sábado, 23 de agosto de 2008

Rebelde sem causa

Saiu no Ego, do Globo.com: Fãs do RBD organizam manifestação na Avenida Paulista, contra o fim do grupo. Tem fotos e tudo, aconteceu hoje, deve ter gente por lá ainda.

Sem preconceitos, esse caso do Rebelde / RBD é um fenômeno que precisa ser estudado. É algo mais impressionante que o sucesso do Menudo, nos anos 80, mas que provocou muito mais ojeriza dos não-fãs do que o grupo porto-riquenho que não se reprimia, que veio pela primeira vez ao Brasil para o Viva a Noite do Gugu e fazia shows à tarde em estádios de futebol lotados (nos quais duas pessoas morreram sufocadas, assim como aconteceu num show do RBD no Brasil, em que três fãs morreram pisoteados...). Para que todos entendam, Rebelde é o nome de uma novela mexicana; RBD, da banda formada com os personagens/atores da novela.

Como explicar tanta idolatria? Bem, é coisa normal da juventude, claro. Creio que faltem referências de ídolos e exemplos a serem seguidos. Jogadores de futebol, cantores, artistas, etc... as safras que temos atualmente são muito pobres, não necessariamente em talento, mas em empatia, em identificação com o público, e nem o fortíssimo marketing ajuda. Note bem que estou generalizando, não é bem assim, eu sei, mas para a reflexão que faço é o quanto basta. Pois bem. Além disso, a pulverização de opções, tribos, etc. não permite grandes estouros que se transformem em unanimidades nacionais. Mas acontecem alguns, como o do RBD. Dentro desse quadro, podemos notar a grande força da televisão, bem delineada, pela novela Rebelde, da Televisa, exibida pelo SBT em horários noturnos ingratos, e num período em que a emissora patinava numa crise financeira, de criatividade, de audiência, de credibilidade e de tudo o mais.

Daí, o sucesso não se mediu só nos Ibopes do SBT, que não eram tão altos assim, mas se refletiu nos lugares em que o público se manifestava, livre, na internet, em blogs, comunidades no Orkut e, nas ruas, com uma profusão de pessoas de cabelo, gravata e suspensório vermelho.

Quando a novela acabou e saiu do ar, passaram a entupir os e-mails do SBT pedindo a volta, e até tumultuando no Orkut, incomodando mais do que os fanáticos por Chaves e Chapolin, que souberam se organizar e difundir a cultura chavesmaníaca em festivais, encontros e afins, seguindo o exemplo dos apreciadores de animês, mangás, tokusatsus e cosplayers e toda uma tribo de descendentes de orientais esquisitões e brasileiros "japa wanna-be".

A passeata serve para demonstrar que alguma organização os fãs de RBD conseguiram. Se alguém os ouvirá é outra história.

Só sei que, há uns 15 anos ou mais, pessoas nessa idade estavam empenhadas em outro tipo de protesto, no mesmo local da Avenida Paulista. Também vestiam preto. Só que queriam que o Presidente da República deixasse o poder.

Digo isso sem maldade nenhuma. Se terminasse o texto aqui, poderiam pensar isso.

Talvez também muita gente quisesse se mobilizar naqueles tempos difíceis de Collor contra o fim do New Kids on The Block ou do Polegar, sei lá... ou contra o fim do Xou da Xuxa... mas naquele tempo nada disso era possível. Hoje, sem preocupações extras como lutar pelo fim da ditadura, pelas eleições diretas, pela deposição de um presidente etc., e com o poder instantâneo da internet, as coisas ficaram facilitadas.

Além disso, cada geração tem as preocupações que lhes cabem. Isso é o que realmente importa.

Se estamos melhor ou pior hoje, você é quem sabe.

4 comentários:

  1. Adorei a parte do "brasileiros japas wanna-be"! Aposto que você pensou em um certo amigo seu quando escreveu essas palavras!! ^^

    E tem razão: hoje as mobilizações são muito diferentes. E isso é tudo culpa da informação e, principalmente, dos "meios de". Se antes era preciso a corrupção do presidente, a queda de um muro ideológico ou uma guerra desleal pra fazer pessoas se mobilizarem, hoje só basta acabar um grupo pop. Acho que o aspecto mais negativo nem fica por conta da mobilização, mas da desmobilização em todos os casos que antes eram os bambambam's... cadê as passeatas pelo fim da guerra meu povo? A guerra ainda existe!!

    Eu particularmente tenho uma teoria sobre as passeatas, mas acho que precisaria criar meu próprio blog pra essas coisas...

    Abraço!

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  2. Embora guerras continuem, não fazem parte de nossa realidade sensível.

    Nossa cultura vem se calcando num crescente individualismo, que não se traduz somente em egoísmo, como usualmente ouvimos por aí, mas principalmente numa concepção de mundo atomizada, fragmentada e centralizada (ou melhor seria dizer "reduzida") no "eu".

    Quando se tem poucas coisas em que esse "eu" pode se agarrar, tirá-las é como abster um viciado de sua droga, e isso pode acontecer tanto por alimentação de Internet, TV ou mesmo dependência de um namoro, etc.

    Não é curioso, vejam só, que atualmente esse tipo de manifestação ocorra numa época em que política, talvez não como há 15 anos, seja um desvalor em si? Parece-me uma conseqüência natural dos fatos.

    Na verdade, existe algo de surpreendente que essas pessoas ainda consigam se organizar, por qualquer que seja o motivo. Mostra que ainda não estão totalmente reificados.

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  3. RBD é assim mesmo! Ou você os ama ou os odeia.

    Para criticar algo ou alguém é necessário conhecer primeiro e tenho certeza de que a grande maioria das pessoas que criticam o grupo ouviu apenas uma música deles e já saíram por aí atacando.

    Respeito é bom e todo mundo gosta.
    Acho que quem fala mal do RBD não tem o que fazer ou tem vergonha de admitir que esse grupo é o M-Á-X-I-M-O!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  4. Gosto é gosto e isso não se discute. Sou fã do RBD, estudo direito, falo 3 línguas, morei fora por anos e me incomodo um pouco com a história de "voces não tem mais com o que se preocupar" e fazem passeatas por coisas "ridículas". Estava na passeata, porém nao em SP. A mesma passeata aconteceu simultaneamente em diversas capitais brasileiras e em países como o México, Argentina, Colombia, Espanha entre outros... Acompanho o grupo, me faz bem escutar-los, mas de uma coisa tenho certeza, só os que conhecem muito bem a banda, são capazes de adimirá-los.

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