terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O que é ser brega

Ontem de manhã ocorreu a solenidade de recepção aos calouros da Turma 181 da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Pela quinta vez, agora em meu último ano de graduação, estive lá para ver, com o peculiar desinteresse de veterano, o que se passava, e sondar as expressões deslumbradas dos novos alunos.

Eis que surge o diretor, prof. Rodas, devidamente paramentado para a solenidade, com beca e tudo. Faz uma saudação e convida a todos a, de pé, ouvirmos o Hino Nacional, tocado pela Banda Marcial da Polícia Militar. Após o hino (que bom, não houve aplausos), Rodas diz algumas palavras piegas sobre a música estimular e provocar nossas emoções. Fala com conhecimento de causa, pois estudou música.

E então, o inesperado.

Para mim foi inacreditável a Banda Marcial da Polícia Militar comparecer à Aula Magna de abertura do ano letivo de 2008 para tocar o que tocou. "My Way"! Não quero desmerecer a música composta por Paul Anka, que é bonita e que todos conhecem das magistrais e definitivas interpretações do próprio Anka, de Elvis Presley e Frank Sinatra, sendo também famosa a tradução livre feita pelo saudoso Hélio Ribeiro em seu programa na Rádio Bandeirantes (ele que inventou esse negócio do locutor dizer os versos em português enquanto uma música estrangeira é executada na rádio, e que hoje qualquer FM chinfrim faz). Da mesma maneira, não quero desmerecer a Banda, que tocou muito bem a música.

Mas... que repertório foi esse? My Way tem aquela cara de despedida, e não de chegada. E era a chegada dos calouros! Para mim, mais do que uma escolha inadequada, aquilo foi a definição do que é ser "brega".

My Way, naquela hora, virou uma música brega. Percebi que brega não é o que é cafona, fora de moda ou de mau gosto, como costumamos pensar, mas o que está no lugar errado ou na hora errada. Casamentos e formaturas têm seus momentos que podem ser considerados brega, como aquela valsa de Schubert tocada num tecladinho Casio, que logo depois vai tocar também um forrózinho que só tem dois acordes. Ser brega é uma questão que transcende as classes sociais.

Existem as coisas chamadas de brega que são institucionalizadas e, por isso, aceitas. Como várias canções de Roberto Carlos ou aqueles trajes "a rigor" que se aluga para ir a festas. As outras, que vão chegando, não conseguem escapar do rótulo: jacu, cafona... olha aquela roupa, ouve essa música... em geral o que vem dos estados do Norte e Nordeste sofrem mais dessa aversão dos sulistas. Calypso é brega? Todo mundo acha. Mas todo mundo já dançou um dia macarena e lambada, com o lenço da viúva Porcina e não achou brega.

Não concordo com essa alcunha: "brega", nesses casos que citei. Ainda bem que hoje em dia os tabus em relação a esse termo já estão caindo. O que é brega é o que é popular, e finalmente estamos percebendo isso. O Brasil é um país brega.

Por outro lado, o "brega" que ocorreu na Aula Magna da Faculdade é outro: o verdadeiro brega, o que não se enquadra no contexto. Com a pompa que se esperava do evento, com a presença da banda marcial, poder-se-ia esperar uma marcha ou um hino. Uma música popular, se a ocasião fosse mais informal. Para mim, soou mal, estranho demais, surpreendente. Brinquei com uns amigos que poderiam ter trazido o Tony Bennett para a sessão, que ficaria bastante adequado.

A música é bonita, todos conhecem e gostam, foi bem executada, todo mundo aplaudiu. Mas era para ser uma solenidade e não um banquete, uma formatura, um casamento, um batizado, um aniversário de um cara chique no úrtimo de família quatrocentona. Por isso, achei brega, e entendi o significado dessa palavra. Mas podia ter sido pior: poderiam ter mandado tocar o "Tema da Vitória", e ter aparecido uma estátua viva fazendo uma performance com a bandeira do Brasil. Ainda bem que foi só isso o que aconteceu.

"Yes, it was my way..."

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Pode vir, Lasier... as uvas estão desligadas!


Ontem Lasier Martins voltou à festa da uva de Caxias do Sul... e o que aconteceu?

