sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Resgatando a infância perdida (ou nunca tida)...

Hoje abro espaço neste blog para uma experiência pessoal...

Fui a um sebo no Centro de São Paulo com um amigo; a princípio era só para matar um tempo no final da tarde, mas, vendo umas velharias ele se lembrou de repente da revistinha Herói. "Será que aqui tem?" E procuramos e encontramos vários exemplares em bom estado.

A revista Herói, publicada em parceria pelas editoras Acme e Sampa em fins da década de 1990 era febre entre os meninos. Era especializada em heróis e desenhos japoneses e seriados de televisão. Tinha formato de gibi e, convenhamos, não era lá um primor de publicação, já que o publisher dela era de segunda categoria. Eu não lia a revistinha porque não gosto de animação japonesa, mas eu era a única pessoa que conhecia que não comprava a tal Herói... mas a garotada adorava!

Ah, naqueles tempos em que computador e internet eram pra poucos e não traziam informações sobre os heróis, era das páginas das revistinhas que saía tudo o que se precisava sobre os personagens adorados, com fotos coloridas, sendo possível participar de promoções, eventos, trocar correspondências...

Bem, meu amigo levou pra casa mais de trinta exemplares da revistinha, comprados a preço de banana. Feliz, porque recuperou uma coleção que teve, mas que se perdeu nos escaninhos da vida. Feliz por poder recordar até mesmo o cheiro das páginas e a sensação de comprá-las todo mês com um suado dinheirinho juntado com esforço.

Eu saí de lá sem levar nada, mas pensando em voltar para comprar dois discos: o do Trem da Alegria de 1986 (selo RCA Victor), um clássico infantil, com a formação original Luciano, Patricia e Juninho Bill e a ainda mais clássica He-Man (Michael Sullivan / Paulo Massadas); e o Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta (1978, Editora Abril / RCA Victor), com músicas de Marcio A.Sousa (irmão do Mauricio!) e Yara Maura.

Parece espantoso uma criança ficar parada ao lado de uma vitrola ouvindo músicas. Deixar um moleque correr o risco de estragar a agulha, o disco, tudo! Qual nada, juntava a meninada e saía dançando em volta daquele trambolho. Um deles trazia uma fita K7 e aí fazíamos cópias para ouvir no Meu Primeiro Gradiente... Só dava briga quando vinha um que alterava a rotação do disco, deixando a música engraçada, mas que medo que dava de estragar o disco!

E ficar quieta ouvindo uma história da literatura universal na mesma vitrola, a criançada ficava? Ô! E não só essas obras primas, como também contos de fada e histórias da carochinha, que vinham em disquinhos coloridos. E o disco da Turma da Mônica de que falei ainda vinha com um encarte que era um livrinho com a história e cifras para tocar as músicas no violão. Enfim, diversão completa num mundo sem computador e sem videocassete. Alguém aí falou em DVD? Rá...

Mas se eu nasci em 1985; como é que vou resgatar minha infância com essas coisas que, teoricamente, não era pra eu ter conhecido? Ora, pelo amor de Deus! Ainda sou da geração anos 80, portanto conhecer o Trem é mais que minha obrigação. E da Turma da Mônica sou leitor desde o berço, coleciono tudo a respeito.

Tiro do passeio de hoje duas conclusões. A primeira é a de que a minha infância, por increça que parível, começou antes d'eu nascer e, portanto, eu sou uma pessoa completamente anormal (não que eu já não soubesse disso, mas disse que tirei conclusões, e não que tirei conclusões inéditas!). A segunda conclusão é a de que não se fazem mais infâncias como antigamente (coisa que eu também já sabia).

Meu amigo, que sempre me achou saudosista e pessimista quanto ao mundo que nos cerca, nesse ponto concordou comigo. Quem não concordaria?

2 comentários:

  1. concordo com você!!

    vi seu blog la na comunidade do trem, muito legal! :)

    falow

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  2. Tô lendo tudo de novo! Hahahahhaha

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