sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

I Prêmio Homem Vestido de Galinha - resultado

Olá teleblogueiros!

Os votos já foram recebidos e apurados!

Foram jurados da eleição dos piores do ano da TV brasileira:

Levy Fioriti (Página do Silvio Santos)
José Eustáquio Lopes de Faria Júnior (Coluna do José - com. SBT orkut)
Guilherme Guidorizzi (blog Central de Notícias)
Paulo Almeida Prado (blog Color Screen)
Igor C. Barros (blog SodTV!)
Jorge William (independente)

Os votos podem ser conferidos nos comentários do post anterior.

Abaixo, o resultado:

Programa de TV
Geraldo Brasil (Record) - 4 votos
Superpop (RedeTV!) - 1 voto
Video Show (Globo) - 1 voto

Pior Programa: Geraldo Brasil

Apresentador(a)
Daniela Albuquerque (RedeTV!) - 5 votos
Gugu (Record) - 1 voto
Ana Hickmann (Record) - 0 voto

Pior Apresentadora: Daniela Albuquerque

Humorístico
Pegadinhas Picantes (SBT) - 6 votos
Show do Tom (Record) - 0 voto
Pânico na TV (RedeTV!) - 0 voto

Pior Humorístico: Pegadinhas Picantes, por unanimidade

Programa Infantil
A Turma do Didi (Globo) - 4 votos
Geral.com (Globo) - 2 votos
Sábado Animado (SBT) - 0 voto

Pior Programa Infantil: A Turma do Didi

Jornal
Jornal da Record (Record) - 3 votos
RedeTV News (RedeTV!) - 3 votos
Leitura Dinâmica (RedeTV!) - 0 voto

Pior Jornal: empate entre Jornal da Record e RedeTV News

Apresentador(a) de Telejornal
José Luiz Datena (Bandeirantes) - 4 votos
Zileide Silva (Globo) - 2 votos
Celso Freitas (Record) - 0 voto

Pior Apresentador de Telejornal: 4 votos

Narrador esportivo
Luciano do Valle (Bandeirantes) - 4 votos
Galvão Bueno (Globo) - 2 votos
Silvio Luiz (RedeTV!) - 0 voto

Pior Narrador Esportivo: Luciano do Valle

Comentarista esportivo
Arnaldo Cezar Coelho (Globo) - 2 votos
Oscar Roberto Godói (Bandeirantes) - 2 votos
José Ferreira Neto (Bandeirantes) - 2 votos

Pior Comentarista Esportivo: segundo o regulamento, em caso de empate triplo, o prêmio não é entregue.

Novela
Vende-se um Véu de Noiva (SBT) - 3 votos
A Feia Mais Bela (Record) - 2 votos
Revelação (SBT) - 1 voto

Pior Novela: Vende-se um Véu de Noiva

Reality Show
A Fazenda 2 (Record) - 3 votos
No Limite 4 (Globo) - 3 votos
A Fazenda (Record) - 0 voto

Pior Reality Show: empate entre A Fazenda 2 e No Limite 4.

O blog Transcendentes Lado B agradece a todos que participaram e, principalmente, àqueles indicados, que fizeram esta premiação possível.

Até o ano que vem com mais um Prêmio Homem Vestido de Galinha!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Dois Anos

Ontem este blog completou 2 anos de existência e eu nem havia percebido. O que era apenas um blog criado por dois amigos com visões em comum se transformou em quatro blogs, o Transcendentes, o Baú do Silvio, o Letras do Trem e o Transcendentes Lado B.

Nesse tempo, muitos amigos virtuais chegaram. Alguns sumiram, é verdade, mas acredito que consegui formar um público cativo, ainda que pequeno, mas fiel.

Obrigado e vamos em frente!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O amigo Lombardi

Uma das idéias que eu pretendia lançar (e talvez ainda lance) no blog O Baú do Silvio, nosso site especializado em Silvio Santos, era uma brincadeira mais ou menos assim: "por que você gostaria de ser o Silvio Santos?"

Provavelmente diriam que gostariam de ser para ter dinheiro, ou para jogá-lo ao auditório, ou para poder tirar sarro das pessoas sem que elas se irritem (Silvio Santos tem esse dom)... enfim, são inúmeras as respostas possíveis.

A minha seria: eu gostaria de ser o Silvio Santos para ter um Lombardi.

Você certamente já foi a uma festa chata ou a algum lugar onde não tinha ninguém legal para conversar. Que bom seria se eu tivesse um Lombardi ali na hora, para puxar assunto e contar anedotas enquanto o tempo passa!

Ou no meio da roda de conversa, o assunto está acabando e você pressente que em breve irá se dar um desagradável silêncio sepulcral. Para resolver, bastaria chamar o Lombardi, pedir para ele falar alguma coisa e logo o papo retomaria, animado.

E naquela hora em que a conversa está ficando embaraçosa e constrangedora, ou então quando você acabou de cometer um baita mico e todos estão olhando para sua cara? A solução é gritar "vai, Lombardi", e ele certamente dirá alguma coisa que poderá aliviar a sua barra e ajudar a mudar rapidamente de assunto.

Eu não conheci o Lombardi, o locutor. O lendário escudeiro de Silvio Santos, com quem trabalhou por quatro décadas, sempre narrando os prêmios, os resultados das gincanas, os números sorteados, os reclames publicitários e brincando com o Homem Sorriso da TV, sem se importar em não aparecer nem em ficar famoso ou milionário.

Toda vez que Silvio chamava, fosse para o que fosse e quando fosse, o Lombardi respondia prontamente, e entrava na brincadeira. Ele nunca deixava o Silvio na mão.

É por isso que imaginei o quão interessante seria ter um amigo que agisse como o Lombardi agia na televisão. Alguém que está sempre de prontidão para quando você precisa de uma conversa, de uma palavra, de um conselho. Aquele para quem você pede opiniões e que age até como secretário, pois você o consulta para ficar por dentro das informações. Capaz de sugerir o melhor remédio para gripes e resfriados, o melhor tênis anti-microbiel e a melhor butique para comprar muamba e tomar um guaraná em Nova Iorque.

É um cara tão legal que você faz questão de levá-lo para onde você for. Ele pode até ficar calado o dia inteiro, só observando, mas quando você o chama, ele atende imediatamente, e diz a palavra certa para aquele momento. Ele tem o mesmo timing que você tem.

Esse amigo não se importa em ficar de lado às vezes. Não sente ciúmes de seus outros amigos, namorada, esposa, filhos etc. Sabe que tem o lugar dele, que é cativo, e que nunca irá perder.

Quem o vê sempre do seu lado tão atencioso pode achar que se trata de um empregado, ou então, maliciosamente, cogitar um romance entre "dois viadinhos". Mas não é nada disso. São apenas dois grandes amigos, que se conhecem muito bem e há muito tempo, se gostam e se admiram.

Tudo isso não passaria de um texto bem-humorado em que a interação entre um animador de televisão e seu locutor é transposta para o mundo "real" e adaptada numa relação ideal de amizade. Mas esse Lombardi não existe mais. Morreu no dia 2 de dezembro, e só então o público descobriu não só sua verdadeira identidade, mas seu verdadeiro caráter. O que fazia e como agia fora da televisão.

Um amigo Lombardi eu não tive. Mas Silvio Santos teve, e vai sentir muita falta dele. E nós de vermos essa amizade todos os domingos pela televisão.

I Prêmio Homem Vestido de Galinha

O blog Transcendentes Lado B resolveu instituir o prêmio Homem Vestido de Galinha, que é o símbolo deste site, para os piores do ano. Assim podemos relembrar momentos nada memoráveis, tendo em vista que o Troféu Santa Clara, que fazia essas vezes, não existe mais.

Categorias e indicados:

Programa de TV
Superpop (RedeTV!)
Geraldo Brasil (Record)
Video Show (Globo)

Apresentador(a)
Daniela Albuquerque (RedeTV!)
Ana Hickmann (Record)
Gugu (Record)

Humorístico
Pegadinhas Picantes (SBT)
Show do Tom (Record)
Pânico na TV (RedeTV!)

Programa Infantil
Sábado Animado (SBT)
Geral.com (Globo)
A Turma do Didi (Globo)

Jornal
Leitura Dinâmica (RedeTV!)
Jornal da Record (Record)
RedeTV News (RedeTV!)

Apresentador(a) de Telejornal
José Luiz Datena (Bandeirantes)
Celso Freitas (Record)
Zileide Silva (Globo)

Narrador esportivo
Galvão Bueno (Globo)
Luciano do Valle (Bandeirantes)
Silvio Luiz (RedeTV!)

Comentarista esportivo
Arnaldo Cezar Coelho (Globo)
Oscar Roberto Godói (Bandeirantes)
José Ferreira Neto (Bandeirantes)

Novela
Revelação (SBT)
A Feia Mais Bela (Record)
Vende-se um Véu de Noiva (SBT)

Reality Show
A Fazenda (Record)
A Fazenda 2 (Record)
No Limite 4 (Globo)

Os indicados foram definidos através dos comentários deixados pelos visitantes do blog, que serão divulgados somente depois da eleição. A eleição será feita por um júri convidado pelo blog.

PS: Os comentários não serão publicados antes para não influenciar as votações!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Os feriados na teoria e na prática

Não me levem a mal, esse post é apenas uma brincadeira, e tem algumas maldades e exageros, eu admito, no meio do texto. Se levarem no bom humor, saberão se divertir!

1º de janeiro - Dia da Confraternização Universal
Na teoria: dia de celebração entre os povos desejando um início de ano repleto de paz e cordialidade.
Na prática: réveillon no meio do congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes

entre fevereiro e março - Carnaval
Na teoria: dois dias de festa que antecedem o período de reflexão espiritual da Quaresma.
Na prática: ninguém é de ninguém; todo mundo atrás do trio; congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes

entre fevereiro e março - Quarta-Feira de Cinzas
Na teoria: é o dia em que se retorna ao trabalho após a festa do Carnaval e se inicia o período de reflexão da Quaresma, que rememora os momentos anteriores à crucificação de Cristo.
Na prática: no Nordeste: ninguém é de ninguém; todo mundo atrás do trio; no resto do País: volta ao trabalho de ressaca, início efetivo do ano no Brasil; congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes (desta vez subindo a serra)

entre fevereiro e março - Páscoa
Na teoria: mesa farta para celebrar a renovação, a ressurreição de Cristo.
Na prática: a criançada só quer saber de chocolate; um feriado que sempre cai no domingo...