Se você não sabe do que estou falando, clique aqui: http://transcendentes.blogspot.com/2008/02/celebridades-instantneas.html

E se você sabe do que estamos falando e quer saber o que aconteceu, também clique. O post original sobre o evento foi atualizado.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Editora Globo cancela sua linha de quadrinhos

A notícia já circula há algumas semanas em sites e blogs especializados em histórias em quadrinhos. A Editora Globo sentiu o golpe da perda da Turma da Mônica para a editora italiana Panini, viu sua vendagem cair e, com seus atuais produtos "Menino Maluquinho”, “Junim” e “Julieta” (de Ziraldo), “Sítio do Picapau Amarelo”, “Você Sabia?”, “Cuca”, “Emília” (baseados na obra de Monteiro Lobato) e “Cocoricó" (sob licença da TV Cultura) não conseguiram segurar a barra. Segundo a empresa, "é uma decisão econômica, financeira e de mercado" (veja reportagem completa em: http://www.universohq.com/quadrinhos/2008/n28012008_01.cfm)

A Globo afirmou que não pretende abandonar de vez esse nicho, e ainda quer publicar quadrinhos, mas esporadicamente. Como vem fazendo a Editora Abril com sua linha Disney (outrora líder mundial em quadrinhos, exceto no Brasil, em que lidera a Turma da Mônica, e que perdeu o posto no resto do mundo para o fenômeno dos mangás), que vendeu milhões de revistinhas por décadas a fio e agora é publicada apenas irregularmente.

A Panini chegou "causando" no mercado de HQs brasileiro. Tirou a linha de super-heróis americanos (DC e Marvel) da Abril e as criações de Mauricio de Sousa da Globo. Parece haver um início de um monopólio nada interessante, pois a editora italiana tem graves problemas na distribuição nacional de revistas.

Mas, para nós, os Transcendentes, o que importa é o seguinte: "A grande perda é para a cultura brasileira e para os leitores brasileiros, já que todas as publicações canceladas eram feitas por roteiristas e desenhistas brasileiros. A possível crise dos comics está estagnando o gênero no Brasil, de acordo com muitos críticos. O entretenimento eletrônico é um dos causadores da crise. No Japão, não há crise no setor de quadrinhos, já que o público mantém hábitos e costumes, mas a tradição não é o ponto forte dos ocidentais. A avalanche de produções japonesas, os mangás, chegou ao país desde a popularização dos animês, o que fez com que as produções nacionais perdessem espaço. A venda dos mangás hoje também supera a venda das HQs americanas no mundo todo." (grifos nossos. Reportagem de Túlipe Helena para o ohaYÔ! do UOL. Leia a íntegra em: http://www2.uol.com.br/ohayo/v4.0/Comics/bancasbrasileiras/fev18_globo.shtml)

É triste a decisão da Globo em razão de sua história. Mais de 70 anos de tradição em quadrinhos, tendo publicado Mandrake, Recruta Zero, Spirit, Ferdinando, Batman, Flash Gordon, Nick Holmes, Fantasma, Sandman, V de Vingança, Orquídea Negra, Gasparzinho, Brasinha, Tex, Nathan Never, Riquinho, Lobo, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, Hulk, Kripta, Jerônimo - O Herói do Sertão, Dico - O artilheiro, Mortadelo e Salaminho, Gen 13, Cyber Force, Witchblade, Wild C.A.T.s, Excalibur, Motoqueiro Fantasma, Cavaleiro da Lua etc., sem esquecer "O Globo Juvenil", revista na qual Mauricio de Sousa, quando criancinha, tomou o gosto pela leitura e pelo desenho. A alavancada geral da editora Globo deu-se em 1986, por aí, incorporando a editora Rio-Gráfica, lançando revistas de interesse geral e trazendo a Turma da Mônica para seu catálogo.

Nos jornaleiros, há uns 15 anos, tínhamos a Globo, a Abril e mais outras editoras menores publicando quadrinhos... e não era apenas os heróis da Marvel e DC Comics, Maurício de Sousa e Disney, não... havia muito espaço para produções nacionais: Xuxa (uma das mais vendidas na época, a Xuxa era uma franquia e tanto); Sérgio Mallandro; Gugu; Faustão (Fausto tinha 2 sobrinhos gordinhos: Faustino e Faustina); As Aventuras dos Trapalhões (era muito bom); Chaves & Chapolim (na TV, SBT; nos quadrinhos, Globo); Chapolim & Chaves (idem); Senninha e Sua Turma (lançada por Senna em 1994); Leandro & Leonardo; Patricinha; A Turma do Arrepio; A Turma do Alegria; Zé Carioca (Disney, mas Brasileiro...); Urtigão (idem); O Menino Maluquinho (outro muito bom); TV ColOsso etc.

E tinha espaço para: Pica-Pau; Tom & Jerry; Gasparzinho; Riquinho; Tiny Toon; Pernalonga; Família Dinossauro; Luluzinha; Bolinha, além de muitas outras revistas e que tais...

Quantos gibis! Fiquei até arrepiado de lembrar deles...

A crise dos HQs trata-se, ao meu ver, de um reflexo do crescimento das diversões eletrônicas (computador, desenhos cheios de efeitos, videogame), não necessariamente apenas do surgimento do mangá, pois minou também os programas de TV infantis (o que temos hoje? Bom Dia e Cia?), o circo, os palhaços e a música (o que as crianças ouvem hoje? Kelly Key? Créu?) O reflexo disso para as infâncias de hoje é bem triste...

Que pensam disso?

Triste, triste...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O barato sai carro...

