segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O surto de João Kléber

Encontro na comunidade Anti Video Show do Orkut (que reune momentos da televisão brasileira que, por várias razões, nunca serão reprisados) um momento do Eu Vi Na TV, da RedeTV!, em que o apresentador João Kléber, inconformado com a baixaria do quadro Teste de Fidelidade, solta os cachorros, gritando palavrões e passando um pito em todo mundo, atores, participantes e o auditório. Veja a cena aqui:



Estaria realmente o humorista e apresentador indignado com o baixo nível do programa? Seria uma jogada de marketing, algo armado? Será que João Kléber levava mesmo a sério o quadro que testa a fidelidade de casais de namorados e maridos, o qual, era já sabido, era combinado entre os participantes e do qual alguns de seus "atores" e "atrizes" saíram para trilhar carreira no cinema pornográfico?

Não foi a primeira vez que João surtou no ar, ao vivo. Várias vezes ele desabafou e até chorou nos seus programas vespertinos, em que explorava o mundo-cão e as agruras no estilo do O Povo na TV, principal modelo desse tipo de programa. Dizia que se deprimia, deitava no chão, lágrimas rolavam. "Eu não agüento esse tipo de programa. É ou não é verdade?", perguntava à sua esposa, que costumava ficar na platéia.

E por que falar de João Kléber? Para refletir sobre sua trajetória. Bom imitador, foi do rádio para a televisão. Trabalhou por uns dezoito anos na Globo, como redator e também humorista. Fez stand-up no Fantástico e dividia o palco com Chacrinha na fase final da carreira e da vida do Velho Guerreiro, no Cassino do Chacrinha, em 1988. Ganhou um especial de fim-de-ano em 1991, o Ri-Retrospectiva, no qual fez uma brincadeira com o presidente Fernando Collor. Mas foi a amizade com o presidente Collor fez sua carreira desmoronar. Freqüentava a Casa da Dinda e, segundo a Revista Veja (19/12/2001, reportagem de Ricardo Valladares), era o "bobo da corte" do presidente alagoano. A revista diz ainda que João Kléber "perdeu o emprego que tinha na Rede Globo e, de vinte shows por mês, sua agenda passou a não registrar mais do que um ou dois. 'Um monte de gente me virou a cara', choraminga ele."

Ficou anos sem aparecer, e reapareceu fazendo umas pontas em A Praça é Nossa. Lá, interpretava a si próprio, conversando com Carlos Alberto de Nóbrega, até que "baixava um santo" de alguma celebridade nele, e ele começava uma série de imitações. Quando surgiu a RedeTV! no lugar da Manchete, em 1999, foi contratado. E "foi mandado embora da emissora Rede TV a chutes e pontapés depois de quase levá-la ao fracasso", segundo o Canal da Imprensa.

Na verdade, até que começou bem na nova emissora, após tantos anos fora da mídia. Exibia pegadinhas, fazia personagens, dava risadas... sua equipe passou a produzir pegadinhas próprias (tudo combinado, é verdade...) gravadas em Osasco e outras cidades próximas da sede da emissora, que foram até vendidas em DVD pela RedeTVShop e são campeãs de audiência no YouTube. Numa "fase séria", como diz o amigo Igor C. Barros, fazia assistencialismo e sensacionalismo com casos bizarros e brigas de família.

A crise começou a degringolar em 2002, quando Claudete Troiano, à frente do Note & Anote da Record passou a acusá-lo de exibir histórias falsas e enganar o público. As duas emissoras, ao vivo, exibiram em 22 de maio daquele ano uma cena histórica e lamentável: ambos os apresentadores trocando acusações um contra o outro, cada um em seu canal! E Kléber saiu xingando e ironizando a religiosidade dos bispos evangélicos controladores da Rede Record.

Depois, veio o Ministério da Justiça. Ele puniu a RedeTV!, obrigando-a a exibir programetes educativos no lugar de João Kléber, proibindo as pegadinhas, acusadas de ofender minorias como as mulheres, os homossexuais e os deficientes físicos. A emissora chegou a ficar 24 horas fora do ar. Ao mesmo tempo, muitas críticas começaram a aparecer sobre o modus operandi de João no comando de seus programas: o "embromation" para segurar a audiência, interrompendo a todo momento o andamento dos quadros, criando suspense por nada. E a gota d'água: a esposa de Kléber o trai com um ator do teste de fidelidade, pondo fim ao casamento.



A carreira de João Kléber no Brasil acabou (ou "deu um tempo"), e ele foi parar em Portugal, onde faz relativo sucesso com o mesmo estilo de programa. Deixou de ser humorista, definitivamente, para comandar seu "circo".

Diante de tudo isso, se é que você teve a paciência de ler tudo, volta a pergunta. Assista novamente o vídeo de João Kléber surtando ao vivo e responda. O que é que se passava na cabeça dele para dizer tudo aquilo?

11 comentários:

  1. É aquele velho ditado: "Quem com ferro fere, com ferro será ferido".
    Lamentável, mas a vida é assim mesmo!

    Sol

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  2. Disse Deus : maldito o homem que confia no homem, assim imagina confiar em mulher é uma maldição ao quadrado vezes o cubo da hipotenusa.

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  3. ser corno ou ñ ser....
    eis a minha indagação ..
    é ria dos outros agora filhao .. segura aî =)

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  4. Nossa ! Essa história foi tensa demais ! Eu ria muito da pegadinhas e da própria risada do João Kléber. Que merda que isso tudo deu ! E ainda ser traído pelo próprio ator do teste de fidelidade, que inferno... melhoras pra o JK ae !

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  5. isso tbm não é um fake não? será q traiu mesmo?

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  6. bem feito!!! fica destruindo o casamento das pessoas e e nisso que da...

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  7. hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

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  8. karamba eu fikava com penaa dos participantes quando jk fikava rindo das desgraças dos outoros ele só colheu o ke plantou

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  9. mano isso tudo e fake, hoje muitos anos depois, logo apos ver o comentario de outras pessoas, notei que ate mesmo as pessoas que comentam são a mesma ate aquela lora kkkkkkkkkk, so o travesti que mudou kkkkkk

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  10. Só sei que o João Kleber está de volta, na mesma RedeTV, com o mesmo tipo de programa pela manhã DIARIAMENTE, e com o teste de fidelidade à noite TODOS OS DIAS.
    Queiram ou não, baixaria ou não, esses programas são assistidos por milhares de pessoas... Quem somos nós pra julgar?

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