21 de abril - Tiradentes
Na teoria: dia de reverenciar a história do mártir da causa da Independência do Brasil, Joaquim José da Silva Xavier.
Na prática: congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes

1º de maio - Dia do Trabalho
Na teoria: dia de confraternização entre companheiros de trabalho, celebração das conquistas trabalhistas e políticas da classe operária.
Na prática: congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes

entre junho e junho - Corpus Christi
Na teoria: festa que celebra a presença real de Cristo na eucaristia da Igreja Católica; procissão em cima de tapetes desenhados feitos de pó e grãos; presença obrigatória na missa
Na prática: ninguém sabe o que significa esse feriado; quando o Palmeiras perde na véspera, diz-se que é dia de "porcos tristes"; o bom é que sempre cai numa quinta-feira, portanto, congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes

9 de julho - Revolução Constitucionalista de 1932
Na teoria: dia de renovar o orgulho paulista pelo levante contra o governo de Getúlio Vargas por uma nova Constituição.
Na prática: feriado no meio das férias é chato; como é inverno, se estiver friozinho, engarrafamento em Campos do Jordão; se estiver calor, congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes

7 de setembro - Dia da Pátria
Na teoria: dia de renovar o sentimento patriótico, valorizar a História do Brasil e a sua independência da metrópole portuguesa.
Na prática: é o único dia do ano em que o Museu do Ipiranga fica lotado; congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes

12 de outubro - Nossa Senhora Aparecida
Na teoria: dia de rezar e agradecer à Padroeira do Brasil e reverenciá-la, fortalecendo a fé católica.
Na prática: a criançada só quer saber de presentes; as pessoas mais pedem do que agradecem à Santa; congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes

2 de novembro - Finados
Na teoria: dia de homenagear os entes queridos que partiram para outro plano espiritual, visitando suas sepulturas, enfeitando-as com flores e acendendo velas em suas memórias.
Na prática: dia em que se percebe que a placa de bronze com o nome da família e a porta do túmulo foram roubadas; congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes

15 de novembro - Proclamação da República
Na teoria: dia de renovar, mais uma vez, o espírito patriótico, e de celebrar o legado de Deodoro da Fonseca para o pensamento republicano brasileiro.
Na prática: na verdade, até hoje não se sabe qual foi a contribuição do Marechal para o pensamento republicano. Então, o que resta é o congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes

20 de novembro - Dia da Consciência Negra
Na teoria: dia de dar valor ao legado do africano à cultura e à sociedade brasileira e de refletir sobre a resistência dos escravos à opressão dos seus senhores, que até hoje gera sérios disparates aos descendentes.
Na prática: o que importa é que é um feriado seguido do outro em novembro, por isso congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes

25 de dezembro - Natal
Na teoria: dia de festa pelo nascimento do Menino Jesus.
Na prática: reunião de parentes que não estavam a fim de se ver; a criançada só pensa nos presentes; Rua 25 de Março entupida; congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes

31 de dezembro - Réveillon
Na teoria: dia de festa pela chegada do Ano Novo
Na prática: ninguém sabe como se escreve "réveillon"; pegar no sono vendo o Show da Virada ou estourar garrafa de sidra no meio do congestionamento no sistema Anchieta-Imigrantes

Chamando o intervalo

Os apresentadores de televisão brasileiros historicamente sempre foram bastante criativos, e traziam da escola radiofônica seus bordões e frases de efeito que ficaram marcadas na memória dos telespectadores.

Um desses momentos especiais ocorria quando era necessária a chamada do intervalo comercial. Listamos abaixo as frases que ficaram marcadas e fazem parte dos 59 anos de sucesso da televisão no Brasil.

CHACRINHA - o Velho Guerreiro cantava uma marchinha, acompanhado das Chacretes, que giravam o dedinho enquanto dançavam.

Roda, roda, roda e avisa
Um minuto pro comercial
Alô, alô, Terezinha
É um barato o Cassino do Chacrinha


RAUL GIL - o animador paulistano também tinha uma marchinha para os intervalos, que chegou a lançar em compacto pela Crazy Discos no carnaval de 1977.

Vai lá, Brasil, vai lá
Vamos faturar
Vamos faturar

Esse é um País que vai pra frente
De um povo feliz e contente
Pela grandeza da nossa nação
Vamos faturar juntos irmãos


Raul Gil trocou a música, mas sempre querendo faturar.

Ô lê lê
Ô lá lá
Espere um pouquinho
Vamos faturar


SÉRGIO MALLANDRO - pela CNT-Gazeta, Mallandro também tinha uma musiquinha que cantava com as Mallandrinhas para chamar o intervalo.

Ma-ma-ma Mallandro
Festa do Mallandro
Na CNT Gazeta
Não troque de canal
É hora do comercial


GUGU - Nos tempos de Viva a Noite, o intervalo era precedido por um grito do apresentador, seguido pelos vivas entusiasmados do auditório e dos convidados.

Viva a Noite!
Viva!
Viva!
Viva!


FLÁVIO CAVALCANTI - seu jeito característico era bradar pelos comerciais, erguendo o indicador para o alto.

Nossos comerciais, por favor!

PROFESSOR RAIMUNDO - O personagem de Chico Anysio também tinha um jeito particular, acompanhado de um gesto com as mãos.

É vapt, vupt!

CELSO PORTIOLLI - Essa frase é dos tempos de Passa ou Repassa. O "fica por aí" ele ainda fala no Domingo Legal, mas o complemento da frase (uma rima bem sem graça) ele não repete mais.

Fica por aí que você vai se divertir!

MARIANE - O jeito meigo e infantil da apresentadora do SBT no começo dos anos 90, colocando as mãos na bochecha.

Agora vamos curtir um super desenho e, daqui a pouquinho, eu tô de volta!

SERGINHO GROISMAN - uma das frases mais memoráveis da TV dos anos 90, a frase era iniciada por Serginho e completada por alguém da platéia.

Programa Livre volta... já!

GILBERTO BARROS - Apontando o dedo para o alto, mas sem a mesma classe de Flávio Cavalcanti, Gilberto Barros chamava o intervalo de seu Boa Noite Brasil pela Bandeirantes.

Em um minuto, Brasil!

LEÂO LOBO - Uma frase cheia de carinho para a classe publicitária brasileira.

Vamos abrir um espaço para os nossos publicitários darem os seus recadinhos.

SONIA ABRÃO - anunciava um girinho, talvez influenciado pelo "roda, roda" de Chacrinha?

Um girinho rápido e já, já, voltamos.

RATINHO - mandava rodar:

Vamos para o intervalo e já que nós voltamos! Pó rodá!

FAUSTÃO - Fausto Silva é dos poucos a lembrar que intervalo se chamava "reclame" nos tempos da TV à lenha, e ainda homenageia a famosa vinheta de intervalo da Rede Globo.

Voltaremos depois dos reclames do plim-plim.

SILVIO SANTOS - não precisa a frase completa, mas a sua pronúncia de "aguardem", com o M bem esticado, é um clássico.

Vamos para os nossos comerciais e voltaremos logo, aguardem.

Esqueci de algum? Comente!

De quem é essa voz

Vésperas da Copa do Mundo de 1970. A Rádio Globo queria criar algo diferente para as tranmissões esportivas. O famoso locutor da emissora Waldir Amaral e o diretor da estação Mário Luiz tiveram a idéia e Edmo Zarife partiu para a cabine, onde ficou por várias horas gravando várias frases e palavras. Uma delas seria a escolhida para a vinheta de incentivo à Seleção. Ele mesmo conta como tudo aconteceu.

A melhor solução foi uma palavra só: Brasil. Ou melhor, "Brasil-sil-sil...", com um efeito de eco. Edmo se foi, em 1999. Mas sua criação e sua voz estão aí, até hoje, embalando os brasileiros em jogos de futebol, vôlei, basquete, corridas de Fórmula-1, jogos olímpicos...

Já nos anos 60, um estúdio de dublagem paulistano, com uma equipe de marcantes vozes, se responsabilizou por dar um jeitão brasileiro aos enlatados (literalmente, pois as fitas vinham em rolos), quer dizer, aos desenhos, filmes e séries que a TV Brasileira ia exibir. Nem imaginavam que aquele trabalho se tornaria clássico e que aqueles produtos estrangeiros continuariam sua saga pelos televisores de todo o País durante décadas e décadas a fio. E tudo começava, para o público, com uma voz, dizendo: "Versão Brasileira, A.I.C., São Paulo". A.I.C., iniciais para Arte Industrial Cinematográfica. A voz é de Carlos Alberto Vaccari, recentemente falecido.

E eis que surge na internet um lugar para a devida homenagem. Um blog, contando tudo sobre aquele famoso estúdio, e até curiosidades sobre como era feita a tradução dos textos. Tudo feito pelo entusiasta Marco Antônio dos Santos. Vale a visita.

YOUTUBE BÔNUS
homenagem à AIC São Paulo


Atualização:
Hoje, 20 de novembro, a classe artística se despede e rende homenagens a Herbert Richers. O produtor de cinema que nos anos 50 e 60 lançou diversas fitas com comédias e chanchadas de Dercy Gonçalves e Ronald Golias, e depois fundou um dos maiores e mais icônicos estúdios de dublagem, que leva seu nome, faleceu aos 86 anos de idade. A frase "versão brasileira Herbert Richers" dita no início de telefilmes, episódios de seriados e desenhos virou até cult, pois há mais de 30 anos está presente no dia-a-dia dos lares brasileiros. Herbert Richers deixa um legado e uma legião de pessoas que sequer o conheciam, mas que a ele devem muitas alegrias e emoções proporcionadas pelas vozes dos dubladores desse estúdio.

postagem original em 25/11/08
atualizado em 20/11/09

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

As 10 demissões mais estranhas da TV Brasileira

10. Jackeline Petkovic - substituída por crianças
A loirinha que surgiu no programa Fantasia era prata-da-casa e comandava o infantil Bom Dia & Cia. desde 1998, até que em 2003 o SBT concluiu que sua presença no vídeo não causava impacto na audiência, pois o programa dava os mesmos índices com crianças para apresentá-lo, além do salário das crianças ser mais baixo.