Sim, vamos dar um tempo nas velharias empoeiradas da infância (por enquanto...). Vamos falar de automóveis, assunto que muito nos apetece.

Primeiramente, peço perdão pelo trocadilho infame. Mas é verdade: na ânsia de baratear os custos de produção, as indústrias às vezes criam opções que acabam saindo pior do que a encomenda. E tocam a convocar os compradores para substituir peças defeituosas, trocar lotes de produtos e coisa e tal. O exemplo mais freqüente á o da indústria automobilística.

Na semana passada, duas notícias rodaram o mundo. A Volkswagen do Brasil, às voltas com um mecanismo de difícil manejo para o rebatimento do banco traseiro de seu modelo Fox, que acaba por amputar o dedo dos motoristas. E a Ford, que anunciou que irá recomprar de seus proprietários todas as caminhonetes Pantanal, fabricadas pela brasileira Troll, nova empresa do grupo, por terem um problema incorrigível no chassi.

Muitos criticaram a VW por nada fazer, a não ser se pronunciar dizendo que o dispositivo de deitar o banco do Fox funciona bem. Outros reclamaram da postura da Ford, que, ao invés de tentar propiciar aos consumidores um mercado de peças de reposição, optou por retirar de circulação as picapes fabricadas no Ceará, minando de vez a marca de caminhonetes nacional. E mais outros falaram mal da Troll, empresa brasileira adquirida pela Ford, que, segundo alegam, não fabricava seus veículos com muito capricho, e cujo dono preferiu vender a empresa para o grupo estrangeiro e lucrar, a despeito de proclamar aos quatro cantos ser uma indústria 100% brasileira.

Creio que, das três montadoras citadas, a Ford fez o mais certo. Vai gastar muito dinheiro para comprar de volta os carros, mas vai zelar por sua imagem de respeito ao consumidor. A empresa do tio Henry já sofreu muito em seu passado por defeitos em seus carros, razão pela qual acredito que deva saber o que está fazendo.

Nos anos 1970, The Ford Motor Company lançou um carro compacto que fez bastante sucesso; na verdade, uma família: com hatch, perua etc. que lembrava o primeiro Chevette lançado no Brasil pela GM. O nome desse carrinho era... Pinto. Explica-se: naquele tempo, a Ford batizava seus carros com nomes de cavalos, tais como Corcel, Mustang... Pinto... sim, trata-se de um cavalo e não de um filhote de galinha ou coisa pior. O fato é que o carrinho era bem vendido, mas tinha um problema: mal-projetado, o tanque de gasolina ficava na traseira e, numa colisão a 30 km/h com um carro vindo de trás, o combustível vazava para dentro do carro e, quase sempre, originava um incêndio e uma tragédia.



E foram inúmeras as ocorrências. A imprensa americana divulgou que a Ford tinha ciência do defeito, mas que pagar indenizações às vítimas saía mais em conta do que fazer um recall de todos os Pintos vendidos e solucionar o problema do projeto. Aí foi um Deus-nos-acuda até a marca finalmente convocar 1,5 milhão de Pintos num recall. Mas aí não só o carro estava queimado, como também a imagem pública da empresa...



O Ford Pinto ficou no imaginário popular como um dos piores carros já feitos. A maioria das pessoas só lembra dele pegando fogo, e, hoje, está cotado entre os carros mais feios do mundo (http://motorblog.blogtvbrasil.com.br/2007/09/22/os-10-carros-mais-feios-do-mundo). Muitos anos depois, no final da década de 1990, outra vez a Ford esteve em maus lençóis: um defeito em mais de 60 milhões de pneus Firestone que calçavam suas picapes Explorer os fazia explodir e capotar. Um recall gigantesco nos EUA, e o fim de um casamento secular entre as empresas.

Se já passou por tamanhos infortúnios no passado, por que a Ford deveria aceitar um defeito tão grave nas pouco mais de 70 caminhonetes fabricadas e vendidas pela Troller em 2007? É melhor mesmo que as tire de circulação, pagando o preço justo aos consumidores, ao invés de esconder o problema como se não houvesse nada de errado.

YOUTUBE BÔNUS

Comercial de lançamento do Ford Pinto, de 1970, chamado por lá de "Introduzindo o Pinto"...




A falta de noção completa da Ford ao fazer uma propaganda do Pinto numa arena de corrida de demolição de carros!




O famoso vídeo do crash-test que demonstra a fragilidade do Ford Pinto



domingo, 17 de fevereiro de 2008

Os sebos

Hoje não farei um post prolongado, apenas complementarei a postagem anterior do meu sócio Hamilton, sobre a origem do termo "sebo", as lojas que vendem principalmente livros e discos usados, muito famosas no centro de São Paulo, por exemplo.

