização do Banespa foi o fim dessa marca. Nome forte, nome de banco sólido: "Banespa, a força do Estado de São Paulo", dizia a propaganda, cheia de referências do nosso Estado... plantações, gado, cidades grandes, gente trabalhando etc. etc. E, como filho de banespiano, que cresceu vendo o pai ir trabalhar numa agência, nutria grande afeição por essa instituição bancária, certamente maior que a que meu pai tinha pelo banco, já que ele tinha que encarar as carimbadas e clientes todos os dias. Eu ficava só com as boas imagens...

Só restou mesmo o clube. Não sou mais sócio dele, mas a simpatia permanece. O distintivo ainda é o mesmo. O uniforme se modificou e o Santander pulou fora de patrocinar e investir no esporte. O negócio dos espanhóis é patrocinar equipes de Fórmula 1, pelo visto. É surpreendente que o último logotipo do banco antes da privatização ainda seja utilizado na logotipia do clube.

Não deve ser fácil para um clube que tem o nome de um banco que nem existe mais conseguir patrocínio...

Longa vida ao Banespa. Que os deuses do esporte estejam sempre ao lado dele.

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