terça-feira, 27 de maio de 2008

Ainda não desaparecido - Maksoud Plaza

Mais um ícone da nossa infância oitentista que está se esvaindo. Ele ainda funciona, mas não sei se terá o mesmo destino de seus "colegas" paulistanos Crowne Plaza e Hilton (Av. Ipiranga) e o nova-iorquino Plaza.

É que o sr. Henry Maksoud está com altíssimas dívidas trabalhistas e seu luxuoso hotel foi penhorado pela Justiça do Trabalho e levado a leilão na tarde de hoje. Porém, ninguém quis pagar os R$ 47 milhões do lance mínimo. A notícia está nos principais portais e amanhã, certamente, nos jornais impressos: Folha On Line, Terra.

Assim, mais uma referência de nosso apego ao passado em maus lençóis. Nunca me hospedei nesse lugar (faltaria verba e, além disso, pra que me hospedar num hotel se já moro em São Paulo?), nem nunca passei perto. Mesmo assim, é um ícone e referência marcante... de quando, eu, nos tempos de criança, me imaginava descendo de um Opala Diplomata preto e entrando pelo saguão do Maksoud. Ou, como brinca nosso amigo Gustavo, falando num celular tijolão com a secretária, pedindo a ela para marcar uma reunião com o Antônio Ermírio, comprar ações da Autolatina e sacar os cruzeiros novos do banco, antes que seja tarde demais...

sábado, 24 de maio de 2008

Desaparecido: Milkybar

Era uma barra de chocolate com recheio cremoso de leite maltado. Tinha uma embalagem azul ilustrada por uma simpática vaquinha amarela com uma flor na cabeça. Era o Lollo, da Nestlé.



No começo dos anos 90, os embrulhos de papel dos chocolates, que apenas eram dobradas e coladas, foram substituídos por envólucros plásticos e selados.



Note que, neste anúncio reproduzido acima, e publicado em gibis da época, com uma promoção bem bacana, a lateral da embalagem já traz o nome Milkybar.

E aí, anos depois, deu-se a grande mudança. Milkybar é o nome de um chocolate branco vendido pela Nestlé na Austrália, Nova Zelândia, em toda a Europa e outros lugares sem graça. Aqui no Brasil, deram esse nome ao nosso velho Lollo. E também mudou um pouco seu sabor e seu tamanho (diminuiu, evidentemente...).

Sei lá pra que e por que a Nestlé faz isso. Mudou o nome de vários de seus produtos (o Kri, por exemplo, virou Crunch; Quik virou Nesquik e a Sorvetes Yopa virou Sorvetes Nestlé), e acabou com bandeiras como a Biscoitos São Luiz (muitos anos após comprar essa fábrica), que produzia a histórica bolacha Passatempo (que, se não me engano, tinha outro nome também). E deixou milhões de órfãos com a extinção da barra de chocolate Surpresa, que vinha com um card com fotos e informações de animais, para colecionar.

Nestlé, só não mate a Tostines, por favor!!

Escrevi tudo isso por um só motivo. Ninguém encontra mais o fofinho Milkybar para vender! Ele sumiu das prateleiras, desapareceu! Está em algumas caixas de Especialidades Nestlé, mas não em todas (e acompanhado de seu irmão rejeitado Milkybar Brigadeiro...). Parece que é possível encontrar a venda ainda nas Lojas Americanas, em caixas com 30 unidades.

Nas comunidades no Orkut de entusiastas pelo velho Lollo corre a versão de que a Nestlé tirou de sua linha de produção o Milkybar. De fato, uma busca no site da empresa suína, digo, suíça, atesta: nada consta (confira clicando aqui). Resolvi, então, mandar um e-mail para eles, e veja a resposta que eles deram, clicando aqui.