9. Luisa Mell - ciúme de colega teria causado demissão
Luisa Mell apresentava na RedeTV! um programa sobre animais, com boa audiência. A produção trabalhava para mais uma edição quando ela recebeu telefonema dizendo que não precisava mais comparecer à emissora. Começaram os boatos de que a demissão teria sido causada por sua colega Daniela Albuquerque, apresentadora do mesmo canal e namorada do presidente da empresa. Luisa havia sido namorada do empresário antes de Daniela, o que teria provocado sua saída.

8. Jorge Kajuru - demitido no intervalo
Em 2004, Brasil e Argentina iriam se enfrentar no Mineirão. Uma farra de ingressos distribuídos pelo governo de Minas para 10 mil convidados em camarotes vistosos, enquanto o povão se espremia tentando passar pelos portões estádio adentro. Kajuru entrou no ar em link do Jornal da Band mostrando a situação e foi elogiado pelo âncora Carlos Nascimento. Depois, no Esporte Total, Kajuru continuou cobrindo os bastidores do jogo, mostrando e denunciando diversos problemas na organização, além de tecer duras críticas às autoridades mineiras, pois a entrada para cadeirantes havia se tornado entrada VIP. Kajuru chamou o intervalo, mas na volta era outro o apresentador. O polêmico jornalista goiano foi afastado da condução do programa durante o break e, incrédulo, demitido na manhã seguinte da emissora.

7. Boris Casoy - uma vergonha federal
A credibilidade que Boris Casoy passava foi um fator para que a Record o tirasse do SBT e o levasse para apresentar o Jornal da Record. Até que, em 2005, a emissora que cada vez mais queria se aproximar dos estilos e padrões da Globo, rescinde o contrato com o âncora. Em seu lugar entraria um casal de apresentadores que, acreditava a Record, aumentaria a audiência. Além disso, as constantes críticas à corrupção no Governo Federal e os misteriosos assassinatos de prefeitos do PT tornaram a emissora alvo de ameaças e retirada de publicidade estatal. Boris Casoy afirmou que sua saída teve como causa motivos políticos.

6. Soninha - demitida por causa da maconha
Soninha Francine, ex-VJ da MTV, comentarista de futebol e política, em 2001 apresentava o programa RG pela TV Cultura. Saiu na capa de uma reportagem da Revista Época com outras personalidades e a manchete "Eu fumo maconha". A TV Cultura, justificando-se como emissora pública, declarou não aceitar que seus funcionários manifestem publicamente práticas atentatórias às leis vigentes no país, sobretudo quando se trata de apresentadora de programa destinado ao público jovem. E rescindiu o contrato com Soninha.

5. Joelmir Beting - notícia pode; propaganda não pode
O veterano economista topou fazer propaganda do Bradesco em 2003 e foi demitido da Globo, na qual era comentarista dos telejornais. Diz uma máxima da emissora que os jornalistas não podem fazer propaganda em hipótese alguma. Falando nisso, foi o que motivou a saída de Sérgio Chapelin da Globo para o SBT, em 1983, pois estava interessado em faturar com publicidade e ser apresentador de auditório. Não deu certo, porque as propagandas foram vetadas de ser exibidas na Globo. O curioso é que Marília Gabriela é jornalista, vive fazendo comerciais e não é mandada embora.

4. Clodovil - demitido por falar demais
Clodovil sempre criou polêmicas por todas as emissoras nas quais passou. Em 2005, contratado da RedeTV!, apresentava A Casa É Sua, e dava opiniões sobre diversos assuntos, à boca solta. O programa que era ao vivo passou a ser gravado para tentar controlar, pela edição, a língua ferina do apresentador, que já havia esculaxado Marta Suplicy, criticado o presidente da Bandeirantes Johnny Saad e abalado a própria emissora após criticar duramente sua estrutura e desentender-se com Luciana Gimenez e a turma do Pânico. Mas quando Clodovil resolveu dar sua opinião sobre Luisa Mell, foi a gota d'água. Dizer que a moça se tornaria atriz pornô foi o fim da picada.

3. Adriana Colin - demitida por estar velha
Ex-modelo e cantora, Adriana participou do clássico Fantasia do SBT e desde 2002 fazia os merchans do Domingão do Faustão (papel denominado pela emissora de "apresentadora comercial"). Há poucos dias foi demitida do cargo, por ser considerada velha demais para a função.

2. Chacrinha - demitido por ser popular demais
O Velho Guerreiro saiu da TV Globo em 1972, mesmo com seu programa fazendo muito sucesso pela emissora. É que Boni e Walter Clark estavam impondo o "Padrão Globo de Qualidade" e mudando o perfil da programação da emissora. Programas de auditório populares estavam com com os dias contados. O único sobrevivente foi Silvio Santos, que renovou contrato após negociar diretamente com Roberto Marinho. Dez anos depois, Chacrinha se sentiria vingado após ser recontratado pela emissora carioca com status de grande estrela.

1. Mariane - demitida por cortar o cabelo
A bela loirinha Mariane estreou na TV pelo SBT em 1989, no programa Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si com Mariane. Em 1990, passou a apresentar um infantil que levava seu nome e lançou um disco que fez muito sucesso. Tudo corria bem, mas no ano seguinte, após cortar o cabelo bem curtinho, a direção da emissora não gostou e a demitiu, exatamente no dia do seu aniversário. Uma grande injustiça até hoje não reparada.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Adeus, GeoCities

O Yahoo!, dono do serviço de hospedagem gratuito GeoCities havia anunciado que esse serviço estava com os dias contados. E a contagem chegou ao fim ontem, mas alguns endereços ainda permanecem no ar.

GeoCities me traz muitas lembranças dos meus primeiros tempos de Internet. Lembro como se fosse hoje, eu puxava uma extensão telefônica pelo corredor para poder ligar o modem à tomada, usava a senha emprestada dos meus primos, que tinham uma conta no SOL (SBT On Line, servidor do Grupo Silvio Santos que já não existe mais) ou de amigos que assinavam UOL. Tempos depois, eu baixei discador do iBest, do iG, do Click21 e do Net Gratuita. Os melhores eram o do iG e do iBest. Até um tempo atrás, eu sabia os telefones de conexão de cor. Mas já esqueci.

Faz lembrar também que meus dois primeiros e-mails eu fiz no Starmedia.com e no Zip.net. Não lembro mais dos endereços, mas a senha, sim, pois eu usava sempre a mesma.

E quantos sites do GeoCities eu encontrei e salvei nos favoritos... tudo graças às pesquisas no Yahoo! e no Altavista, que eu achava melhor. Descobertas que me tomavam horas e downloads lentos de Carsets para Grand Prix 2, add-ons para Fifa 99, em sites que nem existem mais.

Foi do GeoCities um dos meus endereços mais acessados 10 anos atrás. Full House @loha, site que tinha tudo o que era informação sobre o seriado Full House, que eu nunca perdia um episódio, de segunda a sexta, seis e meia da tarde na Warner Channel.



E depois, eu e meu grande amigo Erik, lançamos um site no GeoCities também. Era o Consulado de Zúmpia, um país fictício que eu inventei. Primeiro pusemos no ar pelo Xoom, um concorrente do GeoCities que foi para o saco na bolha da internet.

Depois eu e o Erik ainda viramos, nem lembro como, colunistas num site de Fórmula 1. Dois pirralhos de 14 anos! Pena que eu não salvei os textos.

Vá em paz, GeoCities. Obrigado por tudo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Novo dono para o Dipo

Há muito tempo postei aqui um boato de que a S.A. O Estado de S. Paulo, publisher dos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, além de atuante em diversas outras mídias, estaria tendo parte de suas ações adquiridas pelas Organizações Globo.

Mas era mesmo só especulação e fofoca.

Esta semana, porém, as Organizações Globo venderam o jornal Diário de S. Paulo para o grupo Traffic, de J. Hawilla, aquele conhecido do marketing esportivo. Hawilla é dono de outros jornais, e agora entra no mercado paulistano.

A Globo, assim, deixa de ter um jornal em São Paulo. No Rio de Janeiro, com seus diários Extra e O Globo, a empresa domina as bancas de jornais. Na terra da garoa não teve a mesma sorte. O atual Diário de S. Paulo era o antigo Diário Popular, fundado na década de 80 do século XIX, um jornal mais focado em notícias da cidade e policiais, e carinhosamente apelidado de Dipo pelos seus leitores.

Pode-se dizer que a incursão da Globo no mercado de jornais paulistano tenha se resultado num fracasso? Talvez. O Diário de S. Paulo não tinha a pretensão de derrubar os grandes como Folha e Estado, mas enfrentou ferrenha concorrência dos médios Agora e Jornal da Tarde (respectivamente, títulos publicados pelo grupo Folha da Manhã e pela S.A. O Estado de S. Paulo).

Talvez, também, seja o reflexo da tão falada e pouco provada crise que vai minando os jornais em papel, que, conforme dizem os tecnomaníacos apocalípticos, a cada dia é mais substituído pela internet e pelos leitores de cristal líquido. Dizem que os jornais irão acabar. Mas eu duvido. Senão, como faremos para embrulhar banana e peixe na feira, sem o caderno grosso de classificados de domingo?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Doutor Abobrinha



Para quem passa pelo bairro da Penha de França, usa o metrô, o viaduto Aricanduva ou a Avenida Celso Garcia, a referência do tradicional bairro da Zona Leste de São Paulo sempre foi a Basílica Nossa Senhora da Penha, encravada no alto do centro histórico da região.

Mas não é mais.

Uma construtura ergueu um espigão que tampa a visão da bela igreja e ainda faz sombra em cima dela.



O feito é comparável às maldades mais descabidas de vilões de histórias infantis e faz lembrar o Doutor Abobrinha, aquele que queria derrubar o Castelo Rá-Tim-Bum para construir no lugar um prédio de 100 andares.

Na Penha não foram necessários tantos andares. Bastaram um estilo neoclássico horroroso e uma opulência exagerada, típica dessa São Paulo contemporânea, cheia de contrastes e metida a besta, que despreza o antigo e descaracteriza a sua própria história. A atividade religiosa na Penha data do século XVI; o bairro surgiu em volta de antigas igrejas lá pelos idos de 1680. Parece que tiraram o prédio da região da Berrini e o levaram para lá.

