terça-feira, 16 de setembro de 2008

A galinha marqueteira

Não sei se é bom negócio falar de eleições, afinal podem achar que estou defendendo um ou outro candidato, sei lá. Enfim...

Uma coisa que sempre gostei de acompanhar é a propaganda eleitoral. Desde pequeno, coleciono os panfletos, os brindes, chaveirinhos, adesivos... e aprendo a cantar de cor o jingle de todos os concorrentes. E assim a gente passa a entender e dar importância ao trabalho de marketing e de imagem dos candidatos. Os partidos buscam dar uma cara a seus políticos, e também buscam sua própria cara, para se diferenciar dos demais.

O PSDB, por exemplo, sempre adotou as cores amarela e azul em contraste ao vermelho e branco do PT. O antigo PL e o PP(B), vermelho e azul. PDT e PTB são vermelho, branco e preto. O velho e finado PFL usava as mesmas cores do PSDB, mas onde era azul punha amarelo, e onde era amarelo, punha azul... mas o PFL mudou e virou o Democratas, chamado de DEM por uns e de Demos por outros. E a cara do DEM, qual que é?

Na atual campanha para prefeito de São Paulo, a aliança de longa data entre PSDB e PFL/Democratas rachou, porque Geraldo Alckmin bateu o pé e acabou candidato, seguido pelos seus correligionários que achavam que o PSDB devia lançar sua própria chapa ao invés de apoiar os parceiros do DEM. E ficou tucano pra todo lado.

E uma perda o PSDB com certeza sentiu. A GW, empresa que sempre produziu as campanhas tucanas, foi para o lado do Gilberto Kassab, atual prefeito, que era vice do José Serra e é Democrata. Com isso, o PSDB perdeu a sua linguagem, seu jeito, seu estilo. Foi tudo parar no DEM.

Lembra aquelas campanhas do Serra, do Alckmin, do Fernando Henrique? Eles sempre de camisa azul, gravata vermelha, mangas arregaçadas, num cenário imitando um escritório bem iluminado, fingindo estar trabalhando com pastas, telefones, computadores, secretários... a câmera circulando a sala, o narrador dando a exata emoção para a cena, a trilha sonora edificante... a assinatura do partido na tela... enfim... é Kassab que está fazendo este tipo, e não Alckmin.

O que restou para Geraldo? Se viu obrigado a mudar o estilo, para não confundir a cabeça do eleitor. Aparece de paletó, mas sem gravata. Um ambiente escuro, frio, sombrio. Não ficou nada bom.

A campanha de Kassab aproveita inclusive elementos de campanhas anteriores, que lhe caíram muito bem. O balãozinho de história em quadrinhos já tinha sido usado na campanha do próprio Alckmin à prefeitura em 2000, e também, na mesma cor verde, pelo pessoal do "Sim" no referendo sobre o desarmamento, em 2005. A tipografia é a velha conhecida Futura itálica, mas em vez de azul e amarelo, as novas cores do DEM, verde, azul e branco. E um brilho com reflexos estilo web 2.0.

Já na campanha de Alckmin preferiu-se não usar a mesma tipografia tradicional do PSDB, optando pela fonte Myriad. O resultado, segundo vários comentaristas já disseram, é que ficou parecendo uma campanha pronta que ele comprou e apenas colocou seu nome. Pois não tem identificação nenhuma nem com ele nem com o partido. Agora, Alckmin contratou novos marqueteiros que, logo de cara começaram a pegar mais pesado, colocando as cenas de Kassab gritando "vagabundo" para um cidadão no posto de saúde e Marta dizendo "relaxa e goza". Parece campanha de partido nanico.

Golpe baixo é coisa que no Brasil não está dando tão certo. O público acaba preferindo apoiar o lado dos atingidos, meio que se solidarizando, enquanto quem ataca fica com fama de "apelão". A inspiração é sempre a democracia americana, na qual os candidatos a presidente sempre se esfalfam invocando a masculinidade do adversário: quem não foi ao Vietnã não é homem para ser presidente da "América"...

Os marqueteiros são capazes de mudar uma campanha. Eles têm um grande poder de mover a opinião pública.

Veja agora o que preparamos de especial para encerrar este post.

Nossa mascote posa simulando uma campanha típica do PSDB para prefeito de São Paulo.

Agora, nossa mascote reproduz a campanha do Democratas à prefeitura de São Paulo.


E, por fim, nossa mascote imita a descaracterizada campanha do PSDB à prefeitura


Imagem é tudo, é ou não é verdade?

2 comentários:

  1. Ótimo post. Quando vi o primeiro comercial do Geraldo, sentado, com aquela roupinha safada, naquele estúdio que mais parecia uma caverna, pensei:

    "Esse cara fez merda!"

    Mas qdo vi o "Geraldo 45 | Prefeito" naquela tipografia, quase tive um infarto!

    Agora com os novos marqueteiros eu ainda nao vi nada, mas vc esta coberto de razao: se for nesse estilo, os caras foram apelão mesmo, e isso é péssimo pra imagem do Geraldo, é péssimo pra imagem do PSDB no maior colégio eleitoral do pais e sera péssimo se esse "racha" se estender até 2010, pois sem essa eterna aliança, fica dificil vencer as eleições.

    Isso sem contar que dentro do prórpio PSDB, será uma briga dos infernos para a indicação do partido: Aécio, Serra, Geraldo...

    Quer saber qual o risco maior ainda: o PT levar de novo as eleições! Não sou contra eles, sou contra a perpetuação de qualquer ser ou coisa em lugares publicos.

    Espero, de coração, que candidatos diferentes, com novos ideais, aproveitem essa brecha e se lancem como alternativa aos dois partidos.

    na boa: se o Cristovam vier com a mesma proposta de Educação acima de tudo em 2010, voto nele!

    Parabéns pelo post Hamilton. Creio que em meu comentário levei mais para o lado politico do que do marketing. Mas suas observações foram ótimas.

    Grande abraço
    Daniel

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  2. Hamilton,

    o fato de o Galináceo pelo DEM estar com o braço à mostra e pelo PSDB não tem algo de significativo? Alguma mensagem subliminar?! XD

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