E assim perdemos mais uma pedacinho de nossas vidas. Antes que você me mande ir consultar um terapeuta e me tratar por tanta implicância, digo que não sou só eu que faço este lamento. Outros blogs já haviam tratado deste doce assunto, como o blog ibuh e o site Comidinhas. Parece que o Milkybar foi embora sem que tivéssemos a chance de dar-lhe uma última mordida.

Antes de terminar, uma sugestão. Visite o Museu Nostalgia, um site que tem tudo a ver com este post e de onde vieram as lindas fotos que ilustram este post.

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DESAPARECIDO

Delicioso chocolate da Nestlé com recheio fofinho de leite maltado.

Desapareceu pesando 28g, com um super personagem nas embalagens brincando e fazendo esportes muito legais: natação, surf, skate, patins, patinete, bicicleta, futebol e basquete.

Seus ingredientes são: Açúcar, xarope de glicose, cacau, gordura vegetal hidrogenada, leite em pó integral, açúcar invertido, soro de leite em pó, extrato de malte, cacau em pó, albumina de ovo, sal, umectante sorbitol e glicerol, estabilizantes lecitina de soja e ricinoleato de glicerila, aromatizante. Contém Glúten.

Atende pelo nome Milkybar, mas já se chamou Lollo.

Consumidores inconsoláveis. Gratifica-se a quem encontrar.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Utilidade Pública - Recall do Fox

Num dos posts anteriores, que você pode ler clicando aqui, sobre a indústria automobilística, falei de produção industrial, defeitos de fabricação, responsabilidade do fabricante e mencionei o problema dos VW Fox com o mecanismo de rebatimento dos bancos. É um dos tópicos mais lidos deste nosso pequeno blog, mesmo porque trata, ainda, do peculiar Ford Pinto, um carro bastante problemático (é sério, ele explodia...)

Pois bem, hoje, 13 de maio (aniversário do meu amigo Marcelo, vulgo "Padre", parabéns!) recebi com surpresa um e-mail da Central de Relacionamento com o Cliente da Volkswagen do Brasil solicitando a mim, como blogueiro, a utilização do espaço dos Transcendentes para a divulgação do recall dos carros Fox.

É o que faço, ante o pedido da empresa e a necessidade de que tal mensagem chegue à todo o público, conforme determina o Código do Consumidor (art. 56, XII da Lei Federal 8.038/90).

Passo a palavra à Volkswagen do Brasil, sem antes parabenizá-la pela iniciativa de procurar passar sua mensagem ao público da internet.


COMUNICADO VOLKSWAGEN

A Volkswagen do Brasil informa que, durante reunião com o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), Ministérios Públicos de São Paulo, Santa Catarina e Bahia, Ministério Público Federal e Procon de São Paulo, assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) pelo qual a empresa se compromete a realizar o recall do modelo Fox, readequando o mecanismo de ampliação do porta-malas.
Esclarecimentos adicionais sobre a ação estão sendo veiculados em todas as mídias. Além disso, estão disponíveis uma Linha Direta Especial pelo telefone 0800 019 8866 e um hotsite exclusivamente dedicado ao assunto no endereço
www.vw.com.br/bancotraseirodofox

Central de Relacionamento com Clientes.
Volkswagen do Brasil Industria de Veículos Automotores Ltda
Via Anchieta Km 23,5 CPI: 1048
Bairro Demarchi - São Bernardo do Campo - SP
CEP: 09823-901

domingo, 11 de maio de 2008

O certo pelo duvidoso

Estava ouvindo rádio no almoço de domingo - meu pai deixou ligado naquelas rádios FM populares - e estranhei as músicas que tocavam. Era uma versão sertaneja de um sucesso do axé de alguns anos atrás. Me vieram à cabeça algumas confabulações, que deixei de lado enquanto assistia o Programa Silvio Santos. Agora que já começou o Domingo Legal e o Silvão foi embora, retomo o raciocínio e passo a narrá-lo abaixo.

