segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O barato sai carro...

Sim, vamos dar um tempo nas velharias empoeiradas da infância (por enquanto...). Vamos falar de automóveis, assunto que muito nos apetece.

Primeiramente, peço perdão pelo trocadilho infame. Mas é verdade: na ânsia de baratear os custos de produção, as indústrias às vezes criam opções que acabam saindo pior do que a encomenda. E tocam a convocar os compradores para substituir peças defeituosas, trocar lotes de produtos e coisa e tal. O exemplo mais freqüente á o da indústria automobilística.

Na semana passada, duas notícias rodaram o mundo. A Volkswagen do Brasil, às voltas com um mecanismo de difícil manejo para o rebatimento do banco traseiro de seu modelo Fox, que acaba por amputar o dedo dos motoristas. E a Ford, que anunciou que irá recomprar de seus proprietários todas as caminhonetes Pantanal, fabricadas pela brasileira Troll, nova empresa do grupo, por terem um problema incorrigível no chassi.

Muitos criticaram a VW por nada fazer, a não ser se pronunciar dizendo que o dispositivo de deitar o banco do Fox funciona bem. Outros reclamaram da postura da Ford, que, ao invés de tentar propiciar aos consumidores um mercado de peças de reposição, optou por retirar de circulação as picapes fabricadas no Ceará, minando de vez a marca de caminhonetes nacional. E mais outros falaram mal da Troll, empresa brasileira adquirida pela Ford, que, segundo alegam, não fabricava seus veículos com muito capricho, e cujo dono preferiu vender a empresa para o grupo estrangeiro e lucrar, a despeito de proclamar aos quatro cantos ser uma indústria 100% brasileira.

Creio que, das três montadoras citadas, a Ford fez o mais certo. Vai gastar muito dinheiro para comprar de volta os carros, mas vai zelar por sua imagem de respeito ao consumidor. A empresa do tio Henry já sofreu muito em seu passado por defeitos em seus carros, razão pela qual acredito que deva saber o que está fazendo.

Nos anos 1970, The Ford Motor Company lançou um carro compacto que fez bastante sucesso; na verdade, uma família: com hatch, perua etc. que lembrava o primeiro Chevette lançado no Brasil pela GM. O nome desse carrinho era... Pinto. Explica-se: naquele tempo, a Ford batizava seus carros com nomes de cavalos, tais como Corcel, Mustang... Pinto... sim, trata-se de um cavalo e não de um filhote de galinha ou coisa pior. O fato é que o carrinho era bem vendido, mas tinha um problema: mal-projetado, o tanque de gasolina ficava na traseira e, numa colisão a 30 km/h com um carro vindo de trás, o combustível vazava para dentro do carro e, quase sempre, originava um incêndio e uma tragédia.



E foram inúmeras as ocorrências. A imprensa americana divulgou que a Ford tinha ciência do defeito, mas que pagar indenizações às vítimas saía mais em conta do que fazer um recall de todos os Pintos vendidos e solucionar o problema do projeto. Aí foi um Deus-nos-acuda até a marca finalmente convocar 1,5 milhão de Pintos num recall. Mas aí não só o carro estava queimado, como também a imagem pública da empresa...



O Ford Pinto ficou no imaginário popular como um dos piores carros já feitos. A maioria das pessoas só lembra dele pegando fogo, e, hoje, está cotado entre os carros mais feios do mundo (http://motorblog.blogtvbrasil.com.br/2007/09/22/os-10-carros-mais-feios-do-mundo). Muitos anos depois, no final da década de 1990, outra vez a Ford esteve em maus lençóis: um defeito em mais de 60 milhões de pneus Firestone que calçavam suas picapes Explorer os fazia explodir e capotar. Um recall gigantesco nos EUA, e o fim de um casamento secular entre as empresas.

Se já passou por tamanhos infortúnios no passado, por que a Ford deveria aceitar um defeito tão grave nas pouco mais de 70 caminhonetes fabricadas e vendidas pela Troller em 2007? É melhor mesmo que as tire de circulação, pagando o preço justo aos consumidores, ao invés de esconder o problema como se não houvesse nada de errado.

YOUTUBE BÔNUS

Comercial de lançamento do Ford Pinto, de 1970, chamado por lá de "Introduzindo o Pinto"...




A falta de noção completa da Ford ao fazer uma propaganda do Pinto numa arena de corrida de demolição de carros!




O famoso vídeo do crash-test que demonstra a fragilidade do Ford Pinto



Um comentário:

  1. Meu pai insiste em dizer que os carros da Ford (os atuais mesmo) têm um problema na suspensão dianteira que eles nunquinha resolveram. Coisa bem antiga mesmo, do tempo que a gente tinha um Escort. kkkkkkkkkkk

    Se ele diz, né?

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