Em princípio, o significado óbvio de "sebo" relaciona-se a sujeira, poeira, algo que é formado por falta de limpeza com o passar do tempo. Desse modo, os sebos originaram-se do costume, presente entre alunos universitários, de vender seus livros usados e que provavelmente não seriam mais úteis para os novos alunos. Sem dúvidas é um ato nobre, pois transmite o aprendizado a novas cabeças. Assim sendo, o "sebo" seria um modo de caracterizar a sujeira que inevitavelmente era acumulava quando um livro passava por várias mãos. Já ouvi dizerem que a denominação surgiu na Faculdade de Direito de São Paulo (um outro costume muito forte no centro da cidade: relacionar tradições e denominações de lugares, lanches ou costumes com a Faculdade), no entanto encontrei uma versão divergente.

Tal teoria ensina que o termo vem do tempo em que se lia com o auxílio de luz de vela, cujo sebo pingava nos livros (créditos ao "Blog da Livraria Osório - SEBO"). Ainda conforme essa explicação, os sebos surgiram na Europa, por volta do século XVI. No começo não havia livros, portanto vendiam pergaminhos e alfarrábios (sabiamente citados pelo meu companheiro na tabela à esquerda, como compilação de documentos antigos).

Creio que a teoria relacionada à sujeira faça mais sentido, afinal não é tão difícil ler um livro à luz de velas sem derrubar sebo nele... No entanto, creio que a data está mais correta, afinal vender objetos usados deve ser um hábito bem antigo e inerente ao ser humano desde as trocas mais primitivas, quando o comércio surgia no mundo.

Espero voltar a postar em breve, novas idéias esperam brotar em breve nesse mesmo endereço e possivelmente nessa semana... Até lá!





sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Resgatando a infância parte 2 - o preço da cultura

Continuando o espaço aberto na minha última postagem, fiquei com muita vontade de comprar aqueles discos de que falei, o Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta (editora Abril/RCA Victor, 1978) e Trem da Alegria ("He-Man", RCA Victor, 1986). Então voltei ao sebo no qual tinha encontrado tais raridades, mas só achei o da Mônica, o outro já tinham levado. Fiquei aborrecido, chateado pela oportunidade perdida e saí sem nem mesmo levar o outro disco.

Lembrei da minha máxima em relação aos sebos: quando você não quer, tem; quando quer, não tem. Se você deixar a oportunidade passar, nunca mais. Por menores que sejam suas expectativas sempre tem outro doido que quer comprar a mesma coisa que você e se você deixar, ele vai comprar.

E sei lá por qual motivo, fiquei obcecado por comprar a discografia completa do Trem da Alegria. Não para ouvir, pois a vitrola que tenho nem sei se funciona; a última vez que usei ficou repetindo as mesmas palavras, as mesmas palavras, as mesmas palavras... e já tenho a discografia em mp3.

Pensei: o sebo que visitei é o mais famoso de São Paulo; perto dele há vários outros sebos menos badalados. É pra eles que eu vou. Passei primeiro num em que havia o primeiro disco do Bozo, raridade total, e mais outras coisas incríveis como Atchim e Espirro (ouvia tanto eles quando tinha 4 anos...). Qual não foi minha surpresa quando encontrei noutro sebo uma sessão só com discos do Trem da Alegria? E lá estava o que eu queria e mais outros dois álbuns quase novos, todos com os encartes intactos. Dois custaram R$ 3 e um R$ 4.

Mais garimpagem. Um sebo com discos a R$ 1. Vários vinis de samba enredo (tenho um amigo que iria gostar disso), e achei o LP do Trem de 1990 e o outro, o Patrícia & Luciano - Clube da Criança, de 1984, o disco que deu origem ao grupo! Com encarte! A moça do caixa deu uma risadinha da minha compra, não sei se foi deboche... se foi, coitada, não teve infância...

Numa outra loja do mesmo sebo em que comprei os primeiros discos, encontrei mais um, esse lindão, o disco dentro do saquinho e tudo. O cara ainda limpou o disco para mim. R$ 2.

E, finalmente, na quinta-feira fui a um sebo em que nunca havia pisado e achei o mais difícil disco até agora, o de 1985 (Uni Duni Tê e Dona Felicidade). Mais dois reais.

Total do investimento: R$ 16 por sete discos e parte da minha infância recuperada.

Até então nunca havia comprado disco em sebo, mas livros jurídicos (achei Direitos Reais do Darcy Bessone por R$ 20! Que pechincha!), livros para o ócio (A Vida Espetacular de Silvio Santos, de 1972, que raridade), gibis (livro de tirinhas do Bidu, de 1973, por R$ 1 foi o melhor achado até hoje) e revistas (a Quatro Rodas Especial com o Senna campeão de 1988 é sensacional!). Adquirir esses bolachões foi de todas a experiência mais interessante. Falam muito que os vinis têm um som bem melhor do que o CD. Mas a experiência sensorial também é outra. Você tem contato com aquele discão, sente o cheiro (nesse caso, de poeira...), olha os detalhes da capa, do encarte, enorme, quase um pôster...