Passado, presente e futuro, em São Paulo, dificilmente vivem em harmonia. Um quer engolir o outro.

O Monstro da Penha já é o apelido que recebeu o paquiderme de concreto. Infelizmente, parece ser o prenúncio de mais e mais verticalização por ali. As ruas estreitas da Penha conseguirão resistir? Chegará o dia em que, para ver a Basílica, somente se estiver na frente dela, ou por helicóptero.

Veja mais fotos e um texto completo no excelente site São Paulo Restaurada.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Dois aniversários

Neste mês de setembro de 2009 irei comemorar dois aniversários muito especiais.

Falarei primeiro do Instituto Federal de São Paulo. Trata-se da quarta denominação de uma instituição de ensino que completará, no dia 23, 100 anos de existência, e que até pouco tempo era chamada de Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo. O nome original dele era Escola de Aprendizes Artífices de São Paulo, mas o nome que o tornou conhecido como celeiro de grandes estudantes era Escola Técnica Federal de São Paulo.



A Federal foi a minha escola entre 2000 e 2002. A ela devo muitíssimo do que sou. Conheci bons e maus professores e fiz grandes amizades, das quais sinto bastante falta, mas procuro manter contato com boa parte dessas pessoas, seja pelo Twitter, seja pelo Orkut.

Aprendi a conviver com greves, com a estrutura nem sempre adequada, batalhas de servidores e sindicatos com o governo tucano de Fernando Henrique. Fiz almoços animados com pizza e hamburguer no Shopping D, visitei o Museu dos Transportes Públicos ali ao lado, andei de metrô e comecei a me sentir independente. Freqüentei um verdadeiro campus universitário, bem equipado e, ao sair, vi muitos colegas irem para USP, Unesp, Unicamp e ITA.

O outro aniversário a ser comemorado é o do Departamento Jurídico XI de Agosto. Entidade estudantil dos acadêmicos de Direito do Largo de São Francisco, desde 9 de setembro de 1919 presta assistência judiciária, advogando e orientando pessoas pobres de São Paulo, que não possuem condições de pagar advogados.

Amanhã, o DJ (dê jota), como é carinhosamente conhecido, completará 90 anos de existência. Destes 90, tenho a honra e a alegria de ter participado de 5. Entrei no segundo ano do curso, e agora, quase um ano após a formatura, lá ainda permaneço.



Amizades, amores, frustrações, desejos, tristezas, conquistas, vitórias, realizações, missões cumpridas, todas essas palavras traduzem a batalha diária de manter aquela estrutura funcionando para os mais de dois mil clientes e duzentos estagiários que ali circulam. E também a minha relação com esse lugar tão incrível.

Não há muito mais o que deva ser dito que muitos dos leitores assíduos do Transcendentes já não saibam. Porque boa parte deles são grandes amigos que fiz e carrego comigo, de lá de dentro. Assim como o Daniel, meu amigo criador deste blog.

Feliz aniversário para a Federal, o DJ XI de Agosto e para quem mais fizer aniversário neste mês de setembro!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

"Tudo é igual como era antes..."

vejam nesse site que sensacionais essas fotos da Normandia na Segunda Guerra Mundial e hoje.

As fotos foram tiradas dos mesmos ângulos, então é possível ver exatamente como estão os locais ontem e hoje.

Um aperitivo:



segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Largo largado

O Largo São Francisco está uma imundície só. Acabei de passar por lá. Hoje, que é dia de volta às aulas após um longo e tenebroso inverno de H1N1, os alunos das Arcadas foram recepcionados com muita sujeira, restos de comida e o aroma inconfundível de banheiro público.

Geralmente as segundas-feiras pela manhã na frente da Faculdade de Direito são meio repugnantes mesmo, pois a calçada não é lavada durante o fim de semana, e ali ficam repousando muitos moradores de rua, aproveitando a falta de movimento. Lá comem, dormem e fazem suas necessidades. Alguns trazem caçambas de lixo e cachorros, enquanto outros chegam até a armar barracas de lona e papelão.

O Largo, que já foi local de concentração de pombos e também de indiozinhos que vêm pedir dinheiro no Centro, ficou apinhado de moradores de rua graças ao sanitarismo praticado nos edifícios vizinhos e dos arredores da Sé. Muitos instalaram lanças nas soleiras de portas, impossibilitando que se sente ou deite ali. Além disso, outras estratégias muito usadas são a instalação de grades fechando as marquises à noite e a técnica da lavagem das calçadas no final do expediente: o chão molhado atrapalha a montagem de colchões de papelão.

Assim, esses moradores peregrinos em boa quantidade foram parar no Largo São Francisco. Alguns, alcoolizados, assustam os transeuntes. Outros mexem com as meninas, incomodando-as.

Ao mesmo tempo, dentro do prédio da Faculdade de Direito, há uma grande campanha de doação de dinheiro para reformas milionárias no prédio. Muitas delas investigadas pelo Ministério Público por intereferirem em edifício tombado. Ademais, o prédio da Faculdade foi restaurado há pouco tempo e quem passa em seu interior vê certo desleixo na arrumação do pátio e no uso do espaço do museu, às moscas.

A arrecadação já rendeu frutos. Semana passada, no dia 11 de agosto, aniversário da escola, foram inaugurados novos e chiques mastros de bandeira, na rua. Ali, pertinho dos moradores de rua, que provavelmente a tudo observaram, atentos.

Na semana passada também se deu a cervejada dos estudantes, na sexta-feira. Sem falar que foi a semana do tradicional "pindura", em que os alunos vão a restaurantes munidos de dinheiro, mas deixam de pagar após discursarem em festejo ao 11 de agosto.

O que se percebe disso tudo é uma tremenda dificuldade da Faculdade de Direito, aí se incluindo sua direção, o Centro Acadêmico XI de Agosto e os estudantes, de interagirem com o ambiente no qual a Faculdade está instalada. O prédio está reformado e reluzente, assim como a igreja contígua e a antiga Escola de Comércio Álvares Penteado, ao lado. Esses edifícios se iluminam, mas são como redomas de beleza alojadas em local pútrido. A bela viola está por dentro, e o pão bolorento fica do lado de fora.

Alguma ação prática precisa ser tomada, e que não seja a remoção das pessoas da calçada para outro lugar da cidade, ou mesmo para fora dela - coisa que acontece em várias cidades do mundo, lamentavelmente. Quem tem a ganhar com isso é a própria Velha Academia, pois de nada adianta manter suas tradições, se tem ao lado tantas contradições.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Mais um XI de Agosto


A Velha Academia completa mais um aniversário. Sem festa, sem graça. Dia de garoa insistente na cidade. A "Semana do Onze", com eventos, discursos, inaugurações, coquetéis, músicas do coral acadêmico, presença de ilustres antigos alunos que viraram gente importante ou celebridades fora do mundo jurídico é coisa do passado. A diretoria atual da Faculdade não cultivou essa boa tradição de homenagear e cultuar o passado da Escola.

Tá certo, esse ano há uma justificativa plausível: o medo da gripe A. Mas nos anos anteriores, sem gripe, a comemoração ficou aquém do esperado. Mesmo no 180º aniversário da Faculdade os eventos não ficaram à altura.

Por causa da suspensão das aulas, o Centro Acadêmico XI de Agosto também adiou os eventos que havia programado.

Assim, restam só as tradições tão divertidas quanto (ou mais, vamos admitir...): os Jogos Jurídicos, o Pindura e a Peruada. Tradições que, no entanto, por vezes, queimam o filme, porque podem ser resumida e pejorativamente descritas pelos que vêem de fora (especialmente a imprensa) como reunião de jovens alcoolizados para tirar a paz de uma cidade do interior / dar o cano no restaurante / parar o trânsito do Centro de São Paulo.

A São Francisco é uma festa. Mas hoje, no seu dia, não tem nenhuma festa.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Piercing e molas

Vendo os incidentes recentes com Felipe Massa, atingido por uma mola na cabeça, nos treinos para a corrida de Fórmula 1 na Hungria, passou-me pela cabeça uma idéia meio maluca, mas coerente: se ele estivesse usando piercing na sobrancelha, podia ter morrido!




É claro que piloto de corrida não usa piercing! Mas motoqueiro e motorista, sim, esses, às vezes, usam. Em qualquer atividade em que a pessoa fique exposta a levar uma topada na testa, usar piercing nesse lugar é perigoso. Quando a gente bate o nariz, ele não sangra? Geralmente sim. Então, quem usa piercing na sobrancelha, é como se tivesse um nariz naquele local também, pois fica mais suscetível a acidentes. A comparação foi péssima, mas deu para entender...

Imagine tomar uma bolada de um beque que só sabe dar chutão, numa pelada de várzea? Tostão descolou a retina num lance assim, antes da Copa de 70, mas numa partida oficial. Pior seria se, além de descolar a retina, o jogador precisasse passar por cirurgia para retirar piercing que afundou no crânio e ficou encravado por ali. É melhor nem pensar!

Obviamente, jogadores de futebol, assim como os automobilistas, não usam piercings. Mas as pessoas que praticam esportes de fim-de-semana, às vezes, usam! E é justamente para evitar acidentes que os atletas não podem usar anéis, brincos, correntes etc. durante disputas oficiais. Eles chiam, insistem, escondem do juiz, mas depois, durante o jogo, são pegos e obrigados a tirar. Não pensam no perigo desnecessário que correm, se, eventualmente, a corrente, o brinco, o anel, enroscarem em algum lugar no campo, por exemplo, na rede das traves, na própria grama ou no corpo de outro jogador. Podem até perder um dedo ou a orelha nessa brincadeira!


O jogador de basquete Dennis Rodman



Voltando ao piercing. Ontem houve a notícia de mais um avião que sofreu turbulências, fazendo com que os passageiros fossem arremessados de cima a baixo e trombando com tudo lá dentro. Claro que, nessa hora, o piercing também poderia causar ferimentos graves. Quem usa aparelho nos dentes sabe que qualquer esbarrão na boca já provoca corte nas gengivas. Nem dá pra imaginar o estrago de um piercing na língua num passageiro despencando como saco de batatas dentro do avião sacolejante que, involuntariamente, morde a língua e atinge aquela pontinha de metal. Deve doer um bocado.

