domingo, 11 de maio de 2008

O certo pelo duvidoso

Estava ouvindo rádio no almoço de domingo - meu pai deixou ligado naquelas rádios FM populares - e estranhei as músicas que tocavam. Era uma versão sertaneja de um sucesso do axé de alguns anos atrás. Me vieram à cabeça algumas confabulações, que deixei de lado enquanto assistia o Programa Silvio Santos. Agora que já começou o Domingo Legal e o Silvão foi embora, retomo o raciocínio e passo a narrá-lo abaixo.

A música nacional sempre foi pródiga em fazer versões. Creio que tal expediente tenha surgido (senão tomado força) nos anos 60, com a influência do rock'n roll americano e dos Beatles na jovem guarda. Depois, a era disco e o pop e o new wave dos anos 80. Não estou desmerecendo ninguém, pois temos muitas versões muito boas e muito bem adaptadas por bons arranjadores, bons compositores e bons artistas.

Os artistas geralmente começam a carreira cantando músicas do repertório de outros. Roberto e Erasmo estiveram e estão na boca de muita gente por aí. E no mundo sertanejo, todo mundo canta as músicas de todo mundo, com falsetes, gemidos e tudo o mais. Às vezes nem se sabe quem está cantando.

Mas o que me chamou a atenção ao ouvir o rádio é algo que já está sendo feito há um bom tempo: não se faz mais versões de sucessos estrangeiros, mas de outros ritmos. Ou seja, o forró de ontem vira um axé hoje que vira um sertanejo amanhã. Sim, as bandas de forró sempre tiveram por hábito regravar ao seu estilo as canções populares. Mas ocorre também o inverso.

Não sei se estou falando besteira, mas me parece que há uma certa falta de criatividade no meio musical. Grandes compositores populares não emplacam mais, e essa reciclagem de canções em tudo o que é estilo acaba gerando um círculo vicioso que empobrece a música como um todo.

Será que existe uma falta de canções interessantes para os artistas gravarem? Caso positivo, será que preferem gravar canções já consagradas por outros em obediência à máxima "não se troca o certo pelo duvidoso", ou seja, é melhor cantar uma música já conhecida e de sucesso do que arriscar alguma coisa errada?

Talvez fosse melhor ousar mais. Ou será que não? Muitos vão dizer que a música atual não tem espaço para o certo, mas só para o duvidoso.

O gosto duvidoso.

E feliz dia das mães!

3 comentários:

  1. Hamilton, você bem sabe que acho a música brasileira, pelo menos aquela do tipo que faz mais sucesso e são tocadas em rádios e programas popularescos, uma porcaria sem tamanho.

    Entretanto, como admirador do hard Rock e suas vertentes, fiquei curiosíssimo ao ler (não me lembro onde) que o LATINO estaria rpestes a fazer uma versão da música CRAZY TRAIN, do OZZY, intitulada TREM DA ORGIA. Quero só ver!

    Abraço!

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  2. Hamilton, você tem razão! A música brasileira agora tá virando apenas a regravação da regravação!
    E para atestar isso é só lembrar da famosíssima versão do aclamado Agnaldo Timóteo de " Estoy enamoraaaaaaaado"!!!

    Abraços!

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  3. Tá certo, meu caro. Você não imagina o tanto de versões que eu ouvia lá em Mucuri! Cada música famosa do U2 e do Scorpions tinha uma versão forró, incrível. Ia olhar meu post duplo mas li umas coisas interessantes aqui e vim comentar, heheh!

    Até domingo sai Ronaldo x Mradona, prometo.

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