Lembrei-me dos povos antigos, para quem a experiência sensorial deve ser completa nos momentos prazerosos: num banquete, no sexo, numa cerimônia religiosa... pensei nos gregos, que quebravam os pratos no fim da refeição para ter a sensação auditiva, e, assim, alcançar a plenitude dos cinco sentidos naquela ocasião. Puxa vida, até isso nosso mundo atual está perdendo, com esses iPods da vida... ouvir música deixou de ser um ritual para ser algo tão banal e, pior, um instrumento de isolamento pessoal no dia-a-dia da cidade.

Tá legal, mas desviei totalmente do assunto. O tema aqui é "o preço da cultura". Vamos a ele.

Foi realmente surpreendente observar a disparidade de preços praticada entre os sebos do Centrão. O tal disco da Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta, que quase comprei a R$ 3, encontrei noutro sebo por R$ 21! E em pior estado, até. O livro do Darcy Bessone que eu citei há pouco e que paguei R$ 20 já vi por R$ 110, nas mesmas condições de conservação.

Existem dois tipos de preço, o que o dono do sebo acha que vale e o que a gente acha que deveria valer. E há vários tipos de sebo, também. Tem os mais famosos, que vendem refugos a preços ínfimos e semi-novos, que têm mais procura, em detrimento das raridades. Tem aqueles que só tem poeira amontoada; tem outros que parece que passou um tornado dentro da loja e nada está no lugar, etc. O melhor sebo para se comprar coisas é aquele que não é especializado nelas; é o que chamo de sebo burro, pois não dá o valor certo às coisas, chuta o preço bem alto ou bem baixo. Se chutou baixo, compra logo, não perca a chance! Só que é preciso sorte para encontrar o que quer, justamente porque o sebo não é especializado, logo, os funcionários às vezes nem sabem do que você está falando.

Os discos que comprei servem de exemplo. Pelo preço que paguei por um quase novinho, podia ter levado outro exemplar rasgado, sujo e rabiscado pelo ex-dono, uma criança que estava em processo de alfabetização. E podia ter levado dois ou até três em outra loja.

Ir a sebos é uma experiência trash. Escadas sujas, corredores estreitos, estantes despencando, sobrelojas com buracos no piso. Os preços das coisas que comprei agradaram meu bolso, mas certamente são muito menores do que o valor real dessas coisas. Vi discos de tantos artistas, vivos e mortos, famosos e desconhecidos, e sei que há o valor afetivo de quem os comprará um dia. Mas penso no valor que vem da história do objeto. De como representam artistas que se dedicaram, lutaram, venderam milhares de cópias, e que um dia, esquecidos ou não, foram parar ali naquele lugar sujo e escuro, correndo riscos de se danificarem para sempre. Objetos que trazem neles a vida de alguém que os comprou numa loja, no Carrefour, no Paes Mendonça, deu de presente com dedicatória, ouviu, ficou triste quando riscou, teve que vender, se arrependeu disso (ou não)... E a história de quem um dia, de repente, achou naquele sebo imundo aquela bugiganga que achava que nunca mais iria ver novamente, que talvez sequer lembrasse que um dia havia existido, que faz lembrar dias felizes, que sempre quis ter mas nunca pôde, que enriquecerá sua vida.

Histórias assim entram e saem diariamente dos sebos. E valem muito mais do que os poucos reais que paguei. Melhor do que comprar coisas em site de leilão, melhor do que comprar coisas novas em shopping.

EM TEMPO
Estão me faltando os discos do Trem da Alegria de 1991 (com as músicas O Lobisomem e Estação Felicidade) e 1992 (uma coletânea, com 4 faixas inéditas, como Alguém no Céu, o único lançado em CD pela RCA/BMG-Ariola). Se alguém encontrar com encarte, inteirões, e se estiver barato, compre. Não perca oportunidades.

Vou deixar para meu amigo Daniel explicar em sua sessão cultural por que as lojas de coisas usadas chamam-se "sebos". A explicação é muito boa.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sementes de Cultura 2 - O Big do Brother

Depois de algum tempo, e também devido ao Carnaval, volto finalmente a postar (de novo no domingo, tá virando costume). Ao longo do post vi que fui caminhando para um novo texto informativo, com um pouco mais de críticas que o das sete maravilhas, e vi que cheguei à segunda edição das sementes de cultura, agora com um viés mais crítico, porém ainda contribuindo para que você, leitor(a), reflita sobre as influências de obras literárias no seu mundo.

Se você já leu algumas postagens mais antigas, deve ter percebido que o programa "Big Brother Brasil" costuma ser citado como um belo exemplo daquilo que não acrescenta nada à televisão brasileira e, portanto, contribui para o processo de perda de cultura que atravessamos. Sem tratar aqui do mérito dos candidatos selecionados ou da extrema mobilização da poderosa transmissora carioca a seu favor, o programa de bisbilhotagem da Rede Globo faz um enorme sucesso, praticamente em todos os âmbitos da nossa sociedade.

