domingo, 22 de junho de 2008

Os injustiçados videogames

Novamente sumido, andei decepcionando meu sócio por uns tempos, mas finalmente estou de volta! Gostei bastante do novo visual do blog, principalmente pela exposição maior de nosso mascote. Apesar de o Hamilton gostar de dizer que meus posts são sobre assuntos de relevância cultural, hoje vou fugir dessa linha.

Frases famosas são realmente interessantes. Por ousadia, falta de adequação ao momento, por serem engraçadas, algumas expressões de pensamento simplesmente ficam para a história. Dentre as mais atraentes sem dúvida estão as frases despretensiosas, que sem querer acabam tendo um grande significado. Vejam a seguinte: "Computer games don't affect kids, I mean if Pac Man affected us as kids, we'd all be running around in a darkened room munching pills and listening to repetitive music". Genial ou não? O profeta se chama Kristian Wilson e era o CEO da Nintendo na época, o longínquo ano de 1989. Sem querer (querendo?), o executivo sintetizou em poucas palavras como são as "baladas" dos nossos dias! E aqui chegamos a outro ponto que muito me atrai, os videogames.

A frase foi uma clara defesa aos jogos eletrônicos por um dos homens mais poderosos do ramo à época. O que realmente intriga é o motivo pelo qual criticariam o inocente Pac Man, jogo muito conhecido em que o personagem controlado pelo jogador deve comer todas as pílulas de cada cenário sem ser pego pelos "fantasmas" presentes, algo primitivo se comparado aos sucessos atuais. O vídeo a seguir mostra bem como funciona o jogo:



As críticas aos games, no início da década de 90, estavam apenas surgindo. Com o desenvolvimento da tecnologia, novos gêneros de jogos foram surgindo. Aos poucos, passaram a abranger cenas de violência explícita, motivo pelo qual foram severamente criticados. Não é raro, no entanto, tais críticas não possuírem fundamento algum, afinal o número de pessoas que se divertem com tais jogos é considerável e aumenta a cada ano. Apesar disso, não há como traçar relação clara entre essa modalidade de entretenimento e o cometimento de crimes ou mesmo a criação de comportamentos estranhos nas pessoas.

Um caso concreto que levantou a discussão sobre o assunto foi o do sujeito que entrou em uma sessão de cinema em São Paulo, no ano de 1999. Tratava-se de um estudante de medicina, Mateus da Costa Meira. Sujeito perturbado, não tinha amigos, interrompeu tratamento psiquiátrico e era usuário de cocaína desde 2 meses antes do crime. O ocorrido ocasionou forte comoção social e passou-se a discutir eventuais motivos para sua prática. Os gostos pessoais do assassino foram estudados e discutidos por jornalistas e apresentadores de televisão. Chegou-se a um consenso: Duke Nukem, um dos jogos preferidos de Mateus, por ter cenas em que o personagem distribui tiros dentro de um cinema, teria exercido certa influência para a prática do crime. O jogo chegou a ser proibido no Brasil. Popularmente, uma clara tentativa de se "tapar o sol com a peneira", afinal o histórico do estudante já era sabidamente problemático há tempos. A culpa da segurança do shopping também foi posta em questão, mas o fervor da discussão eram mesmo os jogos de videogame, com os quais a população deveria se preocupar, pois poderiam levar seus filhos a praticarem atos criminosos. Vamos a um vídeo sobre Duke Nukem, jogo de tiro em primeira pessoa com um personagem deveras carismático:

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Notem que o cenário inclui um cinema, mais ou menos com 3 minutos de vídeo (e na tela uma mulher se exibindo, dançando no poste; tirem as crianças da sala!)...

Defendo a teoria de que um jogo não guarda relação alguma com o cometimento de um ato violento qualquer. Se fosse assim, o que dizer de alguém que acabou de ver "Tropa de Elite", por exemplo? Um homicida em potencial? Isso porque o filme ganhou o Urso de Berlim... Bom, talvez esse fato explique o problema: o cinema é uma forma de arte já reconhecida e idolatrada, enquanto os jogos ainda estão em estágio bem menos avançado nesse sentido. Os filmes preferidos do assassino nem foram levados à discussão, lembro apenas que o filme exibido no momento do crime era "Clube da Luta", o que por si só não poderia influenciar desse modo o comportamento de alguém, ainda que se trate de pessoa que sofre de distúrbios psíquicos.

Fazendo uma comparação direta com os filmes, bastaria uma censura para resolver a questão, mas preferiram tentar proibir a venda do jogo. Se não me engano essa proibição foi temporária, porém esse ano o famosíssimo jogo Counter-Strike foi proibido em todo o país. Tentar justificar alegando que a fiscalização é ineficiente é descabido, afinal não há a menor restrição quando se vendem DVDs, por exemplo.

Aliás, a influência que fatores externos exercem sobre nosso modo de agir é temas clássico de estudos psicológicos, no entanto não consigo vislumbrar claramente a diferença entre as manifestações e a reação que provocam. A mais fácil de se interpretar parece ser a música, mas não vejo como diferenciar um jogo de um filme nesse sentido, ou ainda captar a mudança que artes como pintura e escultura podem proporcionar de modo tão direto na mente humana. Talvez eu seja insensível!

Enfim, só queria trazer à tona uma questão que me fascina, além de falar um pouco sobre jogos, uma de minhas paixões. Conte sobre você agora! Como interpreta o tema? Considera-se mais influenciado por alguma forma de arte ou acontecimento? Quem sabe época do ano, horário do dia... Qualquer experiência tá valendo. Nos vemos no próximo post!

Em tempo, uma curiosidade: um dos últimos grandes lançamentos da indústria de videogames, o jogo "GTA IV", faturou em sua primeira semana de vendas mais que qualquer filme lançado até hoje. Se levassem em conta as características do jogo, que inclui nudismo e violência, provavelmente seria proibido...

Um comentário:

  1. Vinícius Barbosa24 de junho de 2008 06:19

    Gostei da seqüência de Duke Nukem. Pena que eu nunca consegui passar da fase do submarino ;)
    Como um cara viciado em videogames há quase 20 anos, acho que posso falar. De forma alguma acho que os videogames são incentivadores de violência. Pelo contrário. Ele acaba se tornando uma terapia para diminuir a violência pois extravasa a nossa maldade. hehehehe. Gostaria de deixar claro que na época do Atari, eu achava as crianças mais violentas do que são hoje pois eram crianças que brincavam muito na rua, verdadeiros atletas infantis, e os esportes preferidos nas ruas é brincar de bola e de briga. Hoje em dia as crianças estão crescendo na frente do pc. Estão mais propícias a se tornarem nerds medrosos que terroristas. E outra... O assassino do cinema não pode ter sido influenciado por um simples jogo. A personalidade é formada por fatores que começam na infância. Então seria dizer que esse cara não foi induzido a matar por causa de Duke Nukem. Se querem um jogo culpado... eis o Pac-man. Agora podem sensurar o coitado.

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