domingo, 30 de março de 2008

O Control-C-Control-V

Nosso amigo cartunista, músico, editor gráfico e pseudo-quase-artista de televisão e (salt) cover do Sr. Barriga (ops, escapuliu!...) Igor C. Barros escreveu em um de seus vários blogs sobre as maravilhas do contador de visitas (http://igorcbarros.wordpress.com/2008/03/29/come-que-e/). Depois que comecei a mexer com esse troço fiquei viciado nisso, de poder ter o feedback dos internautas: como eles chegam até nosso endereço, onde clicaram, que pesquisa fizeram no Google etc.

Nosso querido amigo Carastan de Barros ficou bastante impressionado por alguém que entrou em seu "Igor C. Barros Cartoons" (aliás, cadê os cartoons?) no Wordpress procurando na internet por "Eu estou com azar". E deve ter tido muito azar mesmo, pois o Igor não escreveu nunca nada sobre isso, ao menos cientificamente... Também tenho um exemplo bem engraçado. No nosso outro blog http://obaudosilvio.blogspot.com/, uma pessoa descobriu a nossa postagem sobre o microfone do Silvio Santos enquanto procurava "suporte para colocar santos em altar"!

Estas experiências demonstram que, ao contrário do que os defensores das enciclopédias tradicionais dizem, a internet pode ser sim uma grande fonte de pesquisa e não dá apenas respostas mastigadas para nossas perguntas. Costuma-se reclamar do fato de que, na grande rede, basta um clique no Google e descobriremos as respostas que quisermos, e que as crianças não precisam pensar, basta dar um control-c-control-v e pronto, o trabalho escolar de pesquisa já está feito.

O método tradicional de pesquisa em livrões como a Barsa, a Encyclopaedia Britannica, Mirador, Larrouse, Tesouro da Juventude, ou mesmo em fontes menos dignas como o Almanaque Abril, aquelas coleções esquisitas de Reader's Digest, revistas velhas etc... costuma ser defendido assim: quem pesquisa, invariavelmente, enquanto folheia as páginas, acaba encontrando outras coisas interessantes que não estava procurando, lê, aprende e toma gosto e prazer pela leitura. Sim, é verdade. Mas também é verdade que quem quiser simplesmente vê no índice onde está o assunto, vai com pressa até ele, tira cópias ou recorta o texto e as figuras e prontinho. Fez o trabalho no método control-c-control-v primitivo, em que bastava ter uma tesoura e um tubo de cola.

Quem quer e tem interesse de verdade em conhecer as coisas e é curioso e xereta por natureza irá além desse tipo de pesquisa medíocre que narrei nos parágrafos acima. Tanto faz se navegando na rede ou mergulhando no livro, vai aprender algo além daquilo que estava procurando.

Defender apenas os livros é ser conservador ao extremo e negar as facilidades da internet. Defender a internet por causa do control-c-control-v é ser preguiçoso e burro demais para fazer um trabalho sério, e quem o faz certamente faria o mesmo se tivesse em mãos um livro ao invés de um teclado e um mouse.

Mas os professores também têm que fazer a parte deles, pedindo para os alunos trabalhos que exigem alguma reflexão e algum "trabalho", literalmente. Ah, escrevam vinte páginas sobre a Guerra do Paraguai; escrevam cinqüenta sobre a Divisão Internacional do Trabalho; resumam Memórias Póstumas de Brás Cubas e façam um esquema para distribuir para a classe... isso não é dar trabalho aos alunos, é tirar do professor o trabalho de ensinar! Merece tantas críticas quanto os métodos pedagógicos de fazer cartazes com recortes de revista ou pintar figuras a pretexto de estar ensinando inglês ou espanhol: vaca em inglês é "cow", então vamos colorir a vaquinha de amarelo... cachorro se diz "perro", então vamos recortar do gibi da Mônica um Bidu ou um Floquinho e colar nesta cartolina. Então a gente bota a cartolina no corredor para a escola inteira ver que vocês sabem tudo de castelhano. E dá dez pra todo mundo.

Depois de escrever tudo isso só espero que nenhum espertinho vá dar um control-c-control-v neste post e sair divulgando-o apocrifamente por aí. Como diz Luiz Fernando Bindi em http://futeboleumacaixinhadesurpresas.blogspot.com/, Plágio é atestado de burrice!

2 comentários:

  1. Belo post! Concordo plenamente, o modo de se pedir a pesquisa define sua utilidade. E quando feito de qualquer jeito é uma deterioração do trabalho de ensinar...

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  2. Concordo em número, gênero e grau. Bela crítica.

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