Diversos fatores contribuem para isso, como por exemplo o carisma de Pedro Bial (sim, foi brincadeira). No fundo, creio que o mesmo motivo que leva alguém a assistir a uma novela serve, analogamente, como estímulo para que o Big Brother seja visto. No entanto, essa não é a idéia do post de hoje.

Alguns poucos amantes do programa (e espero que muitos amantes desse blog, no dia em que existirem) devem conhecer o real significado da expressão que dá título à atração. A expressão "Grande Irmão" não faz sentido algum, pelo menos para quem não conhece um grande escritor da primeira metade do século XX. "Passamos a explicar", como diria meu professor Ciro.

George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair, é autor duas obras das mais cultuadas pelos amantes da política e da boa literatura atualmente. Os livros são "1984" e "A Revolução dos Bichos", cuja repercussão se percebe tanto pelo fato de ainda venderem bastante quanto pela influência que exercem, como veremos, desde jogos eletrônicos até a televisão (particularmente "1984", com relação à TV e jogos).

O escritor nasceu em Bengala, então sob o domínio inglês, e trabalhava como agente da polícia do Oriente na Birmânia. O modo como era obrigado a tratar um povo estrangeiro o tornou um crítico do imperialismo. Por sua ideologia, lutou contra o nazi-fascismo, apoiando a causa stalinista. Chegou a lutar na Guerra Civil Espanhola pelo Partido Operário de União Marxista. Após algum tempo, decepcionado com os rumos tomados pelo socialismo, em especial por sua faceta stalinista, Orwell dedicou-se a criticá-lo. Suas obras, entretanto, para mim podem ser vistas como críticas inclusive ao sistema capitalista, e tal noção fica mais clara se lembrarmos do período em que viveu no Oriente.

O livro "1984", publicado em 1949, retrata a vida de Winston Smith contra o sistema. Indignado, o personagem planeja uma rebelião contra o governo ditador e... Bem, não vou contar muito exatamente para que você leia, caso nunca o tenha feito. Apenas garanto que o livro é sensacional. Agora, vamos ao detalhe que interessa: a Eurásia, império do qual a Inglaterra, país em que Winston vivia, fazia parte, era regida pelo Grande Irmão. O modo que a política era conduzida chama a atenção: os cidadãos não podiam esboçar qualquer tentativa ou mesmo pensamento de se rebelarem contra o sistema; era proibido até se interessarem por pessoas do sexo oposto; diariamente, todos deviam adorar a figura do ditador, isso só para dar uma idéia de como era a vida do protagonista. O que se relaciona ao "BBB", o programa, é o fato de todas as cidades, inclusive as residências, serem vigiadas por câmeras, o que diminuía ainda mais a liberdade do povo.

Ora, é decepcionante ver que a beleza da crítica sobre um dos períodos mais tensos do século passado, feita por um genial observador que sequer possuía formação universitária, se traduziu de modo tão superficial em nossa cultura. Isso não é uma crítica apenas ao Brasil, claro (aliás, é o tema de meu próximo post, aguardem), considerando que o programa foi criado na Holanda, se não me engano. Hoje, "Big Brother" é um termo conhecido devido a uma atração conteúdo algum, e não a uma das maiores obras da literatura mundial. "BBB"? "Ah, é o programa que passa depois da novela". "Orwell"? "Não, nunca ouvi falar"...

Pra piorar, a Globo, até onde eu sei, jamais fez menção alguma ao escritor e à obra aos quais deveriam agradecer pelo título do programa. Seria o mínimo razoável, apesar de não constituir um bom modo de trazer o conhecimento. Qual a conclusão que se tira disso, tendo em vista que a cada ano o "BBB" bate recordes de audiência? A óbvia: infelizmente, informação não dá audiência. Antigamente, a escolha dos candidatos era feita de modo aleatório, por isso participavam pessoas das mais variadas idades e classes socias. Com muita boa vontade, podia ser considerado algo enriquecedor, dependendo do enfoque do espectador. Hoje, não. A justificativa foi dada pelo próprio produtor do programa: "as pessoas querem ver gente bonita". Ou seja, não é raro encontrar alguma modelo que já tirou a roupa por aí participando do Big Brother. Mais um modo de demonstrar como os valores se deterioram...

Explicando o título: o big do brother, hoje, é a aparência dos participantes... Até o ato de bisbilhotar soaria melhor, não concorda?

Termino citando uma frase que mostra o modo como Orwell enxergava o mundo. Bastante pessimista, porém até hoje encontra partidários:

"Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre" - G.Orwell, no livro "1984"

Abaixo, uma representação do Grande Irmão (representação pois não há ilustrações oficiais nem filme sobre a obra, infelizmente):



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Resgatando a infância perdida (ou nunca tida)...