A conclusão de tudo isso não é condenar o uso de piercing. Todo mundo tem o direito de usar o que quiser e quantos quiser. Mas, em algumas situações, é necessário cuidado. Afinal, acidentes acontecem com qualquer um, esteja ou não com a orelha ou qualquer outra parte do corpo furada.

sábado, 25 de julho de 2009

Sucesso no rádio, programa sobre anos 80 vai para TV

Luciano Nassyn e os Filhos de Dalila estarão na gravação do Geração na TV, programa de auditório que Ricky Colavitto e Fausto Fasan estão preparando para lançar na televisão, fruto do sucesso que fazem no rádio, com atrações voltadas para os anos 80.

Quem puder, não deixe de ir. Será um programa de auditório com música, animação e calouros, como nos bons tempos dos animadores de sábado e domingo na televisão.

sábado, 4 de julho de 2009

A morte do bezerro

O UOL pôs em destaque na sua página inicial: "A Fazenda" - Participantes do reality choram a morte do bezerro.



Diante dessa manchete, impossível não lembrar da famosa expressão "pensar na morte da bezerra", dito popular que significa estar distante, distraído, alheio à tudo. A origem do ditado é bíblica, como esse site explica.

A revista Caras em seu site conseguiu fazer uma manchete ainda pior:


Uma tremenda falta de cuidado dos redatores. Fica mais parecendo piada, deboche. Acaba deixando cômico um momento de tristeza que é a morte de um animal.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Que Fim Levou? - Pipi

Alguns amigos que dizem que eu gosto de coisas velhas deram para mim um exemplar de um livrinho publicado nos anos 80 com a biografia de Pipi, um jogador de futebol dos anos 40. Do tempo em que Pipi não era um apelido estranho, e que o Palmeiras era o Palestra Itália. Do tempo que se amarrava cachorro com lingüiça e que ainda não tinham posto a trema na lingüiça para tirar depois (mas vou continuar escrevendo do jeito que eu quiser).

Pois bem. Resolvi que a melhor coisa a fazer era enviar o livrinho a quem realmente dá valor a essas coisas. Escrevi um e-mail para o Milton Neves e perguntei se ele tinha interesse nisso para seu projeto "Que Fim Levou", um memorial fantástico de jogadores, times e personalidades futebolísticas.



Ele respondeu, dizendo que sim e me deu o endereço de seu escritório para que eu pudesse enviar pelo correio.

Mandei.

Dias depois, recebi uma correspondência. Era o Milton Neves. Mandou-me uma carta com um agradecimento gentil e um autógrafo, e uma revista com alguns "causos" da sua vida.

Valeu a pena. Gosto mesmo de coisas antigas, mas não pensei em guardar para mim algo que realmente tem muito mais valor para outra pessoa que sabe aproveitá-lo devidamente.

E já está no site do Milton Neves, com crédito para minha contribuição! Que beleza!

Clique abaixo para ler o artigo.

Que Fim Levou? - Pipi

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Gugu: ingratidão com o Patrão?



Com essa história de que o apresentador Augusto Liberato está se transferindo do SBT, onde está há 27 anos, para a Record, muitas polêmicas se levantaram. A maior delas, a de que Gugu estaria sendo ingrato com o homem que o revelou.

Quase todo mundo sabe que o Gugu chamou a atenção de Silvio Santos porque lhe escrevia constantemente sugerindo idéias para seu programa de televisão. Assim, ainda muito jovem, foi contratado e começou a trabalhar na produção do quadro Cidade Contra Cidade, ainda na Tv Tupi, onde tornou-se grande amigo de Homero Salles. Depois de alguma incerteza em ser ou não um homem de televisão, Gugu formou-se em jornalismo e virou repórter e, depois, apresentador no SBT.

Mas poucos sabem com detalhes que em 1988 a Globo contratou Gugu para apresentar um programa aos domingos. Desde que Silvio Santos deixara a Globo nos anos 70, a liderança de audiência dominical nunca mais foi da emissora carioca, e ela queria mudar esse panorama.

Naquele ano, Silvio estava com problema sério na voz e temia ter que se aposentar. Pensando nas conseqüências da contratação de Gugu pela Globo, e preocupado em perder um jovem valor que poderia, em sua visão, tornar-se seu sucessor aos domingos, foi até a casa de Roberto Marinho e conversou diretamente com ele. Assim, acertou os pontos, pagou a rescisão milionária do contrato e Gugu voltou. Silvio não via em Gugu apenas um rapaz de talento, mas também de bom caráter, vindo de família honesta e humilde. A Globo teve Gugu em seu cast por menos de um mês, tendo toda a reviravolta ocorrido em fevereiro de 1988.

Para ter Gugu de volta, o Homem do Baú deu metade do seu tradicional Programa Silvio Santos a Gugu, que começou pelas manhãs assumindo o Passa ou Repassa, que até então era apresentado por Silvio, no horário do extinto Domingo no Parque, e também conduzindo a nova versão do Cidade Contra Cidade. Antes, fez um "estágio" como uma espécie de secretário do Silvio durante programas inteiros (é famosa a cena dos dois juntos no Roletrando), exceto no Show de Calouros, palco no qual somente Silvio pisava.



Silvio Santos ficou quatro semanas fora da televisão, tratando seu problema nas cordas vocais. Na volta, explicou ao vivo em seu programa que, se perdesse o "menino" para a Globo, em breve o povo se acostumaria com ele e, o SBT, que também não iria mais contar com o próprio Silvio, que iria se aposentar em poucos anos, perderia sua tradicional força nos domingos.

Mas Silvio não se aposentou. Gugu se consolidou e ganhou cada vez mais tempo para seu programa, prestígio e dinheiro. A Globo resolveu a questão dos domingos trazendo Fausto Silva da Bandeirantes, reforçado com todo elenco de novelas da emissora à disposição do apresentador.

Porém, o que está acontecendo hoje é exatamente o que Silvio Santos temia que ocorresse em 1988. Ele, a quem Gugu já chamou de seu "mestre", está com 78 anos, e é consciente que sua carreira vai chegando ao fim, apesar de ainda ter fôlego, disposição e vitalidade para conduzir seu auditório. Nesse momento, perder Gugu não é só perder o "menino". É perder aquele em quem apostou durante todo esse tempo, tirando-o da Globo e dando-lhe metade de seu programa.

É como um soldado treinado por um país, mas que, quando chega a guerra, vai lutar com o adversário.

Essa é a opinião de muitas pessoas que acompanham com atenção a onda de notícias que mais mexe com a televisão na atualidade.

Adendo: Gugu assinou com a TV Record no dia 25 de junho de 2009, e a partir de então muitos telespectadores passaram a externar sua decepção e descontentamento por isso. Veja, por exemplo, o texto escrito em forma de uma carta "assinada" por Silvio Santos ao seu ex-pulilo.



*postagem original em 17/6/9, republicado com ampliações em 26/6/9

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A televisão fascina

Volto a falar de Roberto Justus, um dos mais bem-sucedidos empresários brasileiros do ramo da publicidade. Diferentemente de seus colegas Nizan Guanaes, Washington Olivetto e Duda Mendonça, para citar alguns, Justus não ficou conhecido do grande público por ter criado campanhas famosas ou envolvimentos com política e/ou times de futebol. Ao contrário, é o marco de uma era diferente nas agências de publicidade, mais corporativa, aparece como um executivo bem vestido e cheio de contatos, e não como um sujeito meio maluco e falante, de camisa colorida e gravata do Mickey, como era o estereótipo do publicitário um certo tempo atrás.

Digamos que Roberto Justus estava mais para o business do que para o show, deixando o folclore de sua profissão para o corinthianíssimo Olivetto e o marketeiro Duda.

Justus começou a deixar o business mais de lado e avançar no show, quando iniciou suas aparições em revistas de celebridades ao lado de namoradas famosas. E ganhou fama de ser um bom partido, evidentemente.

A Record apostou nele para ser apresentador de O Aprendiz, versão brasileira de um sucesso americano comandado pelo empresário e figurão Donald Trump. E Justus não decepcionou, tornando-se o programa de maior faturamento da emissora e emendando seis temporadas seguidas. Aí caiu nas graças do público. Resolveu até virar cantor e lançou um CD.



Agora, em meio à uma das maiores guerras de bastidores entre emissoras de televisão já vistas, Justus partiu da Record para jogar no outro lado, no SBT. Emissora de apelo muito mais popular, o canal fundado por Silvio Santos pensa em aproveitar Justus num game-show e/ou num talk-show.

A televisão deixou de ser para Roberto Justus apenas uma experiência interessante, na qual o público poderia conhecer seus pensamentos e sua filosofia de trabalho. Ele, que nem pensava em chegar tão longe, tomou gosto pela coisa, e resolveu investir nessa sua faceta.

Ninguém sabe ainda que programa Roberto Justus irá apresentar. Mas é certo que ele se deixou levar e passará a ser, para o público, cada vez menos empresário e mais apresentador. Menos homem de negócios, e mais artista. Na certa, no SBT, o desafio será muito maior: ele não poderá ser o apresentador que vocifera conhecimentos acadêmicos e se mostra extremamente culto e letrado. Ao contrário, a audiência da emissora espera dele apenas o poder de comunicação, a simpatia, o carisma, a identificação popular, o calor humano. Características que, talvez, não sejam condizentes com o perfil de um businessman.

Isso tudo só vem a mostrar o fascínio que a televisão continua exercendo. Mesmo hoje, quando os índices de ibope já não são tão elevados em razão da concorrência com a internet e os canais por assinatura, tornar-se um artista de televisão ainda é o sonho de muita gente, das mais humildes às mais ricas.

terça-feira, 16 de junho de 2009

E não é que o Levy Fidelix tinha razão?

Já não é a primeira vez. Faz algum tempo que o eterno candidato Levy Fidelix alega que o projeto do anel viário que interliga as rodovias da Grande São Paulo, evitando que os caminhões tenham que passar por dentro da cidade - o chamado Rodoanel - é idéia dele.

E agora, é o tal do aerotrem. Sim, a (única) bandeira de campanha, que há tantas eleições é cantada e elogiada como o mais moderno sistema de transporte do mundo por ele, agora foi parar na boca do secretário estadual de transportes, José Luiz Portela. Ouvi ontem na Rádio Bandeirantes.