A música nacional sempre foi pródiga em fazer versões. Creio que tal expediente tenha surgido (senão tomado força) nos anos 60, com a influência do rock'n roll americano e dos Beatles na jovem guarda. Depois, a era disco e o pop e o new wave dos anos 80. Não estou desmerecendo ninguém, pois temos muitas versões muito boas e muito bem adaptadas por bons arranjadores, bons compositores e bons artistas.

Os artistas geralmente começam a carreira cantando músicas do repertório de outros. Roberto e Erasmo estiveram e estão na boca de muita gente por aí. E no mundo sertanejo, todo mundo canta as músicas de todo mundo, com falsetes, gemidos e tudo o mais. Às vezes nem se sabe quem está cantando.

Mas o que me chamou a atenção ao ouvir o rádio é algo que já está sendo feito há um bom tempo: não se faz mais versões de sucessos estrangeiros, mas de outros ritmos. Ou seja, o forró de ontem vira um axé hoje que vira um sertanejo amanhã. Sim, as bandas de forró sempre tiveram por hábito regravar ao seu estilo as canções populares. Mas ocorre também o inverso.

Não sei se estou falando besteira, mas me parece que há uma certa falta de criatividade no meio musical. Grandes compositores populares não emplacam mais, e essa reciclagem de canções em tudo o que é estilo acaba gerando um círculo vicioso que empobrece a música como um todo.

Será que existe uma falta de canções interessantes para os artistas gravarem? Caso positivo, será que preferem gravar canções já consagradas por outros em obediência à máxima "não se troca o certo pelo duvidoso", ou seja, é melhor cantar uma música já conhecida e de sucesso do que arriscar alguma coisa errada?

Talvez fosse melhor ousar mais. Ou será que não? Muitos vão dizer que a música atual não tem espaço para o certo, mas só para o duvidoso.

O gosto duvidoso.

E feliz dia das mães!

domingo, 4 de maio de 2008

A menina e o padre

Separadas por poucas semanas, duas tragédias repercutiram na imprensa e nas rodas de conversa pelo Brasil. Primeiro, a morte da garotinha, defenestrada do apartamento do pai; depois, o desaparecimento de padre que realizava um perigoso vôo impulsionado por balões de gás.

Tais notícias provocaram sentimentos muito diferentes nas pessoas que, em geral, choraram e lamentaram a brutalidade cometida com a inocente criança, mas riram com sarcasmo e deboche da aventura fatal do religioso. Por que tamanha diferença no modo de encarar os fatos, se temos, em última análise, o mesmo evento: a morte?

Ao acompanhar todos os passos e todos os detalhes do caso da morte da garotinha, os canais de televisão foram chamados de sensacionalistas e acusados de estarem transformando o evento trágico em espetáculo. Espero que quem assista saiba fazer a diferenciação e, melhor, saiba e consiga tirar de todo este episódio alguma lição ou aprendizagem acerca do espírito humano. Afinal, assistir, ler, ouvir e comentar com o mesmo interesse de quem acompanha um folhetim, seriado ou novela não colabora em nada para a formação de ninguém. Mesmo que se despertem as emoções - o que elas sozinhas nos dizem?

Chorar num caso ou rir no outro são reações compreensíveis. Mas não se pode esquecer que, por trás desses eventos, há sentimentos mais intensos e verdadeiros, de parentes, amigos e pessoas próximas, que se sentem diretamente atingidos e afetados por tudo o que aconteceu. A eles devemos respeito. A vida real não é um folhetim.

Escrevi sem saber aonde ia chegar. Este post não tem nenhum propósito conclusivo, apenas inquiridor. E chega.

EDIT: engraçado, achei que este tópico iria bombar. Mas só o Thiago Le(g)al comentou alguma coisa. Bom, talvez as pessoas não tenham uma opinião formada. Não se inibam em comentar, eu também ri pacas com essa doideira do Padre Voador.

EDIT 2: mais um comentário no tópico, e com a sensibilidade de uma literata, a Laura. Comentário que vale por muitos, de verdade.

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