Hoje abro espaço neste blog para uma experiência pessoal...

Fui a um sebo no Centro de São Paulo com um amigo; a princípio era só para matar um tempo no final da tarde, mas, vendo umas velharias ele se lembrou de repente da revistinha Herói. "Será que aqui tem?" E procuramos e encontramos vários exemplares em bom estado.

A revista Herói, publicada em parceria pelas editoras Acme e Sampa em fins da década de 1990 era febre entre os meninos. Era especializada em heróis e desenhos japoneses e seriados de televisão. Tinha formato de gibi e, convenhamos, não era lá um primor de publicação, já que o publisher dela era de segunda categoria. Eu não lia a revistinha porque não gosto de animação japonesa, mas eu era a única pessoa que conhecia que não comprava a tal Herói... mas a garotada adorava!

Ah, naqueles tempos em que computador e internet eram pra poucos e não traziam informações sobre os heróis, era das páginas das revistinhas que saía tudo o que se precisava sobre os personagens adorados, com fotos coloridas, sendo possível participar de promoções, eventos, trocar correspondências...

Bem, meu amigo levou pra casa mais de trinta exemplares da revistinha, comprados a preço de banana. Feliz, porque recuperou uma coleção que teve, mas que se perdeu nos escaninhos da vida. Feliz por poder recordar até mesmo o cheiro das páginas e a sensação de comprá-las todo mês com um suado dinheirinho juntado com esforço.

Eu saí de lá sem levar nada, mas pensando em voltar para comprar dois discos: o do Trem da Alegria de 1986 (selo RCA Victor), um clássico infantil, com a formação original Luciano, Patricia e Juninho Bill e a ainda mais clássica He-Man (Michael Sullivan / Paulo Massadas); e o Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta (1978, Editora Abril / RCA Victor), com músicas de Marcio A.Sousa (irmão do Mauricio!) e Yara Maura.

Parece espantoso uma criança ficar parada ao lado de uma vitrola ouvindo músicas. Deixar um moleque correr o risco de estragar a agulha, o disco, tudo! Qual nada, juntava a meninada e saía dançando em volta daquele trambolho. Um deles trazia uma fita K7 e aí fazíamos cópias para ouvir no Meu Primeiro Gradiente... Só dava briga quando vinha um que alterava a rotação do disco, deixando a música engraçada, mas que medo que dava de estragar o disco!

E ficar quieta ouvindo uma história da literatura universal na mesma vitrola, a criançada ficava? Ô! E não só essas obras primas, como também contos de fada e histórias da carochinha, que vinham em disquinhos coloridos. E o disco da Turma da Mônica de que falei ainda vinha com um encarte que era um livrinho com a história e cifras para tocar as músicas no violão. Enfim, diversão completa num mundo sem computador e sem videocassete. Alguém aí falou em DVD? Rá...

Mas se eu nasci em 1985; como é que vou resgatar minha infância com essas coisas que, teoricamente, não era pra eu ter conhecido? Ora, pelo amor de Deus! Ainda sou da geração anos 80, portanto conhecer o Trem é mais que minha obrigação. E da Turma da Mônica sou leitor desde o berço, coleciono tudo a respeito.

Tiro do passeio de hoje duas conclusões. A primeira é a de que a minha infância, por increça que parível, começou antes d'eu nascer e, portanto, eu sou uma pessoa completamente anormal (não que eu já não soubesse disso, mas disse que tirei conclusões, e não que tirei conclusões inéditas!). A segunda conclusão é a de que não se fazem mais infâncias como antigamente (coisa que eu também já sabia).

Meu amigo, que sempre me achou saudosista e pessimista quanto ao mundo que nos cerca, nesse ponto concordou comigo. Quem não concordaria?

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Celebridades instantâneas

Carnaval era a época do ano em que pululavam pessoas ávidas por seus quinze minutos de fama; fossem elas modelos (antigamente chamadas de manequins), socialites (antigamente chamadas de "gente da alta sociedade") ou o que o valha. E, se possível, arranjar uma boquinha depois das festas para que os minutinhos de estrelato se tornassem muitos anos de carreira artística.

Na era cibernética, com os Big Brothers e YouTubes da vida, a celebrização instantânea tornou-se muito mais fácil, praticamente algo do tipo "faça você mesmo". Claro que essa mudança de costumes gerou gravíssimas conseqüências, como as gravações clandestinas (o caso Daniela Cicarelli é o mais famoso) e divulgações não-autorizadas (geralmente de sexo, com o chamativo bordão "vacilou, caiu na rede"). Aliás, o sexo sempre chama a atenção do público...