O secretário falava sobre o projeto de transporte de massa para a cidade de São Paulo que estará pronto em 2012, antes da Copa do Mundo, portanto. Os trens da CPTM integrarão o Metrô, e haverá monotrilhos ligando a Luz ao aeroporto de Congonhas. O termo "monotrilho" foi dito ainda mais umas duas vezes, quando, então, querendo ser mais didático e claro, assumiu logo a palavra "aerotrem".

É isso mesmo. Mas será que se trata daquele trem magnético de altíssima velocidade, que aparecia em desenho animado e animação em 3D de péssima qualidade, nas propagandas-relâmpago de Levy Fidelix? Acho que nem importa. Para quem debochava do caráter visionário (pra não dizer maluco) do presidente e fundador do nanico Partido Renovador Trabalhista Brasileiro em transformar a paisagem da paulicéia numa Epcot Center desvairada, aí está: o aerotrem vem aí.

Se bem que, sabendo como os projetos do Metrô mudam tanto, é mais prudente esperar e ver o que virá.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O sábio e o ignorante


Aconteceu na sexta-feira à noite, na frente do Fórum João Mendes. Estava esperando a abertura do farol de pedestres, quando se aproximou um sujeito meio amarrotado e sujo, com uma sacola na mão. Pediu algumas moedas, e explicou que não era para tomar cachaça: precisava juntar alguns milhares de dólares para voltar para a África e reecontrar sua mãe.

Comecei a notar que o homem falava português muito bem, e que tinha um jeito de africano. Ele me agradeceu pela nota que lhe dei em português e perguntou como poderia fazer o mesmo em japonês. Disse que era arigatô. Ele então quis saber como se perguntava em japonês se a pessoa sentia dor.

Eu não sabia.

Ele disse que precisava saber disso para poder conversar e confortar um senhor oriental que está com a perna quebrada, algo assim. Que a língua japonesa não era o seu forte, mas que sabia alguma coisa de inglês e de alemão, pois seu pai era alemão, enquanto sua mãe era africana. Falou uma meia dúzia de palavras complicadas e perguntou se eu tinha entendido.

Eu respondi que não entendi nada.

Ele traduziu: "fique com Deus". Falou que sabia bem português porque está no Brasil desde os oito anos de idade, e que poderia ficar horas falando sobre as dezoito preposições, pois as dominava.

Eu não tinha idéia de que eram tantas e nem sei se sei usá-las!

"Você conhece Nietzsche?", ele me perguntou. "Foi um filósofo alemão", ele mesmo respondeu. Segundo Nietzsche, o mundo se repete em ciclos. Assim, daqui duzentos anos nós vamos estar de novo em algum lugar tendo essa mesma conversa e você vai me dar de novo essa nota de um real, ele explicou.

Eu não sabia disso.

Pra mim, Nietzsche era o sujeito de vasto bigode e nenhuma modéstia que escreveu alguns livros muito interessantes que os meus amigos Guilherme Arrobas e Thiago Leal gostam de comentar. Filosofia não é o meu forte. Pensei na hora que eles deviam estar lá comigo naquela hora para manter o nível da conversa.

Mas o humilde rapaz africano mudou de assunto. "Eu não te chamo de japa porque isso é preconceito", revelou. O mundo não precisa de mais preconceito, e sim de paz. Lamentou o que acontecia na Coréia do Norte e em Israel. E com toda a certeza, afirmou que Obama não vai fazer as coisas que prometeu.

Eu disse nada.

Política externa e assuntos internacionais não são meus assuntos preferidos. Pensei na hora como seria bom o meu amigo Gustavo Macedo aparecer por lá para não me deixar sem resposta.

O papo estava muito agradável, mas precisávamos ir embora. Ele, para a Avenida Rio Branco, onde se encontraria com um grupo de nigerianos. Eu, para o Terminal Parque Dom Pedro II, onde tomaria o CAIO Mondego da Via Sul Transportes, o famigerado Fura-Fila, e seguiria para casa.

Despedimo-nos com um aperto de mão forte. Ele beijou minha mão e se abaixou para limpar a sola do meu sapato. Não entendi ao certo, mas deve ser um gesto de muito respeito em sua cultura. Qual o seu nome? - finalmente perguntei. Alex, respondeu.

E lá se foi, um entre dez milhões de pessoas que vivem nessa cidade. O farol de pedestres abriu e fechou umas cinco vezes enquanto conversei com ele, até que eu finalmente atravessei e segui meu rumo.

Não falei nada de útil, não transmiti nenhum conhecimento, nenhuma informação. O Alex é que me passou uma série de coisas. Mesmo assim, sendo eu tão inútil, ele me reverenciou na nossa despedida.

Tudo o que fiz foi lhe dar um pouco de atenção. Vai ver, é a única coisa que ele precisava. E eu também.

sábado, 23 de maio de 2009

Mundo de brinquedo




Essa foto saiu no UOL após a final do Campeonato Paulista entre Corinthians e Santos. Fim de tarde, jogadores em plena disputa, arquibancadas cheias, estádio bonito... situação perfeita para um belo cartão-postal. Mas não saiu bem assim: foto desfocada, um lance banal do jogo, mas...

Achei sensacional!

Porque não parece ser um jogo de verdade, mas sim uma maquete, uma miniatura. Os jogadores parecem bonequinhos e nem mesmo o campo parece de verdade. Mérito total do fotógrafo, que não anotei quem era.

Esse efeito é conseguido em Photoshop, mas também com a utilização de lentes tilt-shift, segundo informa o entendido no assunto Igor C. Barros, não só em fotos panorâmicas mas também em vídeos, com resultado sensacional.

A indústria das diversões eletrônicas se esmera para fazer videogames que sejam cada vez mais próximos da realidade, nos movimentos, nas expressões e rostos dos jogadores, nas camisas e estádios iguaizinhos aos de verdade. Aqui aconteceu o inverso: o mundo real deixando-se parecer com um faz-de-conta.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Em busca da fita desaparecida



Muita gente já viu a cena: ao vivo no programa TV Mulher, Ney Gonçalves Dias disserta empolgadamente sobre pessoas que seguram a porta do elevador com o pé. Nesse momento, seu entusiasmo se transforma em tragédia televisiva, quando acidentalmente toca no pé da mesa, derrubando-a. Na ânsia de tentar segurar as coisas no lugar, o veterano apresentador se estabaca no chão junto com o tampo da mesa e toda a papelada.

A cena, de tão antológica, já mereceu reprise no Video Show e no Programa do Jô.



O que pouca gente sabe é que esse mico histórico, e muitos outros, todos da TV Globo São Paulo, foram reunidos - não se sabe por quem - numa fita VHS chamada As Gafes da Globo em 84. Segundo reportagem do Jornal do Brasil, de 16 de julho de 1985, com essa fita "mergulha-se numa Globo surpreendente e menos pomposa ao que a que se vê todo dia. Aqui, o que pinta de novo na tela da Globo é um punhado de besteiras, erros, palavrões e brincadeiras entre jornalistas e entrevistados"

A barata que pousou no terno do apresentador do Jornal da Globo, o ministro que, durante entrevista, tromba com força o nariz na parede, a dificuldade em pronunciar o nome do mafioso Tommaso Buscetta sem que soe pornográfico, o repórter assediado por um fã gay, tudo isso e muito mais que nem imaginamos foi registrado em 30 minutos hilariantes, e fizeram o maior sucesso nos videoclubes do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Infelizmente, a evolução tecnológica, implacável, fez sumir os videoclubes antes que esse festival de pérolas pudesse encontrar seu regozijo no YouTube, para deleite de milhões de telespectadores-internautas.

Nós do blog Transcendentes acreditamos que alguma cópia dessa fita deve ter sobrevivido e existe perdida ou esquecida em algum lugar. Por isso, estamos começando uma campanha para achá-la. Vamos panfletar e divulgar essa história sensacional e, quem sabe, um dia As Gafes da Globo em 84 reaparecerá.

E aí, não terá Top Five do CQC nem Anti Video Show que se preze para agüentar as tantas imagens preciosas que essa fita deve conter!

Faça parte de nossa campanha e lute pela memória da nossa televisão!



UPDATE

Ainda não encontramos a fita, mas chegamos perto. Estes dois vídeos com compilações de gafes da Globo trazem algumas das cenas da fita que estamos procurando:



domingo, 26 de abril de 2009

Xuxa me emocionou...

Dia desses revi o programa da Xuxa Especial de Natal de 1988, que se tornou famoso pelo momento em que Xuxa recebeu no palco Ayrton Senna, na época o novo campeão mundial de Fórmula 1 e seu namorado.

Entre momentos sentimentalistas e emotivos, um momento me arrepiou. Era a apresentadora caminhando entre casas bem humildes e distribuindo sorrisos e presentes, ao som de sua música natalina infalível, Estrela Guia. Xuxa se abaixou para oferecer a uma jovem mãe e seu filho de colo uma enorme caixa de presente. Abriu-o e mostrou seu conteúdo: um boneco do personagem Alf, fabricado pela Mimo. A moça e seu filhinho choraram e abraçaram bem forte o boneco, enquanto Xuxa, se afastando, observava a cena.

Isso me comoveu.

O que faz um marmanjo ficar tocado por um piegas programa natalino da Xuxa? A primeira reação foi de uma inusitada surpresa, afinal eu tenho até hoje um boneco de pelúcia do Alf idêntico àquele. Alf era um seriado de que eu gostava muito. Mas a emoção da família pobre com o boneco é algo que eu não senti ao ganhar igual presente. Eles abraçaram-se à miniatura do "E. Teimoso" como se aquilo fosse a coisa mais valiosa do mundo.

Porque, naquele momento, aquele boneco do Alf era, efetivamente, para eles, a coisa mais valiosa do mundo.



Muita gente torce o nariz ao assistir em programas de televisão atos de distribuição de presentes e rinquedos à pessoas humildes no Natal. Dizem que as pessoas que passam necessidades durante o ano, precisam muito mais de comida, de auxílio, dinheiro, enfim, uma ajuda para sobreviverem durante todo o ano, do que tão-somente uma lembrancinha de Natal.

Será mesmo?

Será que quem fala isso já pensou em se colocar na pele do outro? Será que também já passou apertos e necessidades?

As pessoas que ralam, mas dão um jeito de se virar durante todo o ano, no Natal, época em que os outros, que podem, dão-se presentes, por muitas vezes caros, com que caras ficam? E que decepção tem suas crianças, frustradas por não receberem nada do Papai Noel?

