sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Editora Globo cancela sua linha de quadrinhos

A notícia já circula há algumas semanas em sites e blogs especializados em histórias em quadrinhos. A Editora Globo sentiu o golpe da perda da Turma da Mônica para a editora italiana Panini, viu sua vendagem cair e, com seus atuais produtos "Menino Maluquinho”, “Junim” e “Julieta” (de Ziraldo), “Sítio do Picapau Amarelo”, “Você Sabia?”, “Cuca”, “Emília” (baseados na obra de Monteiro Lobato) e “Cocoricó" (sob licença da TV Cultura) não conseguiram segurar a barra. Segundo a empresa, "é uma decisão econômica, financeira e de mercado" (veja reportagem completa em: http://www.universohq.com/quadrinhos/2008/n28012008_01.cfm)

A Globo afirmou que não pretende abandonar de vez esse nicho, e ainda quer publicar quadrinhos, mas esporadicamente. Como vem fazendo a Editora Abril com sua linha Disney (outrora líder mundial em quadrinhos, exceto no Brasil, em que lidera a Turma da Mônica, e que perdeu o posto no resto do mundo para o fenômeno dos mangás), que vendeu milhões de revistinhas por décadas a fio e agora é publicada apenas irregularmente.

A Panini chegou "causando" no mercado de HQs brasileiro. Tirou a linha de super-heróis americanos (DC e Marvel) da Abril e as criações de Mauricio de Sousa da Globo. Parece haver um início de um monopólio nada interessante, pois a editora italiana tem graves problemas na distribuição nacional de revistas.

Mas, para nós, os Transcendentes, o que importa é o seguinte: "A grande perda é para a cultura brasileira e para os leitores brasileiros, já que todas as publicações canceladas eram feitas por roteiristas e desenhistas brasileiros. A possível crise dos comics está estagnando o gênero no Brasil, de acordo com muitos críticos. O entretenimento eletrônico é um dos causadores da crise. No Japão, não há crise no setor de quadrinhos, já que o público mantém hábitos e costumes, mas a tradição não é o ponto forte dos ocidentais. A avalanche de produções japonesas, os mangás, chegou ao país desde a popularização dos animês, o que fez com que as produções nacionais perdessem espaço. A venda dos mangás hoje também supera a venda das HQs americanas no mundo todo." (grifos nossos. Reportagem de Túlipe Helena para o ohaYÔ! do UOL. Leia a íntegra em: http://www2.uol.com.br/ohayo/v4.0/Comics/bancasbrasileiras/fev18_globo.shtml)

É triste a decisão da Globo em razão de sua história. Mais de 70 anos de tradição em quadrinhos, tendo publicado Mandrake, Recruta Zero, Spirit, Ferdinando, Batman, Flash Gordon, Nick Holmes, Fantasma, Sandman, V de Vingança, Orquídea Negra, Gasparzinho, Brasinha, Tex, Nathan Never, Riquinho, Lobo, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, Hulk, Kripta, Jerônimo - O Herói do Sertão, Dico - O artilheiro, Mortadelo e Salaminho, Gen 13, Cyber Force, Witchblade, Wild C.A.T.s, Excalibur, Motoqueiro Fantasma, Cavaleiro da Lua etc., sem esquecer "O Globo Juvenil", revista na qual Mauricio de Sousa, quando criancinha, tomou o gosto pela leitura e pelo desenho. A alavancada geral da editora Globo deu-se em 1986, por aí, incorporando a editora Rio-Gráfica, lançando revistas de interesse geral e trazendo a Turma da Mônica para seu catálogo.

Nos jornaleiros, há uns 15 anos, tínhamos a Globo, a Abril e mais outras editoras menores publicando quadrinhos... e não era apenas os heróis da Marvel e DC Comics, Maurício de Sousa e Disney, não... havia muito espaço para produções nacionais: Xuxa (uma das mais vendidas na época, a Xuxa era uma franquia e tanto); Sérgio Mallandro; Gugu; Faustão (Fausto tinha 2 sobrinhos gordinhos: Faustino e Faustina); As Aventuras dos Trapalhões (era muito bom); Chaves & Chapolim (na TV, SBT; nos quadrinhos, Globo); Chapolim & Chaves (idem); Senninha e Sua Turma (lançada por Senna em 1994); Leandro & Leonardo; Patricinha; A Turma do Arrepio; A Turma do Alegria; Zé Carioca (Disney, mas Brasileiro...); Urtigão (idem); O Menino Maluquinho (outro muito bom); TV ColOsso etc.

E tinha espaço para: Pica-Pau; Tom & Jerry; Gasparzinho; Riquinho; Tiny Toon; Pernalonga; Família Dinossauro; Luluzinha; Bolinha, além de muitas outras revistas e que tais...

Quantos gibis! Fiquei até arrepiado de lembrar deles...

A crise dos HQs trata-se, ao meu ver, de um reflexo do crescimento das diversões eletrônicas (computador, desenhos cheios de efeitos, videogame), não necessariamente apenas do surgimento do mangá, pois minou também os programas de TV infantis (o que temos hoje? Bom Dia e Cia?), o circo, os palhaços e a música (o que as crianças ouvem hoje? Kelly Key? Créu?) O reflexo disso para as infâncias de hoje é bem triste...

Que pensam disso?

Triste, triste...

3 comentários:

  1. O que dizer, então, da revista Mad? Ficou um bom tempo na editora Vecchi (os exemplares da época são itens de colecionador), ficou outros vários anos na Record e depois cambaleou entre editoras pequenas e a qualidade da revista diminuiu muito!

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  2. Leonardo, bom te ver por aqui! E comentando! Realmente esqueci da MAD no meu post... mas soube que ela será publicada de novo no Brasil... pela Panini!

    A Panini tá dominando tudo, ela pensa que é o Google ou o quê?!

    abraços

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  3. Pois é, amigo.E a Hanna-Barbera, outrora nas mãos da RGE e Abril, hoje temos que comer o que a Panini publica.Ou seja, com toda a riqueza dos personagens como Herculóides, Gulliver, Impossíveis, Space Ghost, etc. estamos relegados(nós e nossos descendentes) a ler somente Scooby Doo, Flintstones, Jetsons, e um pequeno punhado mais...

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