Portanto, não é só quem quer aparecer que hoje em dia consegue seu lugar ao sol com menos sacrifício. Quem sequer pensava em alçar fama e ser reconhecido na padaria e na banca de jornal descobre o estrelato por acaso. É o caso da nutricionista Ruth Lemos, que entrou para a história da internet após a divulgação de sua tragicômica entrevista ao vivo a um jornal local da Rede Globo. Mas quero falar de outro caso, o do jornalista gaúcho Lasier Martins.

Lasier Costa Martins é um jornalista com boa reputação no Rio Grande do Sul. Advogado, radialista, repórter de televisão, cobriu Copas do Mundo e já atacou de comentarista policial, vociferando críticas no estilo "bandido bom é bandido morto". Mas tal currículo não bastou para que fosse conhecido em todo o Brasil. Hoje, mais de um milhão de internautas já viram sua atuação mais famosa.

Durante a cobertura da Festa da Uva de Caxias do Sul pela RBS (Rede Brasil Sul), para o Jornal do Almoço, Lasier era apresentado às diversas variedades da fruta pelas rainhas da festa. Virou-se para o outro lado para mostrar uma vitrine, tocou num cacho de uvas e recebeu uma descarga elétrica de 220V, emitindo um grito de terror e estatelando-se no chão. A imagem voltou para o estúdio e a âncora do JA, sem perder o rebolado, engoliu o susto e chamou o intervalo comercial.

Conta-se que a cena esdrúxula teve sua repercussão na época, entre os gaúchos, e foi gravado pelos funcionários da emissora que foram os que mais se divertiram com a cena. Anos depois, quando o evento bizarro surgiu no YouTube, foi descoberto e alçou o jornalista já veterano à fama. E não tardaram a aparecer outros vídeos, montagens, adição de efeitos visuais para apimentar o choque, reconstituições de fundo de quintal, etc. Foi assim que encontrei o vídeo, após citação no blog SodTV! de Igor C. Barros (http://sodtv.blogspot.com/2007/04/tv-youtube-especial-ordinrio-em.html).

A participação de Lasier Martins no vídeo é cultuada por várias razões, entre elas, as duas famosas frases "estas, mais de mesa" e "aqui do lado, Pederneiras", a primeira ao descrever as variedades de uva, e, a segunda, chamando a atenção do cinegrafista (que se tornou igualmente famoso em razão da sonoridade de seu nome) - frases que soam desconexas e perdem totalmente o sentido após assistir o filme à exaustão; em seguida, destacam-se o grito de terror do repórter ao levar a descarga elétrica, a sua queda, acompanhada pelo desespero de Rainha e Princesas da Uva, e a reação impassível da âncora do Jornal. Enfim, todo o vídeo proporciona comicidade única.

Obviamente, Lasier não gostou da divulgação daquele vexame, já que passou por maus bocados na época: ficou desmaiado, quebrou uma costela e foi parar no hospital... para ele, resta esperar que a onda em torno do vídeo no YouTube acabe, o que deverá demorar bastante tempo, pois a cena não perde a graça. No final da postagem está um link para uma entrevista em que Lasier explica tudo o que aconteceu naquele dia do choque.

O VÍDEO ORIGINAL


O MELÔ DO LASIER - para mim, a melhor "homenagem" já feita


TROPA DE ELITE x LASIER


UMA DAS RECONSTITUIÇÕES DA CENA FEITA POR INTERNAUTAS


Existem muitas outras paródias e versões do choque no YouTube; procurem por "Lasier Martins".

LASIER FALA DO VÍDEO
Aqui o astro das uvas fala pela primeira vez sobre o fatídico evento. Entenda tudo o que aconteceu aqui: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL12790-6174,00.html

DIA 22 DE FEVEREIRO DE 2008: LASIER E AS UVAS, O RETORNO
Uma surpresa para muita gente e já chegou ao YouTube: Lasier Martins voltou ao local do "crime" para mais uma reportagem na Festa da Uva de Caxias do Sul. A cena foi quase um "revival" de seu momento mais marcante, apresentando as variedades de uvas "mais de mesa", desta vez colocadas sobre... uma mesa e não penduradas. No lugar da Rainha da Festa, um especialista em vinhos. Só faltou saber se o cinegrafista era o mesmo Pederneiras de antes.

Mas o que deve ter satisfeito ao público foi o bom humor com o qual o repórter apareceu durante toda a matéria ao vivo. Falou do vexame do choque e disse que veio prevenido: "chega de gozação, pessoal!". A reação dele foi ótima, levando na esportiva inclusive a charge publicada em jornal tratando do episódio das uvas elétricas.

Creio que foi um desfecho divertido e simpático para essa história ao mesmo tempo tão engraçada e tão trágica... mas as piadas não vão acabar, Lasier...


23 DE NOVEMBRO DE 2010

Os telespectadores da RBS elegeram a cena do choque das uvas como o momento mais marcante da história dos 30 anos do Jornal do Almoço. Lasier assistiu pela primeira vez as imagens do acidente e a emissora mostrou cenas dos bastidores do programa na ocasião.

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