quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A Especulação Imobiliária domina o céu e o espaço dos jornais

Feliz ano novo pra você!

Reportagem no Jornal Hoje da TV Globo, na edição desta tarde mostrou que a especulação imobiliária desenfreada pode destruir as dunas do Rio Grande do Norte. O repórter Francisco José, cuja voz para mim é sinônimo de reportagens sobre natureza no Globo Repórter, esteve lá e entrevistou um turista italiano que achava aquilo lamentável. A profissão do cara: agente imobiliário.A reportagem pode ser vista no portal Globo.com: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM772151-7823-DUNAS+AMEACADAS+PELA+ESPECULACAO+IMOBILIARIA,00.html.

É interessante eu citar aqui a TV Globo, pois tenho predileção pela (ainda) Vice-Líder TVSBT Canal 4 de São Paulo, ZYB 855... emissora do Sistema Brasileiro de Televisão do genial Silvio Santos. Mais ainda o fato de eu ter assistido na íntegra o Hoje, pois se trata de um programa chatíssimo e superficial, creio eu feito especialmente para a sesta pós-almoço. A pessoa dorme vendo as notícias e só acorda lá pro final do Vale a Pena ver de Novo. Com isso, a audiência da tarde da Vênus Platinada está garantida.

Acessando mais tarde o blog Tinha que ser o Chaves, do cartunista, editor de imagens, crítico de TV, músico e piadista Igor C. Barros, dono da holding Igor C. Barros de sites, paródias e demais animosidades - aliás, tive a honra de conhecê-lo, um grande (literalmente) cara, tanto no pessoal quanto no profissional... um abraço, rapaz!, no link http://tinhaqueserochaves.blogspot.com/2007/12/so-paulo-mercado-imobilirio-est-no-cio.html me inspirei para o post de hoje.
Pois bem. Já não é de hoje que as nossas cidades estão sendo bombardeadas por lançamentos de imóveis. Esse fenômeno que é visto com bons olhos pelo "mercado" e pelas "tendências mundiais", para mim refletem aspectos problemáticos: a descaracterização dos bairros, a diminuição do espaço útil das moradias (dormitórios, quarto e cozinha minúsculos... e o banheiro, então...), estilos arquitetônicos ridículos (chamados de neo-clássicos, mas que não passam de frescuras rococó para agradar aos compradores, que, assim, se acham grande coisa), ofertas de conforto que transformam o condomínio em ilha fechada, com prazeres de clube social (causando a pindaíba de grandes clubes brasileiros. No caso de São Paulo, vejam só como é reduzido o quadro associativo de gigantes como a Portuguesa, o Corinthians, o Juventus - que já foi o clube com maior número de sócios etc.), de spa, parque de diversões e reserva ambiental.
O resultado é lamentável sob o ponto de vista urbanístico, pela elevação no movimento de automóveis em ruas que não têm a capacidade de absorção do tráfego. Mais: criam-se zonas mortas nos bairros, prejudicando as pessoas que insistem em viver em suas casinhas, às vezes simpáticas construções sobreviventes de vilas operárias. Ruas desertas e inseguras. E a economia local não se aquece, só os shoppings.
Cada vez mais ocorrem arrastões de construtoras, incorporadoras, empreendedoras etc. dispostas a "revitalizar" os bairros. Revitalizar não é resgatar o patrimônio histórico dessas localidades? O que está em jogo, além do lucro das construtoras, é a identidade do local. O tradicional bairro da Mooca em São Paulo tem exemplos disso: http://www.vitruvius.com.br/minhacidade/mc196/mc196.asp.

No portal da Mooca, http://www.portaldamooca.com.br/, extraí este comentário que transcrevo abaixo, e que resume tudo o que tentei (mal-e-mal) expressar:

Walter Rosa - (São Paulo-SP) - 28/10/2007
Gosto de passear na Mooca, e vejo que ela está se tornando um bairro como vários em São Paulo, ou seja com cada vez mais prédios. A cidade está ficando pasteurizada. Mas há um jeito. É preciso que as entidades representativas do bairro , juntamente com as pessoas que não aceitam tal mudança pacificamente, e procurem os vereadores para elaborarem alteração na Lei de Uso do Solo controlando a densidade habitacional. A outra medida seria também estas entidades procurarem o CONDEFHAT e a Secretaria do Patrimônio Histórico de São Paulo, da Prefeitura, para tombar os edifícios e regiões do bairro ainda não degradados pela especulação imobiliária. Senão será a morte da Mooca.Será um bairro qualquer, sem nada que a caracterize.VIVA A MOOCA !


Em tempo: destaquei minhas principais digressões com a letra vermelha e os caracteres em itálico. As horas que mudei de assunto mas achei que a opinião era útil para mais pessoas além de mim mesmo, mantive o tipo como o do resto do texto.

Desculpem a chatice, mas hoje saiu assim, fazer o quê...

Um comentário:

  1. Texto muito bom!
    Sobre a falência dos clubes, você me deu uma nova optica.

    Abraço.

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