Vai ver, é por isso que os Titãs protestavam que não queriam só comida, mas também precisavam de diversão e de arte...

Por isso é que senti alguma coisa ao ver aquelas pessoas emocionadas com o boneco do Alf na mão. Um brinquedo que eu também tive, e tenho, até hoje. Mas que pra mim era apenas mais um dos meus brinquedos de criança.

Ali, não. Para aquela mãe que, provavelmente, suou e batalhou para chegar ao final daquele ano de 1988, o Alf era a maior alegria que podia ter e oferecer a seu filho pequeno, mas que às vezes já era até capaz de entender que seu Natal poderia passar em branco. Mas não passou.

Pouco importa se havia outros interesses por parte da Xuxa além do simples entregar de presentes, se ela queria se aparecer, se promover, fazer marketing ou posar de boazinha. Pois fez despertar sentimentos puros e verdadeiros, a demonstração do que é a real felicidade, ali estampados na noite de 24 de dezembro de 1988, nos televisores brasileiros sintonizados na TV Globo, nas lágrimas e sorrisos daquela mãe e daquele filho.

E eu também passo a ver meu velho boneco de pelúcia do Alf com outros olhos. E ninguém paga o valor que ele tem.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Eu vim para confundir, e não para explicar

O Yahoo! fez um bem intencionado apanhado com os bordões mais conhecidos da televisão brasileira, mas que, como qualquer lista, é subjetiva e criticável. São 23 bordões, a maioria deles de personagens de novelas recentes da Rede Globo, que, diga-se, não tiveram audiência expressiva e sequer caíram na boca do povo com as novelas de antigamente. Você pode conferir aqui.

Mas o pior está logo na abertura da matéria. Fala-se do bordão "Terezinha", do animador Chacrinha, o Velho Guerreiro. Até aí, passa, embora Abelardo Barbosa de Medeiros tivesse muitos outros bordões mais inteligentes para contribuir para a listagem, como "eu vim para confundir e não para explicar", "roda, roda, roda e avisa" e o célebre "na televisão nada se cria, tudo se copia".



O descuido do Yahoo! foi ter colocado a foto não do histórico animador, mas de Helio Vernier, seu sósia profissional e oficial. Que mancada!

Essa foto foi tirada nos bastidores da gravação do especial Por Toda Minha Vida, que contou a trajetória de Chacrinha, em 2008, e no qual Helio teve a honra de interpretar o artista com quem se parece. Não custa nada lembrar que o Velho Guerreiro faleceu em 1988.

Esse vacilo foi descoberto por mim, e se você vir rodando a internet saiba que saiu primeiro aqui!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Googladas dos Transcendentes I

Decidi dar um tempo no "ibope dos Transcendentes" e postar apenas a parte mais engraçada: as bizarrices que as pessoas digitaram no Google e as fizeram cair em nossos blogs de pára-quedas (com hífen e com acento, contra a reforma!).

Cliquem na imagem abaixo e vejam em tamanho ampliado as melhores de janeiro a março deste ano. Como sempre, fiz comentários engraçadinhos...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Celso Freitas: quem te viu, quem te vê...

Ontem no Jornal da Record o âncora Celso Freitas narrou editorial da emissora apresentado na forma de "esclarecimento", dizendo que a emissora não admitirá mais ofensas à sua moral nem acusações inverídicas que estariam sendo feitas pelo jornal Folha de S. Paulo, e que responderá a todas as acusações durante sua programação.

Para saber mais, leia os blogs SodTV! e o Portal da TV



No final, o editorial da Record perdeu a razão: cometeu excessos desnecessários, devolvendo as afirmações do jornal na mesma moeda. Insinuou que a queda nas vendas de jornais impressos e a sociedade da Empresa Folha com a Globo num diário paulistano (jornal Valor Econômico) estariam por trás do "bombardeio" à emissora da Barra Funda.

O mais curioso dessa história é que o mesmo apresentador do noticiário noturno do Canal 7 de São Paulo esteve, muitos anos atrás, no outro lado. Em 1990, quando apresentava o Globo Repórter, Celso Freitas ancorou reportagem investigativa e de denúncia sobre o funcionamento da Igreja Universal.



A maneira pela qual a Record procura calar suas críticas é por vezes agressiva e até chocante. Mas o assunto que destaco por ora de interessante nisso tudo, deixando a questão de lado, é o jornalista que conhece as duas faces da moeda, e esteve no front de batalha por ambos.

Curioso, pois!

terça-feira, 10 de março de 2009

Coisa de americano

Em 1979 estreava nas TVs americanas Os Gatões (The Dukes of Hazzard), uma série jovem de aventura, em que se destacava um brilhante automóvel, um Dodge Charger R/T 1969, cor laranja, com o número 01 pintado na porta e a bandeira dos Confederados no teto. Batizado de General Lee, o carismático representante dos Muscle Cars conquistou legiões de fãs e tornou-se um dos mais famosos da televisão.

O que chamava a atenção eram as espetaculares cenas de perseguições de carro, saltos, batidas e capotagens protagonizadas pelos carros de polícia (geralmente AMC Matador, Dodge Polara ou Dodge Monaco) e, claro, pelo General Lee. Saltos espetaculares, que destruíam completamente os veículos utilizados. Na ficção, porém, não acontecia nada de mais, a não ser pequenos amassados e arranhões que, obviamente, desapareciam de um episódio para o outro.

Anualmente, milhares de admiradores estadunidenses do General Lee e do seriado se reúnem num evento chamado Dukefest, realizado em locais abertos ou mesmo em autódromos. Lá reencontram as estrelas do antigo programa, expõem objetos de coleção, desfilam com suas réplicas do General Lee...



..e fazem algo impressionante e inacreditável: saltam!




Isso mesmo, são realizados saltos com alguns dos Chargers presentes, que pulam numa rampa e são ovacionados durante o vôo. A aterissagem, obviamente, é violenta e os tais "muscle cars" ficam severamente danificados.









Que faceta mais assustadora do evento: destruir o próprio objeto de culto. Parece coisa masoquista, coisa da aranha viúva-negra. Ainda mais horripilante aos entusiastas de carros antigos se se pensar que os modelos Charger R/T de 1969, que são os caracterizados como General Lee foram fabricados em pequeno número e são carros relativamente raros de se encontrar.

Também voam e são destruídos nos eventos carros caracterizados como viaturas policiais do seriado, igualmente raros, como os tais Dodge Polara e AMC Matador já citados nesse texto. E depois de arrebentados, todos se juntam em volta das ferragens com a família e as crianças para tirar fotos de recordação...



É loucura demais para entender ou tentar explicar. Coisa de americano, mesmo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Isso é que é prêmio


Clodoaldo disputou prova a prova com Henrique, no programa Aprendiz 5 - O Sócio, exibido ano passado pela TV Record, para se tornar sócio do empresário multimídia Roberto Justus.

Venceu, e como mandava o regulamento do programa, levou R$ 2.000.000,00 e tornou-se sócio do publicitário (49% das quotas) na empresa Brainers, uma "incubadora de negócios".

Também no ano passado, o jornalista esportivo Milton Neves rescindiu seu contrato com a mesma TV Record para um novo programa que apresentaria na TV Bandeirantes, e que seria produzido pela Brainers. Mas poucas semanas depois ele foi surpreendido com o encerramento das atividades da Brainers, que abandonou Milton Neves no barco à deriva.

Milton apresenta atualmente na Bandeirantes o Terceiro Tempo e o Gol, o Grande Momento. Mas, além disso, tinha expectativa de apresentar outros programas, que estavam no projeto da Brainers.

Segundo a coluna Radar on Line, assinada por Lauro Jardim na Revista Veja, o jornalista de Muzambinho acaba de distribuir ação de reparação de dano no Judiciário paulista, contra Roberto Justus e seu sócio, o aprendiz Clodoaldo Araújo. Segundo Lauro Jardim, Milton está pleiteando uma indenização que pode chegar ao valor de R$ 70 milhões. No entanto, o valor atribuído à causa por seu advogado é de R$ 1 milhão. O processo tramita na 6ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo.

Realmente, R$ 2 milhões é um belo prêmio. Mas fazer uma sociedade, tal como um casamento, exige confiança mútua, saber com quem está lidando, o que está fazendo. Mesmo que seu sócio tenha posição de destaque no (show) business, será que valeu a pena arriscar?

É LÁ E CÁ
Nos Estados Unidos, Donald Trump também está em maus lençóis. O comandante do programa O Aprendiz original entrou com um pedido de Bankruptcy, uma espécie de concordata, para as empresas que formam a Trump Entertainment, a rede de cassinos de Trump em Las Vegas. Segundo o blog da jornalista Leila Cordeiro, ex-âncora da Globo, Manchete e SBT, e atualmente vivendo nos EUA, "quem comprou ações da companhia de entretenimento do Trump se deu mal. O preço vem despencando desde o ano passado. De 4 dólares caiu para 23 centavos".

Resta saber quem é que será demitido nessa história toda...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Falou tudo.

Odeio copiar o conteúdo dos outros. Odeio control-c-control-v, o grande mal da vida moderna.

Mas algumas vezes é inevitável. Tem que repercutir conhecimento.

O jornalista Flávio Gomes, que já citou nosso texto sobre os ônibus Flecha Azul da Viação Cometa, escreveu algo brilhante em seu blog. Um baita texto.

Tudo começou porque Flávio criticou as atitudes e a conduta de um jovem em seu Porsche, que filmou peripécias em altíssima velocidade pela Anhangüera com colegas motoqueiros, expondo ao perigo todos os motoristas ao redor, e que se gabava, exibindo sua destreza no YouTube. Veja o vídeo e o texto do Flávio aqui.

O texto brilhante de que estamos falando vem na seqüência. É Flávio Gomes comentando ter sido alvo de diversas reações do público em razão de suas críticas. Muitos concordaram com ele, porém vários outros apareceram expressando "um pensamento tão raso e medíocre, agressivo e hostil, defendendo o meliante e atribuindo à inveja a revolta que pautou a maioria dos comentários".

Então, Gomes deu sua opinião sobre os jovens de nossos dias. Começou assim: "Acho que uma grande parte da juventude brasileira está irremediavelmente perdida, o que compromete o futuro do país"

Passamos a palavra a ele. Leia e reflita. É também a nossa opinião, sem tirar nem pôr.

Mas noto que especialmente nas grandes cidades o perfil de boa parte da molecada é exatamente esse: matem, atropelem, briguem, desrespeitem, foda-se.

São os verdadeiros rebeldes sem causa, expressão até simpática, cunhada numa época em que havia muitas causas para se rebelar contra, e aqueles que se rebelavam sem causa alguma eram divertidos e anárquicos. Hoje essa gente rebela-se contra o quê, mesmo?

Se fossem capazes de se autoanalisar, entenderiam que se rebelam contra o vazio de sua existência, a pobreza de seus propósitos, a incapacidade de encontrar objetivos de vida, a falta de sentido em tudo que fazem. São prisioneiros do hedonismo e do exibicionismo, portadores de um vácuo absoluto, bestas quadradas que passarão pelo mundo deixando pouco mais do que uma página no Orkut e uma produção literária repleta de “aes”, “blzs”, “vlws”, “intaums” e “akis”.

A internet é um barato, sem dúvida. Sabendo usá-la, com todos seus defeitos e imprecisões, uma ferramenta que pode mudar o mundo. Mas cada vez que passo diante de uma lan-house e observo que 100% dos computadores estão conectados no Orkut com jovens que gastam horas diante da tela trocando “aes”, “bjuuusss” e “blzs”, constato que não está servindo para nada. Não há exatamente inclusão digital, nisso. Há, sim, a globalização e padronização da babaquice e da inutilidade, ócio em estado bruto.

Sorte de quem se salvar disso.


E assim caminha a humanidade

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

As caras de São Paulo


A revista Veja São Paulo, nas bancas nesta semana, homenageia a capital bandeirante em razão de seu 455º aniversário. A reportagem principal apresenta os resultados de uma pesquisa que apontou as pessoas e lugares que são a cara de São Paulo. 1000 pessoas foram entrevistadas.

A pesquisa traz resultados óbvios e previsíveis, em sua maioria, senão vejamos:

Silvio Santos, carioca radicado em São Paulo, foi o mais votado como apresentador de TV;
Silvio Santos, outra vez, agora eleito como empresário;
Catedral da Sé, a igreja;
Morumbi, o estádio de futebol;
Verão, a estação do ano;
José Simão, da Folha, o jornalista de imprensa escrita;
Rosa, a flor;
Municipal, o teatro;
Rogério Ceni, o esportista;
Demônios da Garoa, o grupo de samba;
William Bonner, paulistano radicado no Rio, jornalista de TV;
Hebe Camargo, apresentadora de TV;
Itália, o edifício;
Ipiranga, o museu;
Monumento à Independência, o monumento;
Lima Duarte, o ator;
Fernanda Montenegro, a atriz;
Gregório Gruber, o artista plástico;
Avenida Paulista, o cartão-postal;
Ibirapuera, o parque;
Titãs, a banda de rock;
Bandeirantes, a rádio AM;
Nativa, a rádio FM;
Arroz com feijão, a comida e
Walter Rodrigues, o estilista.


Trata-se de pesquisa feita pelo instituto Análise, Pesquisa e Planejamento de Mercado (APPM), com um evidente interesse comercial, e não cultural. Mostra às agências de publicidade e anunciantes o que o público "consome".

O resultado, porém, não é dos mais interessantes. Apresenta traços tipicamente paulistanos de conservadorismo e tradicionalismo, além da forte dose de rotina e habituidade. Isso explica as escolhas previsíveis de Silvio Santos e Hebe como apresentadores de TV, da Rádio Bandeirantes como estação AM que tem a cara da cidade, e dos Demônios da Garoa como grupo de samba. O conservadorismo também é resultado de uma falta de renovação. Daí a escolha dos Titãs.



O teatro que é a cara da cidade é o Municipal; o parque, do Ibirapuera; o museu, do Ipiranga. Certamente a grande maioria dos entrevistados deu uma resposta pronta, de quem desconhece outras opções de resposta, como se fosse a única possível. Como falar de outro parque? Como falar de outro Museu? Outro teatro? E tem tantas opções: parque da Luz, do Carmo, da Aclimação, Villa Lobos... MASP, MAM... Cultura Artística, Procópio Ferreira, Abril...

Com o perdão de quem conduziu a pesquisa (e de quem dela tomou parte), resultados assim traduzem perfeitamente outro viés da personalidade do paulistano: a hipocrisia inocente. Duvido que a maioria dos entrevistados de fato conheçam os lugares que escolheram como os melhores. Vão pela média, pelo clichê. Seguem a opinião formada. Se todo mundo diz que é bom, então, deve ser mesmo. E assim se passam por intelectuais, também. É uma minoria, afinal, que frequenta teatros, parques e museus em nossa cidade.

Temos, então, dois blocos de respostas. O de respostas pautadas na tradição contemporânea e o de respostas pautadas no chavão e no clichê. Nessa se encaixam as escolhas da Avenida Paulista, da Catedral da Sé e do Edifício Itália, também.

Tudo isso demonstra que os paulistanos gostam muito da cidade, mas pouco sabem ou procuram saber a respeito dela. Ficam no raso, na superfície, na mesmice. A resposta, aliás, é praticamente proibida de ser outra senão a que saiu no resultado do levantamento. Nosso cérebro já indica a resposta!

Claro que também há ainda espaço para um terceiro bloco, o de "surpresas". Que elege José Simão, William Bonner, a rosa e o verão...

Mas ainda há outra coisa ainda mais interessante na pesquisa. É a que pergunta: se São Paulo fosse uma pessoa, como essa pessoa seria? A mesma pergunta foi feita em 1990 e agora, 2009.

Em 1990...
...o paulistano imaginava que, se a cidade virasse uma pessoa, seria alguém como a figura acima: homem, corintiano, boêmio, mas dedicado no banco onde trabalha, na Avenida Paulista. Casado, mas tem amantes. Gosta de samba, mas não sabe dançar. Dirige um Monza, passa fins de semana no Guarujá, ganha bem, mas não tem dinheiro porque sustenta muitos dependentes. Seu sobrenome? Progresso e Esperança.



Já em 2009...
...a capital ganhou nome e jeito de mulher, que se chama Maria Vitória. Bem-sucedida em seu emprego no mercado financeiro, tem marido e filhos, torce para o São Paulo e é bem-humorada. Seu salário é daqueles de fazer inveja às amigas, mas ela gasta como se não houvesse amanhã. Enfrenta o trânsito numa Cherokee. Voltou a estudar e, agora, faz psicologia. Maria Vitória é casada e tem filhos. Ganha um belo salário por seu trabalho no mercado financeiro e gasta mais do que deveria.

Não gosto do resultado. Ao meu ver, o paulistano de 1990 ainda é uma figura bem típica da cidade. A figura nova traz dados que fazem a alegria dos que não gostam da revista Veja: um perfil que poderiam chamar de "pequeno-burguês", "classe média emergente", "mesquinho" e coisa e tal, e todos aqueles adjetivos anti-Diogo Mainardi e anti-Veja que pipocam por aí. E, de fato, pensando bem, precisava ter uma Cherokee? Precisava fazer inveja às amigas e esbanjar dinheiro, comprando e gastando?

Parece que a tal personificação de São Paulo nada mais é do que um estereótipo do leitor ideal de Veja. Uma espécie de Homer Simpson, homem médio, bonus paterfamilias ou coisa que o valha. O público-alvo, talvez, da revista. Não gosto. Não é a minha imagem de São Paulo uma mulher rica e esnobe dirigindo um SUV americano e, pior, trabalhando no mercado financeiro e sendo bem-humorada!

Pensei a respeito e criei minha própria imagem personificada da cidade. Também é uma mulher. No meu caso, jovem, entre seus 25 e 30 anos. Trabalha como operadora de telemarketing e, com o salário, paga sua faculdade de administração. Faz academia, gosta de baladas, mas também de ler livros de auto-ajuda e best sellers. Torce para o São Paulo, porque o time está sempre ganhando, e vai às vezes no estádio. Tem um namorado há muitos anos, mas não pensa em casar. Mora com os pais e está financiando um carro que comprou zero quilômetro. Adora passear na Paulista e ir ao cinema.

O problema é que uma pessoa só é muito pouco para uma cidade com tantos jeitos e trejeitos. Resolvi fazer o perfil da família da nossa paulistaninha, para acompanhá-la.

O pai é um sujeito esforçado. Acorda às 5 da manhã e é auxiliar numa empresa média. Faz um pouco de tudo, lá. Recentemente terminou os estudos num supletivo e vara as madrugadas estudando para passar num concurso público. De lazer, gosta de jogar futebol e cuidar do carro. Lê apenas os jornais populares. Compra DVDs piratas no camelô para ver em casa. Não vai a cinemas. Admira muito a filha. Torcedor do Santos, por causa do Pelé, que viu jogar.

A mãe é uma nordestina que chegou ainda jovem à cidade. Tem de bagagem muita sabedoria popular. Dá risada bem alto e é ótima cozinheira. Trabalha no setor administrativo de uma empresa grande. Tem profunda admiração pelas pessoas que se fizeram sozinhas na vida, como Silvio Santos e Samuel Klein. E, até por isso, nunca deixa de comprar nas Casas Bahia e de apostar na Tele Sena. Gosta de ler livros espíritas. Frequenta a missa, mas não segue nenhuma religião. É corinthiana e tem até uma camisa roxa do time.

Por fim, o irmão. Adolescente, se veste de preto e usa boné sujo. Sua mochila tem vários chaveiros que fazem barulho, batendo uns nos outros. Gosta de desenhos japoneses e é assíduo participante de encontros de otakus e cosplayers. Gosta de ouvir música no fone de ouvido, e passa a madrugada toda mexendo no seu blog, no flog, no MSN. Tem um perfil no Orkut e um fake. Não trabalha, está fazendo cursinho para prestar vestibular. Vai ao McDonald's uma vez por semana, mas não é gordo. Gosta de futebol, joga, mas torce para um time europeu que conheceu no videogame. Não acompanha o futebol brasileiro.

Essa é a família paulistana, na minha óptica. Nada de sonhos e ilusões, nada de Jeep Cherokee, nada de mulheres torrando seus cartões de crédito.

São Paulo é a nossa terra. Cada um a vê como quer. Eu não a vejo como a Veja, e sim do meu jeito.

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